O OBJETIVO DE UM NAMORO BLINDADO é saber o quanto antes se a
pessoa é ou não para você. Sem perda de tempo e sem erro. Se você seguir os
princípios explicados aqui, você jamais ficará amarrado a um relacionamento
sem futuro. Saberá quando pular fora, sem medo nem arrependimento. Por
outro lado, se a pessoa é para você, você também saberá sem delongas.
Estará pronto para dar o próximo passo: noivar e casar.
É incrível o número de pessoas, hoje, que ficam namorando por três, cinco,
sete anos ou mais sem nenhuma perspectiva de um desfecho no
relacionamento, quer seja casamento ou rompimento. Vivem à deriva,
perdendo tempo em uma relação que provavelmente vai terminar aos poucos
por indefinição.
Logo, vem a pergunta: qual a duração ideal de um namoro? Não há uma
fórmula, mas há o bom senso. Casar com uma pessoa que você mal conhece
em três ou quatro meses é um risco muito grande. Se o objetivo é conhecer o
suficiente da outra pessoa para decidir se é ou não para você, alguns fatores
devem ser considerados.
Quanto e quão bem vocês se conheciam antes de começar a namorar?
Amigos de infância, que cresceram juntos, conhecem as respectivas famílias e
não perderam contato ao longo dos anos, saem na frente aqui. Porém, casais
que se conheceram por pouco tempo antes de namorar, nunca cruzaram o
mesmo caminho até então e talvez tenham poucos ou nenhum amigo em
comum, precisarão de mais tempo para se conhecerem. É o caso de muitas
pessoas que se conheceram online, por exemplo.
Presumindo, então, este último cenário, em que vocês não se conheciam
antes de começar a namorar, a pergunta é: quanto tempo vocês precisam
para se conhecerem e decidirem se querem noivar ou terminar?
Se vocês fizerem as coisas certas, em média de 12 a 18 meses,no máximo.
Veja: se vocês namorarem por um ano e meio e se encontrarem apenas uma
vez por semana, terão 78 encontros. Isso sem incluir conversas telefônicas e
outros tipos de contato. Será que não dá para decidir se é a pessoa para um
futuro juntos? Se o foco de vocês for se conhecer (e não apenas se divertir ou
passar tempo), é mais do que suficiente.
A exceção aqui é se o namoro começou à distância e vocês quase nunca
passaram tempo juntos durante esse período. Apesar de ser possível trocar
bastante informações à distância, vocês precisarão de um tempo presencial
para se conhecerem melhor, bem como o círculo social um do outro. Por isso,
longos namoros à distância sem planejamento nem previsão de se
encontrarem são receitas para frustração — especialmente se ele for um
príncipe nigeriano.
Portanto, em termos de tempo de namoro, se chegar aos 18 meses e você
não tiver certeza sobre a outra pessoa ou se o rapaz não a pedir em
casamento, acabe com essa enrolação. Corte suas perdas e bola para frente.
Não perca tempo quando vir que não é para você. Tempo é uma das coisas
mais preciosas que temos na vida. Não roube tempo de você mesmo nem da
outra pessoa. Muitos homens, particularmente, alimentam a esperança da
mulher de que um dia irão casar com ela. Isso é uma das coisas mais cruéis e
injustas que você pode fazer com uma pessoa. É roubo. Cedo ou tarde, isso se
voltará contra você.
Namoros que se estendem por muito tempo por desculpas do tipo “não
temos dinheiro para casar”, “somos muito jovens”, “primeiro temos de
[preencha a lacuna]” são namoros que perderam ou
nunca tiveram um propósito. As consequências poderão incluir:
O casal terá muita dificuldade de se guardar sexualmente até o casamento.
Um ou ambos ficarão frustrados pela indefinição.
A tentação de ir morar junto será muito forte.
O relacionamento entrará em fases turbulentas por causa das dúvidas e
falta de progresso.
É por isso que jovens devem considerar bem a idade para começar a
namorar. A não ser que você se veja casado aos 18 anos, não comece a
namorar aos 16.
Casais que namoram blindadamente estão prontos para definir o
relacionamento em até 18 meses. E, se a decisão for de se casar, podem levar
mais uns 6 meses até o casamento (mais sobre isso no próximo capítulo).
