VOCÊS SE GOSTAM MUITO e estão se vendo cada vez com mais frequência.
O cineminha, o restaurante, a caminhada pelo shopping já não são mais
novidade. O relacionamento está intenso e vocês quase já não fazem mais
nada sem envolver o outro. Viagens juntos, planos, discussões sobre política,
religião e aquecimento global — vocês já fizeram de tudo um pouco. Até
contas um do outro já pagaram e, quem sabe, também têm ignorado todos os
nossos conselhos do capítulo anterior. Sim, vocês dormem juntos de vez em
quando, um na casa do outro.
Inevitavelmente, tudo indica que a coisa mais prática e inteligente a fazer
é... morar junto. Pagar um aluguel só, reduzir as contas, economizar no
transporte para ir e vir, se ver todos os dias… Por que não? Casamento? Mais
para frente. “A gente não precisa disso. Não é um pedaço de papel que vai
definir a nossa relação. Além do mais, não temos dinheiro para casar agora. E
também é bom morar junto antes de casar para ver se somos compatíveis. O
importante é que estamos superfelizes — mais felizes do que muitos casais de
papel passado, na verdade.”
Bem-vindo à nova norma nos relacionamentos. O que outrora era inaceitável
e desaprovado pela maioria da sociedade, agora é praticamente regra. Eu
chamo esse fenômeno de “normalização do anormal” — o processo social que,
ao longo de alguns anos ou décadas, transforma algo incomum em nova regra
de conduta.
Nos Estados Unidos, mais da metade dos casamentos são precedidos de um
período morando junto. E o Brasil, como bom seguidor cultural, está no mesmo
caminho. A motivação principal dessa prática é a crença de que morar junto
antes de casar é uma boa forma de evitar o divórcio. Mais uma crença, como
você verá, baseada em mentira.
Antigamente, essa prática rara se chamava “juntar os trapos”, se amancebar,
amasiar ou amigar — sempre um termo pejorativo. Mais recentemente, uma forma mais leve e até divertida de descrevê-la tem sido cunhada: o
“namorido”. Ele não é mais apenas um namorado, mas também não é um
marido, pois ainda não se casaram no papel. Para mim, o termo resume em si
um dos principais problemas desse arranjo conjugal: a dúvida. É namorado ou
marido?
E a dúvida é um dos maiores responsáveis por separações e relacionamentos
fracassados. É ela que gera desconfiança, incerteza, ciúme, possessividade,
contas separadas, medo de perder a pessoa amada, suspeitas, insegurança e
tantos outros comportamentos nocivos ao casal. É a própria dúvida que leva os
casais ao seguinte raciocínio: “se não der certo, a gente se separa”. E é este
“se” que fica lá no fundo dos pensamentos dos dois e se apresenta mais forte
nos momentos em que a relação está em crise.
Um casal que se casa pode ter dúvidas sobre o relacionamento também.
Sim, é claro. Mas elas não chegam nem perto das que permeiam os
pensamentos e comportamentos de quem apenas mora junto.
MORAR JUNTO E A QUALIDADE DE RELACIONAMENTO
Uma pesquisa recente mostrou que a forma de os casais tomarem decisões
pode ter um efeito duradouro na qualidade do relacionamento. Os casais que
discutiram cuidadosamente as etapas importantes no relacionamento,
especialmente aqueles que esperaram para fazer sexo e planejaram bem o
casamento, reportaram melhor qualidade e satisfação depois de casados do
que aqueles que gradualmente foram deixando as coisas acontecerem.
Não é difícil entender por quê. Uma conversa sobre ir morar junto não se
compara com meses de consideração e planejamento que normalmente fazem
parte de uma discussão sobre casamento. E isso se traduz em melhores
decisões. Somos muito mais propensos a defender e lutar por algo que
levamos muito tempo para decidir e conquistar do que por uma coisa rápida e
pouco considerada.
O casal que se conheceu, se apaixonou intensamente1 e em três meses
estava morando junto é mais propenso a considerar essa decisão um erro mais
tarde. Já o casal que namorou, noivou e se casou em dois anos diante de
dezenas de amigos e parentes, provavelmente manterá que a decisão foi
certa, mesmo muitos anos depois.