Porém, obviamente não é só o tempo de namoro que precisa ser
considerado.SINAIS DE QUE ESTÁ NA HORA DE TERMINAR
Gostar de uma pessoa ou mesmo amá-la não é suficiente para manter um
relacionamento. Depois de avaliar tudo o que você sabe da outra pessoa e
suas experiências juntos, você poderá chegar à conclusão, ainda que
relutantemente, de que não dá para continuar.
Relacionamento é uma via de mão dupla. Não adianta só você
querer, só você tentar, só você amar. Se o outro não coopera,
vocês jamais serão um casal.
A sabedoria de Deus explica isso assim: “Andarão dois juntos, se não houver
entre eles acordo?”1
E se há um momento para descobrir isso é durante o namoro, jamais no
casamento. Quais os sinais?
Além de vários que já pontuamos em todo o livro, atente para estes cinco
sinais básicos, cada um grave o suficiente para terminar:
1. Falta segurança. A pessoa tem comportamentos que o fazem sentir
inseguro. Agressividade, vício, irresponsabilidade, futuro incerto,
temperamento instável, indecisão… Se a pessoa não lhe passa segurança em
todos os sentidos, você não tem base alguma para um casamento.
2. Falta fidelidade. Não ocorre apenas quando há uma traição plena, mas
quando há uma quebra de confiança — seja por traição virtual ou qualquer
outra indiscrição envolvendo terceiros.
3. Falta honestidade: Onde há mentira não pode haver relacionamento.
Lembre-se de que a mentira também tem outros nomes, como meias
verdades, segredos e partes da vida ou da história da pessoa às quais você
não tem acesso. A pessoa se torna muito protetora da própria privacidade,
não gosta de revelar detalhes, dar informações ou acesso a certas coisas de
sua vida.
4. Falta respeito: Respeitar é considerar qual impacto tudo o que você faz
poderá ter no parceiro. Se o outro não se importa com isso, ignora-o em sua
conduta ou não atenta para sua opinião, não há respeito por você. Há
pessoas que não conseguem se colocar no lugar da outra. Possuem uma
atitude egoísta e incompreensiva. Não compreendem que a namorada está
no trabalho e não pode atender o telefone; que ela está em período de
provas e por isso não poderão se encontrar muito nas próximas semanas;
que a mãe do namorado está doente e ele precisa cuidar dela neste fim de
semana. Imagine conviver a vida toda com uma pessoa que nunca o respeita
nem compreende.
5. Falta disposição de mudar e lutar pelo relacionamento. Todo mundo
erra. Seu parceiro pode ter muitos defeitos, cometido até erros graves, mas
há um defeito que impede todos os outros de serem corrigidos: a falta de vontade de reconhecer os erros e lutar para eliminá-los em prol do
relacionamento. Quem tem essa disposição, pode mudar. Quem não tem,
acha que apenas o outro precisa mudar. Cuidado quando só um faz todo o
trabalho pelo relacionamento e o outro se sente em um pedestal.
Estes sinais são assassinos de relacionamentos. Não adianta você se enganar
e achar que com seu amor irá mudar a outra pessoa. Se alguém comete um
erro uma ou duas vezes, pode-se dizer que errar é humano. Porém, o mesmo
erro mais de três vezes, já é o caráter dele. Você é o que você faz.
Quando faz um balanço da pessoa e do relacionamento, você só pode chegar
a uma destas três conclusões:
1. A pessoa nunca enxerga seus erros. Conclusão: terminar.
2. A pessoa enxerga seus erros, mas nunca muda. Conclusão: terminar.
3. A pessoa enxerga seus erros, se esforça para mudar e busca
ajuda se necessário. Conclusão: vale a pena dar uma chance e, depois,
reavaliar.
Cuidado! Não dê uma de salvador em casos de pessoas que não querem
mudar. Não pense: “Eu vou ajudá-lo, ele vai mudar, vai se recuperar!”.
Mulheres, especialmente, costumam sentir atração por homens
problemáticos e selvagens, porque pensam que eventualmente irão
domesticá-los. Acham que nas mãos de “uma boa mulher” ele irá mudar.
Sonham com o dia em que ele mudará por amor a elas. Enquanto isso, ele a
faz se sentir como a pior mulher do mundo, nunca boa o suficiente, inferior à
ex. Justifica o contato dele com a ex e faz você se sentir culpada, como se
estivesse em uma competição com ela. E você não se dá conta de que está
sendo usada como uma “clínica de recuperação” amorosa, da qual um dia ele
sairá para ficar com outra.
Por que alguns homens fazem isso? Porque podem! O nível de tolerância
delas é muito alto. A maioria das mulheres naturalmente sonha com o
casamento desde criança. Já os homens, não. Já reparou que não existe
revista de noivo, só de noiva? Os homens costumam focar no lado negativo do
casamento, enquanto as mulheres tendem a focar no positivo. Elas sonham
com a admiração das amigas no dia do casamento… E eles se lembram de
que, a partir daquele dia, nunca mais poderão tocar em nenhuma daquelas
amigas…
É preciso mudar de pensamento.
Você pode ser uma ótima mulher, mas não queira realizar o sonho de se
casar a qualquer custo. Tampouco superestime sua capacidade de recuperar
alguém que não quer recuperação. Não se deixe ser usada.
Fique atenta para sinais típicos de um relacionamento abusivo: ele tenta
controlar os seus passos, chantagear emocionalmente ou ditar o seu guarda roupa; é agressivo fisicamente ou com palavras; quer isolá-la de seus
familiares e amigos.
Afastá-la dos familiares e amigos por ciúme é sinal de grande insegurança ou
coisa até pior. Um namoro deve adicionar alguém à família, não tirar.
Amigos no namoro podem ser em comum ou não. Ao passo que o namoro
procede para o noivado, o natural é que os amigos passem a ser em comum.
Evidentemente, amigos devem fazer bem ao casal, não mal.
Se você está em relacionamento abusivo e não tem forças para sair, busque
ajuda de uma pessoa de confiança imediatamente!
Se você é o manipulador, que sufoca e abusa do outro, atenção:
Manipuladores servem apenas a si mesmos e aos seus próprios
desejos. Nunca pensam em mais ninguém. Um dia, porém, sua
fama se espalhará por todo seu círculo social e você acabará
sozinho.
Talvez você não tenha se dado conta do seu caráter manipulador até vê-lo
descrito aqui. Se agora você enxerga suas falhas, saia do relacionamento e
não entre em mais nenhum até ter buscado ajuda e vencido a raiz do
problema.
Quando um se dá demais no relacionamento e o outro só recebe, há um
desequilíbrio. Deve haver equilíbrio no dar e no receber. Se apenas um se dá,
o que só recebe é como um ladrão ou aproveitador.
Porém, entenda: não adianta querer forçar o outro a amá-lo. Ou há amor ou
não há. O amor verdadeiro não exige o amar de volta. Ele deixa a pessoa
escolher. Se ela quer, amém. Senão, deixe-a ir.
Veja como Deus age. Ele ama as pessoas, mas se elas não O querem, Ele as
respeita. Acima de tudo, Ele Se ama.
É por amor ao Meu próprio nome que vou agir; não permito que o
Meu nome seja profanado.2
Por falta de amor próprio, muitas pessoas têm sido envergonhadas por
parceiros a quem amaram acima de si mesmas. Jamais permita que isso
aconteça com você.
MEDO E AMOR NÃO COMBINAM
O amor tem alguns arqui-inimigos, entre eles: indiferença, egoísmo e medo.
Quero focar neste último porque ele é um dos grandes responsáveis por
relacionamentos intoleráveis ou que nunca deveriam ter acontecido.
Muitas pessoas nunca alcançam a felicidade amorosa porque são eternas
reféns do medo. Medo de ficar sozinho, medo de rejeição, medo de confrontar
um comportamento inaceitável, medo de perder a outra pessoa, medo de ser traído, medo de se casar, medo de não se casar…
No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o
medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não
pode amar perfeitamente.3
Se há medo, não há amor. Se há amor, não há medo. Os dois não
combinam.
A única forma de se livrar do medo é ter a absoluta certeza de que, não
importa o que acontecer, tudo ficará bem. E só há uma maneira de ter essa
certeza: ter total confiança em Deus. Se “sabemos que todas as coisas
cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”4
, logo, não tememos
nada. Essa confiança absoluta nos dá a certeza de que mesmo as coisas
aparentemente ruins que nos acontecem são para o nosso bem.
É por isso que afirmamos que o verdadeiro amor vem da fé. Assim como a
luz e o calor que iluminam e aquecem nosso planeta vêm do Sol, o perfeito
amor vem de Deus5. E o canal que nos liga a Ele não é uma religião, e sim
uma fé sincera na pessoa dEle.
Quando você tem essa ligação com o Autor do amor perfeito, você não tem
medo de nada nem ninguém.