Um outro estudo da mesma autora, a professora universitária e psicóloga
Galena Rhoades, a levou a concluir:
Morar junto para testar uma relação acaba por ser associado à
maioria dos problemas nos relacionamentos. Talvez, se uma pessoa
estiver sentindo a necessidade de testar a relação, ele ou ela já
saiba algumas informações importantes sobre como o
relacionamento pode desenrolar ao longo do tempo.Ou seja, a pessoa tem dúvidas baseadas em fatos do relacionamento que ela
já sabe que poderão ser problemáticos lá na frente. O estudo também concluiu
que:
Os casais que moraram junto antes de se casar têm uma
probabilidade maior de se divorciar do que os que aguardaram até
o casamento.
A conclusão, por sinal, é consistente com vários outros estudos semelhantes.
Mais uma vez, a crença popular é desmentida pelos fatos.
Mas o que acontece quando o casal decide “namoridar”, que pode ser tão
nocivo para o casamento depois?
Uma coisa é o efeito “como chegamos aqui?” — o momento na relação em
que o casal se dá conta de que não considerou bem as decisões importantes
da relação. Elas simplesmente “aconteceram”. De repente se conheceram, de
repente fizeram sexo, de repente estavam morando juntos, de repente ela
engravidou, de repente se casaram. Não houve planejamento nem
necessariamente uma conversa para decidir ou discutir eventos importantes na
relação. Isso pode fazer com que um ou os dois mais tarde se sintam como se
tivessem sido enganados e amarrados a uma situação que não queriam: o
casamento. Especialmente com aquela pessoa.
A partir dessa percepção, o sentimento básico é de frustração. E essa
frustração contamina todos os comportamentos do casal na relação. É como
assinar um contrato de celular porque a despesa inicial e as prestações eram
baratas, mas depois se sentir amarrado por dois anos ou mais com um
aparelho ultrapassado e um serviço ruim. Se fosse fácil, você cancelaria aquele
contrato sem pensar duas vezes. Mas o custo é muito mais alto para cancelar,
então, relutantemente, você fica, mas odiando aquela situação a cada
momento. É exatamente assim que muitos namoridos se sentem.
Outro efeito negativo provém das diferentes expectativas e motivações entre
o casal. A mulher normalmente vê o morar junto como um passo para o
casamento. Raramente ela se acomoda nessa condição, ao contrário, sempre
espera que, mais cedo ou mais tarde, ele venha pedi-la em casamento. Morar
junto para ela é uma forma de garantir que outra não tomará o seu lugar na
vida dele.
Já o homem costuma ver o morar junto como uma conveniência: sexo
quando quiser, dividir as contas e alguém para cuidar das roupas e da comida
dele. Por isso, não vê necessidade alguma de casar, já que desfruta de todas
as conveniências de um casamento — sem a necessidade de assinar nada nem
gastar com cerimônia e festa cara.
Essas diferenças geram tensões inevitáveis e vão desgastando a relação.
Isso porque enquanto ela vê nele um marido, ele vê nela apenas uma
namorada com benefícios. A mensagem emitida por essa hesitação em atar o nó é de que os dois permanecem “disponíveis no mercado”, ou seja, o senso
de que se aparecer alguém mais interessante, o outro poderá ser trocado (por
isso o nível de infidelidade entre namoridos é maior que entre casais casados).
Se eles chegam a se casar, o relacionamento muitas vezes já está cansado e
machucado por várias desavenças anteriores.
Cristiane
Considere este cenário. Digamos que o namorado está louco para ter
relações sexuais com a namorada, mas ela não cede porque quer esperar
até o casamento. De repente, ele vê que há grande benefício em se casar.
Finalmente a terá toda para si. Vai morar com ela, passar os dias e as
noites com ela, viajar com ela, será cuidado, terá roupa, comida e casa
bem administradas... Então, vê que faz todo sentido ser casado.
Mas, se ela vai logo morar junto com ele e começa a agir como esposa,
de repente, o casamento pode parecer um mau negócio. Ele vai se casar e
receber em troca nada além do que já tem. Só os gastos do casório, na
verdade.