Não tem medo de ficar sozinho porque a solidão não faz parte dos planos6
dEle para você. Você não teme a rejeição porque tem estrutura espiritual para
lidar com ela. Você não tem medo de confrontar um comportamento
inaceitável de seu namorado porque seus padrões estão baseados no amor
que faz bem, não mal. Você não tem medo de perder a outra pessoa porque
entende que a outra pessoa é quem perderia você. Não tem medo de ser
traído porque sabe que o erro maior sempre será do traidor, não seu. Não casa
por medo de ficar solteiro nem deixa de casar por temer os desafios do
casamento.
O medo traz tormento. Lance-o para bem longe de você. Busque o amor
perfeito, que vem da fé, que confia em Deus. Confronte seus medos. Não
aceite o inaceitável no relacionamento. Não tenha medo de questionar o
questionável de seu namorado ou namorada. Se você perder a pessoa por ter
mantido seus padrões e princípios, não é perda. É livramento.
O que você prefere: assistir a um filme que tem um final horrível
ou a um filme horrível que nunca chega ao fim?
DÚVIDAS CRUÉIS
Muitos namoros se arrastam indefinidamente porque há dúvidas que impedem
o casal de prosseguir para o casamento. Algumas destas dúvidas são
justificadas, outras são apenas monstrinhos em suas cabeças. Seja qual for a
fonte das dúvidas, não se casem enquanto elas existirem.Se há uma coisa que você vai precisar no seu relacionamento é certeza. Você
precisa dar e receber certeza. Se há dúvida, porém, então há certeza de que
não dará certo.
Toda dúvida tem uma fonte. Qual é a fonte de sua dúvida? Se a fonte é real,
então sua dúvida é justificada. Por exemplo, sua namorada já mentiu para
você várias vezes; você não consegue confiar nela. Logo, tem dúvidas se deve
se casar com ela. Sua dúvida é legítima. Ela lhe mostra que, se vocês se
casarem, terão sérios problemas.
Dúvidas legítimas são avisos para que você não prossiga. Não as ignore.
Mas há dúvidas com fontes duvidosas, como medo, crenças erradas ou falta
de planejamento. São infundadas.
Por exemplo, você tem medo de se casar porque viu o grande sofrimento que
sua mãe passou no casamento. Esse medo gera dúvida, mas é infundado
porque não é inteligente. O fracasso do casamento de seus pais não significa
que o seu casamento fracassará. O que você precisa é aprender as lições
positivas das experiências deles e fazer melhor que eles em suas escolhas.
Um outro exemplo comum é a dúvida por questões financeiras. “Será que
vamos ter dinheiro para manter a vida de casado?” A maioria dessas questões
provém de falta de planejamento ou de crenças erradas. A crença de querer
ter tudo materialmente antes de casar, por exemplo. A verdade é que começar
a vida de casado sem nenhuma necessidade ou aperto é utopia para a maioria
dos casais. Mas isso não os impede de agir com consciência, planejar seus
gastos, fazer economias e prosperar paulatinamente.
Questione suas dúvidas. Veja como outros superaram os mesmos
problemas.
Talvez a sua dúvida venha de uma eterna busca pela perfeição. Nos dias
atuais, com a abundância de opções de aplicativos de relacionamento, sites de
encontros e a facilidade de deslizar o dedo por centenas de perfis com fotos de
pessoas atraentes, a ilusão da busca por alguém sempre melhor é muito
grande. “E se eu me casar com ela e depois me arrepender? Será que devo
esperar para ver se aparece alguém mais interessante?”
Esta parálise é conhecida como “paradoxo da escolha”, um fenômeno
moderno estudado pelo professor e psicólogo Barry Schwartz. Ele explica como
a multitude de opções não nos faz mais felizes, mas sim paralisados. Diante
de tanta oferta, podemos ficar sem ação ao comparar e duvidar se nossa
escolha realmente é a melhor e mais vantajosa. Isso se aplica em todas as
áreas da vida, seja ao decidir que roupa do seu closet lotado você irá vestir
pela manhã, qual modelo de plasma tevê irá comprar ou com quem irá se
casar.
Como já discorremos aqui, há milhares de pessoas que poderiam ser
adequadas para você. Mas aí está o poder e a beleza do amor: dizer sim para apenas uma e não para as demais. Como você se sentiria ao saber que, de
todos os homens do mundo, a mulher que você ama quer somente você? Sem
esta decisão, não pode haver amor. Ou você acha que pensar “estou com você
até aparecer alguém mais interessante” é amoroso?