Logo, se uma mulher realmente quer um homem interessado em se
casar, deve deixá-lo ver que há certos benefícios que só virão com o
casamento. Aí, sim, ele vai focar no lado positivo, no que vai ganhar ao
casar e não no que vai ter de abrir mão. Falando assim, pode parecer que
exigir casamento antes de ir morar junto é chantagem, mas a verdade é
que o casamento é o cenário natural, exclusivo, que o sexo exige para ser
um ato de amor verdadeiro.
É o que o Renato costuma explicar através da analogia da vaquinha.
No passado, para se beber leite era necessário possuir uma vaca. Você tinha
de comprar a vaca, dar pasto para ela, um curral, limpar o cocô da vaca (que
não era pouco), cuidar bem da saúde dela — e no final, ainda tinha de tirar o
leite para beber. Hoje não. Você só abre a geladeira e toma. Quem, em sã
consciência, compraria hoje uma vaca para poder beber leite?
Da mesma forma, antigamente havia um “custo” para o homem levar a
mulher para casa e fazer sexo com ela. Ele tinha de conseguir a permissão dos
pais para namorá-la, conquistar o amor dela, pedir a mão dela em casamento,
preparar uma casa para morar com ela, casar com ela — e só então vinham as
alegrias das núpcias. E depois tinha de continuar casado com ela até a morte.
É difícil entender por que muitos homens hoje não querem casar? Por que
comprar a vaca quando podem beber leite de graça?
Não, não estou chamando ninguém de vaca. Isso é apenas uma analogia
para estimular a pensar. Todo mundo quer algo em troca. Você também,
mulher, quer certas coisas do homem que ele só pode oferecer quando for seu marido. Você ganha também. Não sejamos fingidos. Por isso:
Morar junto é um passo mais longe, não mais perto do
casamento.
Eu sei que muitas mulheres modernas temem ser tachadas de antiquadas e
moralistas se insistirem em se guardar para o casamento. Esse medo, somado
ao outro, de perder o namorado se ela não ceder, faz com que ela baixe seu
valor em nome da modernidade. Mas isso é apenas um reflexo de quão pouco
elas entendem o raciocínio masculino. Antes de fazer qualquer coisa, o homem
quer saber o que vai ganhar com isso.
E quanto à experiência que se ganha na convivência?
As pesquisas mostram que toda aquela “experiência” de morar junto pode
levar péssimos hábitos para o casamento.
Casais que moram junto costumam ter deficiências nas habilidades de
resolver conflitos. São menos predispostos a se sacrificar um pelo outro e a
demonstrar apoio quando o outro precisa. Isso se deve à mentalidade de
solteiro que se mantém, ainda que parcialmente, no entendimento de um ou
ambos. E essa dificuldade de dar e receber apoio pode levar o casal a táticas
manipuladoras para conseguir o que querem um do outro. Por exemplo, o
namorido pode ter o costume de sair no fim de semana com os amigos, como
sempre fez antes de ir morar junto. Ela, na intenção de provocar ciúme nele,
decide sair com as amigas para curtir uma balada. A atitude acaba gerando
outros conflitos no relacionamento, como desconfiança e ressentimento.
Quando o casal finalmente decide atar o nó, esses maus hábitos de lidar com
conflitos são levados para o casamento. A comunicação entre eles é pobre e,
por isso, dificilmente conseguem resolver conflitos satisfatoriamente. Ou seja,
morar junto os ensinou maneiras erradas de lidar com as dificuldades da vida
a dois.
Poucas crenças têm crescido tanto atualmente, mas sem nenhuma prova que
dê respaldo, como a crença de que morar junto antes de casar é bom para o
relacionamento.
É claro que você pode encontrar casais que moram juntos e não são casados,
ou moraram juntos antes de se casarem, e que, aparentemente, são muito
felizes. (Note aqui o “aparentemente”. Só eles mesmos sabem a realidade e a
qualidade do relacionamento. Longevidade também é outro teste importante.)
Não estamos descartando essa possibilidade. O que estamos dizendo é que as
provas mostram que as chances de dar certo são bem menores do que de dar
errado.
Façam o que fizerem, nunca, jamais morem junto, a não ser que se casem.
Se vocês estão namorando ou noivos e a vontade de fazer sexo e morar
junto é muito forte, vocês só têm uma de duas soluções: ou vocês esperam ou
se casam.Mas, se vocês não podem dominar o desejo sexual, então casem,
pois é melhor casar do que ficar queimando de desejo.2
Se vocês não podem casar ainda, então vamos ver como podem dominar
esse desejo.
SEXO: RESISTINDO À TENTAÇÃO
Um rabino participava de um talk show de televisão na Austrália quando
recebeu uma ligação de um jovem chamado Brian, de vinte e cinco anos. O
jovem disse que amava muito sua namorada, mas estava frustrado porque ela
não entendia que ele era “viciado em sexo”. Brian sentia que “precisava”
dormir com outras mulheres, mas a namorada não aceitava. O rabino
perguntou a Brian se ele já tinha sentido desejo de ter relações sexuais com
sua mãe ou irmã. “É claro que não”, ele respondeu. O rabino então fez um
teste:
— Brian, imagine que você está em um barzinho, flertando com uma mulher
linda na outra ponta do balcão.
— Ok.
— De repente, o namorado dela aparece: um lutador de UFC alto, forte, com
cara de mau e segurando um facão. Você ainda continuaria dando em cima
dela?
Depois de uma pausa, Brian admitiu:
— Provavelmente eu não arriscaria.
— Senhor Todo-Poderoso! — exclamou o rabino — É um milagre! Você está
curado do seu vício! Parabéns. Agora vá para casa e volte para sua namorada,
se ela ainda o aceita.
Aqui vai um poderoso fato que você precisa internalizar:
Não é possível fazer sexo toda vez que você sente vontade.
A primeira vez que você sentiu vontade de fazer sexo foi na puberdade,
quando descobriu que seu aparelho de fazer xixi também servia para outra
coisa muito mais prazerosa. Desde aquela descoberta até a morte, você
sentirá desejo sexual milhares de vezes, especialmente quando estiver
namorando, o que é totalmente normal. Porém, sentir desejo não quer dizer
que sempre poderá satisfazê-lo — mesmo quando for casado. E que bom por
isso. Imagine se fosse possível, a qualquer hora que desse vontade, ter
relação sexual com alguém… A sociedade simplesmente entraria em colapso.
E caras como Brian virariam carne moída nas mãos de algum namorado
violento.
Mas, como Brian descobriu, junto com nosso desejo sexual, Deus nos deu
autocontrole. E ainda que uma pessoa se ache viciada em sexo, ela pode se
controlar quando quiser — ou dadas as circunstâncias apropriadas.É um insulto muito grande o que é ensinado nos filmes, livros, escolas, pela
cultura popular e até por muitos médicos: que não dá para controlar nossos
impulsos sexuais e, portanto, é melhor promover a masturbação e a
camisinha. É como se fôssemos um bando de animais movidos apenas por
nossos instintos. Doenças sexualmente transmissíveis3 estão se alastrando
como nunca e arrasando a vida sexual de muitos jovens, alguns para sempre.
Isso porque não são ensinados que a camisinha não protege cem por cento
contra doenças. Não aprendem que os dois tipos de sexo mais seguros são:
aquele que você não tem e aquele que é feito entre dois parceiros saudáveis e
exclusivos (como no casamento).
Quando vocês se casarem, também terão de resistir às tentações sexuais
fora do casamento. Sim, mesmo pessoas casadas são tentadas quando
encontram alguém sexualmente atraente, especialmente o homem. Mas se ele
não aprendeu a se controlar no namoro, como de repente terá o domínio
próprio para se controlar numa situação de tentação por outra mulher,
digamos, no trabalho?
Imagine que você se casa com seu namorado e um dia descobre que ele fez
sexo com uma mulher no trabalho porque “não conseguiu” se controlar? Se
isso é totalmente inaceitável no casamento, por que aceitamos a falta de
controle no namoro?
“Não consigo me controlar”, na verdade, é uma desculpa idiota. Se
conseguimos nos controlar quando dirigimos um carro ou quando usamos
algum equipamento perigoso, então conseguimos nos controlar para não fazer
sexo, mesmo quando sentimos vontade.