Não estamos dizendo que você tem de se casar com o primeiro que
aparecer. Ter opções é bom. Mas cuidado para não se iludir com a busca por
um “negócio” cada vez melhor. Pessoas assim encontram alguém mais
interessante e logo ficam procurando uma razão para terminar o
relacionamento em que estão.
“Amiga, vê se pode, ele não faz o pezinho do cabelo! Como eu posso me
casar com ele?”
(Liga para o namorado:) “Alô, Ronaldo? Desculpe, mas acho que a gente
deve terminar por aqui. Não, não tem nada de errado com você, o problema
sou eu.”
Pelo menos nisso ela acertou. O problema é ela, mesmo!
Pessoas indecisas não são bons cônjuges. Elas se tornam um peso e uma
fonte de insegurança para o parceiro. Se você duvida de si mesmo, a outra
pessoa duvidará também. Seja uma pessoa de fé, não de dúvida. O amor tem
de ser com fé7.
Se você tem dúvidas sobre o relacionamento, não fique enganando a outra
pessoa dando-lhe falsas esperanças. Seja sincero sobre suas intenções e
pensamentos. Talvez você não queira terminar porque sabe que vai machucar
a outra pessoa, pois ela gosta muito de você. Porém, sua indecisão acabará
ferindo-a mais. Chega um ponto em que ou você se vê com aquela pessoa
para o resto da vida ou não. Esse é o ponto da decisão. Não fique adiando.
O ideal é que o homem inicie esta conversa assim que perceber que o
momento é apropriado, segundo o progresso do relacionamento. Alguns
homens, porém, têm se mostrado tímidos neste quesito — seja por medo de
compromisso, insegurança ou não ter certeza do “sim” da namorada. Por isso,
às vezes, a mulher terá de dar uma forcinha e trazer o assunto à baila. Não
que ela deva se mostrar desesperada nem impor ao namorado que a peça em
casamento. Jamais implore por isso, como se você fosse um artigo de fim de
feira. Mas você precisa ficar atenta a sinais de indecisão ou acomodação por
parte dele. Se o tempo está passando e nada de ele tocar no assunto, talvez
você precise dar um empurrãozinho. “Então, quais são os seus planos com
respeito ao futuro do nosso relacionamento?” Se ele não captar a mensagem,
ou der uma de bobo, ou enrolá-la com uma resposta esfarrapada, talvez seja
hora de dar um chute no traseiro dele.
Um recado para os homens: a não ser que você tenha boas razões para
duvidar dela, dê um passo de fé e peça-a em casamento. Não tenha medo. O
casamento é uma das melhores coisas que podem acontecer na vida de um
homem. Ter uma boa esposa traz estabilidade para sua vida, além de paz e o
apoio que você precisa para conquistar qualquer sonho que você tenha. Não pense que você precisa resolver alguma coisa em sua vida primeiro, antes de
se casar. Resolva sua vida amorosa primeiro. O resto será mais fácil. Quando
você chega em casa e tem um porto seguro, uma esposa que o admira e
apoia, você terá a força de um navio guerreiro para sair e lutar suas batalhas
todas as manhãs.
O MAU CONSELHO DOS PAIS
Os brasileiros estão se casando cada vez mais tarde. A idade média dos
solteiros na data do casamento subiu em 2014 para 27 anos, as mulheres, e
30 os homens. Em 1960, a maioria das mulheres se casava por volta dos 22
anos de idade e os homens, dos 25. A tendência é mundial.
Por que as pessoas estão se casando cada vez mais tarde?
Os pesquisadores do IBGE atribuem o aumento a alguns fatores, como maior
dedicação aos estudos, busca por crescimento no mercado de trabalho e por
salários mais elevados, bem como a maior aceitação das uniões informais, que
fazem os jovens adiarem o casamento cada vez mais.
Sem dúvida, esses fatores sociais têm contribuído. Mas algo que as pesquisas
não mostram é a verdadeira lavagem cerebral que deu origem a tudo isso e
começa cada vez mais cedo na mente das crianças. E os principais lavandeiros
são os próprios pais — especialmente as mães. Entorpecidas pela influência de
ideias feministas, rebelando-se contra a figura masculina e quase odiando suas
vidas de mãe e esposa (muitas vezes abandonadas), muitas mães têm
inculcado em suas filhas sua própria versão deste discurso:
Estude, estude, estude! Seja alguém na vida. Tenha sua carreira.