A ideia de que não podemos controlar nossos hormônios, que quando nosso
corpo pede sexo temos de lhe obedecer, é pura falta de responsabilidade. É
claro que a tentação é grande, mas também somos tentados com a preguiça e
o egoísmo, por exemplo. Mesmo assim, não ficamos na cama o dia todo nem
agimos como idiotas, colocando nossas necessidades à frente das dos outros.
Você não cede a essas coisas. Então por que aceitar a ideia de que você não
tem nenhum controle sobre seus desejos sexuais?
A tentação sempre vai existir, e não há como eliminá-la. Mas você pode fazer
coisas para não cair, bem como diminuir as oportunidades de tentação.
Há duas maneiras de resistir. Uma é controlar a sua vontade por força
própria, por exemplo: “Eu quero, mas não vou fazer isso”. Porém, não
podemos confiar que sempre teremos esse autocontrole. Por isso, a outra
maneira é colocar limites para que vocês fiquem impossibilitados de dar vazão
à sua vontade, mesmo que queiram. Ou seja, vocês criam circunstâncias
inibidoras e de prevenção.
F.I.D.E.L.L.I.
Aqui vão sete pontos aos quais você deve atentar em relação a isso:
Frear. Quando um está avançando todos os sinais e passando dos limites,cabe ao outro ser o freio. E a mulher normalmente tem mais condições de
frear o homem do que vice-versa, pois ela demora mais do que ele para
chegar ao limite. Use esse poder, mulher. Não tenha medo de ele ficar
chateado com você. Depois, ele reconhecerá o seu valor e ficará grato por
isso. E não use carícias sexuais como forma de apaziguar os ânimos depois de
uma briga ou por gratidão por ele ter feito um grande favor a você.
Um “obrigado” basta! Aliás, o que pensar de um cara que espera sexo em
troca de algum favor?
Da mesma forma, se você é um homem sério e sua namorada fica se
esfregando em você, mesmo quando você puxa o freio, saia fora enquanto há
tempo. Ela está mostrando que não serve para você.
Instigar. Se vocês provocarem um ao outro com conversas sensuais ou
toques e contatos sedutores, obviamente cairão em tentação. Por exemplo,
alguém nos perguntou se “beijo de língua pode” no namoro. Não há uma lei
contra isso, mas de modo geral, não é sábio começar o que vocês não poderão
terminar. Portanto, se uma coisa leva à outra e você não quer essa outra,
melhor não começar aquela uma coisa.
Distrair. Sexo pode ser visto como uma distração — e entre solteiros, uma
enorme distração. É difícil até pensar em outra coisa quando estão juntos. Mas
é possível substituir essa distração por outras. Tirem o foco do sexo e coloque-
o em outras coisas e atividades proveitosas e divertidas. Um passeio de
bicicleta, uma tarde de aventura juntos na cozinha preparando um lanche para
os dois, uma caminhada com direito a um sorvete, um jogo de perguntas… As
opções são ilimitadas. Vocês irão gastar as energias, aliviar a tensão, se
divertir e conhecer um ao outro muito mais.
Evitar. A sociedade sensualizada de hoje significa que há alusão ao sexo
praticamente em tudo. É difícil, mas vocês devem consumir o mínimo de
conteúdo que provoque suas tensões sexuais — como filmes picantes, por
exemplo. Mensagens insinuantes, músicas sugestivas, roupas sensuais, longas
conversas telefônicas ou pelo WhatsApp tarde da noite enquanto cada um está
em sua cama, são coisas que inevitavelmente afunilarão para o sexo.
Lugar. Este é um dos pontos mais importantes: não fiquem a sós em casa,
no quarto ou qualquer outro lugar. Namorar em lugar público ou sempre com
pessoas por perto com certeza inibirá qualquer tentativa de partir para o físico
— a não ser que vocês estejam em um lugar favorável à pegação, como uma
balada. Lembre-se de que namoro não é para despir o corpo, e sim para despir
a alma, a mente e o espírito. Escolham bem os lugares onde vão passar tempo
juntos.
Limites. Limites existem em todo lugar para nos proteger de ferir a nós
mesmos e a outros, como o limite de velocidade nas estradas, por exemplo.
Quando vocês colocam certos limites, estão mostrando grande respeito e
cuidado um com o outro. Algumas partes do corpo da outra pessoa, por
exemplo (especialmente aquelas que você não tem no seu), devem estar fora do seu alcance. Sexo não é apenas quando há relação sexual total, mas
também carícias sexuais como toques nas partes íntimas, sexo oral e
esfregação. Não se engane. Respeitar esse limite é um sinal fundamental de
sua capacidade de respeitar o outro em outras coisas também. Talvez você
pense em maneiras de burlar esses limites e levar sua namorada para a cama
ou pedir certas carícias, mas além de uma falha de caráter, isso é uma forma
de engano e roubo. E se ela realmente se apaixonar por você e interpretar o
sexo como um sinal de seu amor verdadeiro? Quando ela descobrir a verdade,
se sentirá completamente traída. Você terá roubado dela o seu bem mais
precioso: seu coração. Imponham e respeitem os limites.
Interesse. Fique atento à possibilidade do sexo se tornar o interesse
principal entre vocês ou até mesmo uma obsessão. No caminho de satisfazer
suas necessidades ou desejos egoístas, ela pode usar o sexo como forma de
prender o rapaz, para se sentir amada ou até mesmo engravidar. Por sinal,
basta ver o número crescente de mães solteiras para entender que filho não
segura namorado. Não caia nessa. Ele, por sua vez, pode insistir em pedir a
famosa “prova de amor” ou favores sexuais em troca de algo que ele fez. Se
ele fizer isso, diga que você vê o sexo como um prêmio que espera por vocês
na noite de núpcias. Explique que você está pronta para entregar esse prêmio
a ele logo após um “sim” e uma aliança de casamento no altar para firmar o
compromisso de amor com você por toda a vida. Ao dizer isso, uma destas três
coisas irá acontecer:
a. Ele vai ficar roxo de raiva e explodir em mil pedaços diante dos seus olhos.
b. Ele vai correr de você mais rápido que um corredor jamaicano, sem olhar
para trás.
c. Ele vai respeitá-la muito mais por sua atitude e dizer que está preparado
para esperar.
Seja qual for a reação dele, você saberá que tipo de homem ele é e se está
interessado em você ou em seu corpo.
Guarde o acrônimo desses sete pontos: FIDELLI. Praticando esses
conselhos, vocês conseguirão permanecer fiéis um ao outro, a si mesmos e a
Deus.
A verdade é que não há razão alguma, salvo por motivos egoístas, para fazer
sexo antes de casar. Pense comigo.
Se vocês querem fazer sexo, então é simples: casem-se! Porém, se vocês
dizem “Ah, mas não nos conhecemos bem ainda, não estamos prontos para
casar...”, então por que raios você iria fazer sexo com alguém que ainda não
conhece bem ou que diz que não está pronto para casar com você?
Cristiane
“Mas a carne é fraca”, muitos dizem. “É difícil resistir”. Como sempre, as
pessoas tiram algo do contexto bíblico para se desculpar por suas
fraquezas. De fato, Jesus disse que a carne é fraca. Mas o sentido não é
que essa fraqueza justifica nossos erros. Veja o versículo por inteiro:
Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está
pronto, mas a carne é fraca.4
Ele deu a dica: fortaleça o seu espírito através da inteligência (vigiar, ser
prudente) e da fé (orar) para vencer as fraquezas da carne. O espírito está
pronto para vencer as tentações, mas você tem que escolher usar essa
força espiritual acima de dar vazão aos seus desejos.
AS PERIGOSAS VÁLVULAS DE ESCAPE
Todo esse esforço para se controlar quando estão juntos pode resultar em um
sentimento muito forte de encontrar uma válvula de escape para a tensão
sexual. É aí que a masturbação e a pornografia se apresentam como
alternativa. “Esperem aí! Não vão me dizer que eu não posso fazer o que
quiser com o meu corpo. Não estou prejudicando ninguém!” Na verdade, você
está. Deixe-me explicar.
É claro que você é livre para fazer o que quiser com o seu corpo. Mas isso
não quer dizer que ficará livre das consequências do que fizer. E quais as
possíveis consequências de ver pornografia e se masturbar?
Apesar de alguns advogarem por essa prática a título de “conhecer o seu
corpo” e aliviar a tensão, um crescente corpo de especialistas em compulsões
sexuais têm alertado as pessoas sobre os perigos dos vícios sexuais.