Ganhe seu dinheiro e nunca dependa de homem. Homem é assim:
quando você menos esperar, ele a troca por outra. E aí você não vai
ter nada. Por isso, não me venha com essa história de se casar.
Casamento e filho só depois que você estiver garantida, com sua
faculdade, sua carreira e seu dinheiro. Conquiste o mundo, minha
filha, e seja feliz!
Cristiane
Este conselho que a maioria das jovens de hoje recebe de suas mães é
muito bem-intencionado. Muitas dessas mães viram suas respectivas mães
e avós fazerem o papel da boa dona de casa, dedicarem suas vidas para o
marido e filhos, aturarem muita coisa de seus companheiros — apenas para
depois serem traídas e abandonadas por eles. Por isso, as ideias feministas
ecoaram alto em seus corações quando a revolução feminista ganhou força
nos anos 60 e transformou uma geração inteira.
Não se engane: meu profundo respeito pelas vozes corajosas que se
levantaram contra a opressão e a desigualdade entre os sexos. Muitos avanços que nós, mulheres, temos hoje são graças a elas. Ainda há espaço
para melhorar, mas é inegável que a mulher desfruta de direitos, acesso,
independência e poder de realização como nunca antes na história.
Porém, toda essa liberação e empoderamento também têm produzido um
efeito inesperado: na vida pessoal, as mulheres modernas parecem estar
tão frustradas quanto suas avós. Hoje, mais do que nunca, as mulheres
estão sendo usadas, traídas e descartadas pelos homens. A única
diferença? Eles não precisam mais sustentá-las enquanto fazem isso.
E com uma agravante: na busca por essa independência, elas precisam
adiar o casamento e eventuais planos de maternidade para se dedicarem
aos estudos e à carreira. As estatísticas mostram que quanto maior o nível
acadêmico, mais tarde elas se casam. É isso o que a maioria faz hoje, até
por volta dos 30 anos.
Depois de conquistarem seu espaço, o sonho que suas mães minimizaram
começa naturalmente a se tornar muito importante para elas: o casamento.
Só que agora elas olham ao seu redor e não encontram homens
disponíveis. E os que estão, não querem nada com uma mulher na idade
delas, já que as de vinte e poucos estão disponíveis para uma aventura —
e melhor: elas não querem casar. Ótimo para eles.
Outro obstáculo que ninguém contou para as que têm interesse em
engravidar: a fertilidade da mulher começa a diminuir a partir dos 25 anos
de idade. É muito mais difícil engravidar depois dos 30; e especialmente
depois dos 35, quando 90% dos óvulos já se foram.
Aí eu lhe pergunto: quem saiu perdendo nessa “revolução”?
Não estou defendendo a volta aos anos 50 nem condenando as mulheres
que querem uma vida além do fogão, das fraldas e da máquina de lavar.
Estou chamando mães e filhas a uma reflexão.
Sei que muitas de nossas jovens leitoras cresceram sem ver muito do pai
e da mãe durante toda a infância e adolescência porque eles estavam
sempre trabalhando. Tiveram mais contato com as tias da creche do que
com a própria mãe. Sei também que essas mães se sentiam
tremendamente culpadas ao deixar seus filhos todas as manhãs aos
cuidados de estranhos para irem trabalhar. E à noite, já não tinham energia
para ser a mãe presente. Sem contar o estresse com o marido nas
discussões sem fim sobre “por que você não me ajuda mais nas tarefas da
casa?”.
Precisamos refletir e ver que, na prática, o conselho de adiar o casamento
não está funcionando para ninguém.
A maioria de nós mulheres tem o sonho de ter uma carreira e uma
família. E isso é totalmente válido — até natural. O que não está
funcionando é a ordem em que estamos sendo incentivadas a perseguir
esse sonho.
Quando você olha para as mulheres que colocaram a carreira e os estudos em primeiro lugar, quase que invariavelmente você vê um destes dois
cenários:
• Elas sacrificaram o casamento e/ou ter filhos para investirem na
carreira, ou
• Elas tiveram de interromper a carreira por volta dos 30 e poucos anos
(muitas vezes no auge dela) para, com grande luta e risco, tornarem-se
esposas, mães e cuidarem dos filhos.
Esta ordem não funciona, é antinatural e ineficiente.