Deixe-me esclarecer, primeiro, que é normal durante a transição da infância
para a puberdade a criança reagir naturalmente aos novos impulsos sexuais
que ela descobre em seu corpo. A curiosidade e as próprias reações físicas ao
sexo oposto podem levar o jovem a explorar o seu corpo e descobrir nisso o
prazer. Isso não significa que é normal ou saudável o jovem fazer disso um
vício nem se tornar dependente da masturbação como uma forma de escape
ou recreação.
Atualmente a maioria dos jovens está descobrindo a sexualidade
precocemente através da pornografia. E muitos adultos também estão
acessando esse conteúdo na Internet sem muita moderação. Estudos já
demonstraram que os efeitos em nosso cérebro de assistir a pornografia de
forma prolongada são semelhantes aos do uso de drogas como cocaína. Como
a prática é altamente viciante, muitos jovens e adultos têm reportado
distúrbios sexuais, entre eles vício de sexo e impotência sexual. Antes da
Internet, era raro encontrar homens abaixo de 40 anos de idade que sofriam com impotência. Hoje, alguns estudos já reportam que:
4 a cada 10 homens com impotência têm entre 18 e 40 anos
3 a cada 10 jovens entre 18 e 24 anos sofrem com impotência
Não é difícil de entender por que a masturbação e a pornografia têm um
efeito tão entorpecente. Quando o cara gasta a maior parte de suas
ejaculações se masturbando diante de imagens pornôs, com intermináveis
cenas e personagens estimulantes, o que tende a acontecer em longo prazo?
Ele vai achar sua parceira no mundo real bem menos estimulante do que
aquelas personagens virtuais desfilando em sua mente. Em outras palavras, a
explosão da pornografia digital tem feito muitos homens se desligarem de
suas parceiras reais. E mesmo quando as procuram para um encontro sexual,
querem sujeitá-las às mesmas experiências das personagens virtuais.
Infelizmente, muitas mulheres também têm entrado e se viciado nessa
prática altamente solitária e prejudicial para sua saúde mental e sexual.
Prejudicial, porque a masturbação e a pornografia não lhe ensinam nada sobre
sexo. O que a pornografia ensina, basicamente, é que a mulher é um objeto
de prazer do homem. E o que a masturbação frequente lhe ensina é se
acostumar a um certo toque de sua mão para lhe dar prazer. Uma vez
habituado a essa sensação, será muito mais difícil ter um orgasmo com uma
outra pessoa.
Portanto, ambas as práticas são prejudiciais não somente a você, mas
também a seu futuro marido ou esposa.
Cristiane e eu recebemos inúmeros e-mails de esposas e maridos que vivem
o drama dos efeitos da pornografia e masturbação em seus casamentos. Veja
a situação da Larissa, que nos escreveu:
Namorei à distância com meu marido por quase dois anos e,
depois de nove meses de noivado, nos casamos. Quando
namorávamos, houve um episódio em que liguei pra ele e ouvi voz
de mulher. Depois de insistir, ele me confessou que estava vendo
filme erótico. Eu disse que não aceitava aquilo e ele alegou que era
coisa de homem, mas me prometeu que não o faria mais.
Meses depois de casados descobri por acaso que ele continuava
vendo esses vídeos. Fiquei sem chão, porque havia confiado na
palavra dele. Briguei, chorei, reclamei e disse novamente que
aquilo era inaceitável. Ele disse que não sabia que eu ficaria tão
chateada, apesar de eu já ter falado no namoro. Depois de um
tempo, voltei a confiar e, novamente, devido a alguns hábitos
estranhos, como não querer que eu mexesse no computador ou
celular dele, resolvi procurar e descobri que ele, mais uma vez,
havia mentido.
Dessa vez conversei calmamente com ele, quis saber porque ele
havia mentido para mim e então me disse estar viciado nisso desde
a adolescência, que queria mudar, mas não tinha forças. Me deu as
senhas das redes sociais e consentiu que eu instalasse um
programa no computador dele para rastrear os sites que ele
visitava. Daí, vez ou outra, eu tocava no assunto para ver como ele
estava. Me obriguei a querer ajudá-lo. Até que um dia percebi que
ele estava acessando pornografia de modo anônimo no celular e
computador. Não quis acreditar. Coloquei-o contra a parede. De
início ele dizia que eu estava maluca, que não estava fazendo nada
de errado, e isso olhando nos meus olhos. De tanto eu insistir, ele
acabou confessando. Foi a gota d’água. Eu só chorava. Tirei a
aliança, passei a dormir no quarto de hóspedes, evitava-o ao
máximo. Ele prometeu que aquela seria a última vez que aquilo
aconteceria, pediu perdão, fazia de tudo para me agradar e eu
simplesmente não me importava.
Agora, depois de pouco mais de um ano de casados, ainda não
confio plenamente nele. Na verdade, fico esperando um erro dele
para pedir a separação. Não há mais confiança da minha parte.
Toda vez que eu tento, me lembro de todas as vezes que ele
mentiu.
A situação de Larissa é muito típica, com variações de falta de interesse
sexual por parte do marido e exigências que a esposa faça certas coisas que
ela se sente constrangida em fazer na cama, mas a que muitas vezes se
submete por medo do marido “procurar outra lá fora” que faça.
O erro de Larissa foi não ter consciência da seriedade do problema quando
ela o descobriu ainda no namoro. Dependendo do grau daquele vício, um
simples “me desculpe, não vou fazer de novo” não basta. A pessoa tem que
buscar ajuda para se libertar totalmente daquela dependência. Se seu
namorado ou namorada tem um vício sexual, você deve encarar isso como um
vício de droga. Você se casaria com alguém se soubesse que essa pessoa tem
vício em cocaína? Só se você quisesse sofrer.
Só se case com alguém que é viciado em pornografia se você
quiser ser sexualmente frustrada depois de casar.
O certo é suspender o casamento e colocar uma condição de que a pessoa
assuma seu problema, busque ajuda e dê provas de que o superou. Somente
aí, com muita cautela, você pode voltar a considerar o casamento. E se houver
resistência do outro em fazer o necessário para se libertar, a única opção inteligente é terminar o relacionamento.
Por isso, em algum momento, você tem de perguntar ao seu namorado, na
lata, se ele vê pornografia. Se ele titubear na resposta ou tentar enrolá-la
dizendo que não vê nenhum problema nisso, que é coisa de homem etc.,
coloque em questão esse relacionamento. Lembre-se das mentiras do marido
de Larissa. Todo viciado é especialista em mentir. Mente tão bem que acredita
nas próprias mentiras e fica com raiva de quem não acredita nele.
Fique atenta aos sinais de que a pessoa pode ser viciada em pornografia e,
consequentemente, masturbação. Entre eles:
É evasiva quando você toca no assunto.
Defende a prática como normal.
Diz que não vê problemas “para quem gosta”.
Tem sites de sexo marcados no navegador de Internet que visita
regularmente.
Costuma apagar o histórico do computador ou celular — total ou
parcialmente.
Usa palavras de conotação sexual em ferramenta de busca na Internet.
Reage de forma estranha tentando esconder o computador ou o celular
quando alguém chega de repente.
Costuma ficar online a altas horas da noite sem razão aparente.
Tem perfil, e-mail ou nomes de usuário falsos na Internet ou que nunca
compartilhou com você.
Usa a Internet ou aplicativos em modo privado ou anônimo.
Faz comentários insinuantes para você ou outras pessoas do sexo oposto
(que você vem a descobrir depois).
Demonstra nervosismo, ansiedade ou sintomas de depressão sem razão
aparente.
Se seu namorado ou namorada demonstra algum desses sinais, atente para
isso e não tenha medo de confrontar o comportamento. Se por acaso você
mesmo tem esse problema, busque ajuda conforme indicamos no Capítulo 3,
páginas 51 e 52. Do contrário, seu vício de pornografia e masturbação poderá
lhe custar muito caro lá na frente.
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namoro blindado
Randommomento mais doloroso em nosso consultório CRISTIANE E EU JÁ PERDEMOS A CONTA de quantas vezes pensamos ao aconselhar casais em nosso consultório matrimonial: "Esses dois nunca deveriam ter se casado". É duro ver duas pessoas que nunca deveriam ter...