Olhe, porém, para as mulheres que se casaram e se tornaram mães mais
cedo, nunca abandonaram o sonho da carreira, mas investiram mais
pesado nela depois que seus filhos já estavam encaminhados. Elas
seguiram a ordem mais natural e inteligente e hoje são realizadas. Elas são
provas vivas de que:
Você pode ter tudo o que quer, mas não tudo ao mesmo tempo
nem na ordem errada.
A proposta para as jovens é: comece a pensar sobre casamento mais
cedo, entre os 20 e 25 anos. Isso não significa que você precisa deixar de
estudar e trabalhar, pois trabalho e estudo não são incompatíveis com o
casamento. E se vocês decidirem ter filhos, planejem e reavaliem a questão
de tempo, finanças e prioridades. Se for preciso uma pausa, sua carreira
ainda estará lá, esperando por você quando estiver pronta para se dedicar
mais.
Isso não significa, é claro, que não exista mais esperança para você, que
já passou dos 35 e não recebeu essas orientações a tempo de fazer tudo na
ordem certa. Ainda que a dificuldade de encontrar um parceiro adequado
seja maior, agora você tem maturidade e informações preciosas para fazer
o relacionamento funcionar. Tenha coragem de romper com as mentiras
que lhe contaram e assumir seu sonho de ter um casamento blindado para
toda a vida. Não importa sua idade ou sua história, se decidir agir certo a
partir de agora, seus ganhos no futuro serão muito maiores do que as
perdas do passado.
E para as mães: não roubem de suas filhas o sonho de ter um marido, sua
própria família. Não minimizem esse desejo natural da mulher. Não pintem
os homens como inimigos. Quer você queira ou não, elas irão se apaixonar.
Apenas as ensinem a ter um namoro blindado, fazer as coisas certas, para
garantir a escolha de um homem que será um verdadeiro marido e parceiro
para elas.Este conselho também serve para os homens. Precisamos de uma nova
geração de jovens que sejam preparados para serem homens e não eternos
adolescentes. E se há uma coisa que contribui para a maturidade do homem é
o casamento.
Enquanto os pais criarem seus filhos com a mentalidade de
estudar, ganhar dinheiro e se divertir antes de entrar na “prisão” do
casamento, nossa sociedade só produzirá meninos com corpo de
homem.
São esses playboys que frustram os corações de moças que aceitam ficar
com eles por um pouco de carinho. E, cada vez mais, alguns estão se tornando
toyboys — o último recurso para as solteironas mais velhas que não
encontram homens de sua idade e recorrem aos mais jovens para
satisfazerem suas necessidades afetivas. (Por sinal, novamente um ótimo
negócio para eles: elas se tornam troféus com uma conta bancária para
sustentá-los.)
Mesmo que eles não sigam esse estereótipo, considere a expectativa, que a
cultura de hoje cria nos homens, de que a mulher trabalhe e ajude no
orçamento familiar. Ou seja, eles não são mais criados para sustentar a família
sozinhos. Até aí, tudo bem.
O problema começa quando, já casados, ela se vê trabalhando fora,
cuidando da casa e dos filhos, e passa a se ressentir do marido, que não
“carrega o fardo” igualmente com ela. Senão isso, quando ela quer parar de
trabalhar por um tempo para se dedicar aos filhos, o marido passa a se
ressentir dela, porque “o fardo de sustentar a casa” recai totalmente sobre ele.
Ou seja, não há mais apreciação das diferentes contribuições que cada um faz
na família. Se o homem não fizer tudo o que a mulher faz ou se a mulher não
fizer tudo o que o homem faz, não há paz nessa casa.
Bem-vindo à Era do Eu! Onde a desconfiança impera, o dinheiro é a lei e não
há mais parceria.
Saia dessa. Seja mais inteligente do que essa cultura falida. Valorize o
casamento e veja-o como a base de uma vida sólida e próspera. O segredo da
felicidade não está nas coisas materiais. A segurança não está no dinheiro. O
quanto antes você acertar a sua vida amorosa, encontrar um parceiro para a
vida e firmar uma aliança blindada com ele, maiores chances vocês terão de
serem felizes no amor e bem-sucedidos materialmente. Pense no “nós”, não
no “eu”. Muitos acabaram perdendo o amor de suas vidas porque não
quiseram se comprometer logo cedo… Depois se arrependeram.
É por isso que o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir
com a sua esposa, e os dois se tornam uma só pessoa.8
Às vezes, deixar pai e mãe significa deixar os conselhos deles que não concordam com os de Deus.
O PEDIDO DE CASAMENTO
Quando chega o momento em que vocês constroem a certeza de querer fazer
a vida juntos, é hora do pedido de casamento. Esse momento tem sido
ignorado ou tomado proporções exageradas nas últimas décadas.
Como já explicamos, muitos hoje não seguem as etapas bem definidas do
relacionamento — amizade, namoro, noivado e casamento. É tudo misturado,
sem muito planejamento ou transição. O que nunca foi amigo, agora é
namorado, que de repente é namorido. O pedido de casamento se perde
nessa confusão.
No outro extremo, temos a nova moda de pedido de casamento
cinematográfico. Na era da Internet, algumas pessoas que sentem a
necessidade de divulgar suas vidas para o mundo, planejam o pedido de
casamento como o roteiro de um filme. Um Oscar para elas, mas vamos
lembrar aqui do verdadeiro propósito por trás do pedido de casamento.
Permita-me ilustrar esta lição através do processo de conquista que Jesus
seguiu para nos pedir em casamento.
Como um homem que se apaixonou por uma mulher que nem sabia que ele
existia, a Bíblia nos conta que Deus amou o ser humano desde o início, ainda
que este O tenha ignorado consistentemente.
Um dia, Deus decidiu vir até a nossa corte, esta Terra, para que O
conhecêssemos pessoalmente. Apresentou-Se pelo nome de Jesus e nos
conquistou com Suas obras de amor. Suas palavras verdadeiras nos tocaram
profundamente. A impressão de quem O conheceu pessoalmente foi como a
de uma jovem que encontrou o amado por quem tanto esperava.
Ele nos pediu em casamento e propôs uma “nova aliança”, em que seríamos
um só com Ele. Nos ofereceu uma nova vida aqui na Terra e por toda a
eternidade. Mas não Se resumiu a palavras. Como prova de Seu amor e Suas
intenções, entregou-Se primeiro para “pagar o preço” por nós — o nosso
“dote”. Esse preço foi o sacrifício da própria vida; e prometeu que iria nos
preparar morada até que, finalmente, voltasse para nos buscar a fim de
morarmos com Ele para sempre.
Quem é cristão vive nessa expectativa, como uma noiva aguardando o noivo
e o lindo dia em que o casamento será consumado.
Enquanto isso, o mistério de como será essa vida juntos mantém a nossa fé
acesa e inabalável, resistindo fielmente a todas as tentações que o mundo nos
oferece. Temos um Noivo. Estamos comprometidos com Ele. Ele nos cortejou,
conquistou, pediu em casamento e voltará para Se casar conosco. Fomos
escolhidos por Ele. É amor de verdade.
Esse é o modelo que devemos seguir.
O pedido de casamento é esta decisão de comprometimento que o rapaz
assume pela moça e ela por ele. Essa decisão e comprometimento são o mais importante. Não importa se foram expressados com um anel de brilhantes ou
de arame, mas que foram verdadeiros. Esse pedido é, de fato, o início do
processo de casamento.
Quando eu pedi a Cristiane em casamento aos cinco meses de namoro, não
foi um momento sequer fotográfico. Não me apoiei em um joelho nem tinha
alianças numa caixinha, mas tinha meus dois pés no chão e uma certeza
inequívoca em minha mente. Eu lhe dei a minha palavra.
Foi simples, mas tão forte que ainda hoje eu me empenho para cumpri-la.
Foi essa palavra que me fez reagir quando a Cristiane disse, em meio a uma
longa briga aos 12 anos de casamento, que era melhor nos separarmos.
“Nunca mais diga isso!”, eu a repreendi. E ali começou o fim de nossos
problemas de casamento.
Se você não está preparado para esse tipo de compromisso com a pessoa
que vem namorando já há vários meses, então é hora de terminar.
Mas se você tem essa certeza em sua mente, construída não apenas por um
sentimento, e sim por um namoro blindado, então ganhe coragem e peça-a
em casamento! E você mulher, aceite! E preparem-se para um noivado
blindado!
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namoro blindado
Altelemomento mais doloroso em nosso consultório CRISTIANE E EU JÁ PERDEMOS A CONTA de quantas vezes pensamos ao aconselhar casais em nosso consultório matrimonial: "Esses dois nunca deveriam ter se casado". É duro ver duas pessoas que nunca deveriam ter...
