Capítulo 13- PUXANDO a FICHA

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SE VOCÊ JÁ ASSISTIU A FILMES de espionagem, à la 007 ou Missão
Impossível, vai se lembrar dessa típica cena, presente em quase todos os
enredos. Um oficial da agência central de inteligência do serviço secreto
convoca o espião herói para lhe dar sua missão. Ele recebe uma pasta,
normalmente com a frase “TOP SECRET” marcada na capa em vermelho, em
letras grandes (alguém realmente espera que aquela marca fará algum curioso
pensar “Oh, isso é um segredo, não vou olhar”?). Dentro, a ficha completa da
pessoa de interesse, alvo do serviço secreto, que o espião olha e,
magicamente, decora em segundos todos os dados que estão ali, sem ao
menos folhear a pasta. Corta para o herói já em outra parte do mundo, no
encalço do seu alvo.
Espionagem é ilegal, mas muitos países a praticam como forma de defesa
contra inimigos reais ou potenciais. Não é difícil de entender a lógica dessa
prática: sem inteligência sobre o seu inimigo, é praticamente impossível se
defender dele. Até Deus orientou Moisés a enviar espias à Terra Prometida
antes de conquistá-la1. Conhecimento nos dá poder.
Não estamos sugerindo aqui que você faça nada ilegal nem que seu futuro
namorado seja um inimigo. A questão é entender a importância de colher o
máximo de informações sobre uma pessoa antes e durante o namoro para
você não entrar numa fria. Acredite, isso nunca foi tão importante quanto
atualmente.
Em um mundo cada vez mais populoso, onde pessoas mal se conhecem e
podem facilmente ser quem quiserem por trás de uma tela eletrônica, saber o
máximo possível sobre um candidato a namoro é questão de sobrevivência. A
pessoa poderá vir a ser um ótimo cônjuge ou seu pior pesadelo. Você não
pode arriscar sua vida deixando que seu coração goste e se entregue a alguém
antes de sua cabeça puxar e aprovar a ficha da pessoa.
Infelizmente, a maioria das pessoas não tem tido esse cuidado. E a razão é que muitos relacionamentos hoje
começam de baixo para cima.
Primeiro, os dois procuram a atração
física e Muitas vezes logo partem para o
beijo, abraço, pegação… e pode até
rolar sexo. Depois, pode ser que nasça
um sentimento mais afetivo, um
gostar; o casal passa a se ver mais
regularmente — e a pegação continua,
é claro. Em um terceiro estágio, o
relacionamento chega na mente — e,
quase sempre, alguém descobre a
burrada que fez. Aí a relação acaba ou
entra em crise por problemas que não
foram vistos antes. Quer dizer, começa pelo sexo ou relacionamento físico,
sobe para o coração (sentimento) e só aí chega na razão — quase sempre
tarde demais.
O inteligente é começar o
relacionamento de cima para baixo.
Primeiro, o casal usa a inteligência, a
mente, para identificar e conhecer uma
pessoa compatível. Se a cabeça
aprovar as informações, ela dá
permissão ao coração para começar a
gostar da pessoa. Se tudo desenvolve
bem, eles passam para o terceiro
estágio: se casam e aí se entregam de
corpo, alma e espírito.
Puxar a ficha da pessoa é começar o
relacionamento de cima para baixo,
com inteligência e visão ao invés de
burrice e cegueira. Assim, você prepara a blindagem do namoro desde o início
— na verdade, antes mesmo de começá-lo.
AS MOTIVAÇÕES
Antes de começar um relacionamento, é muito importante avaliar as reais
motivações da outra pessoa e também as suas. As razões por que uma pessoa
quer entrar em um relacionamento são cruciais para determinar o futuro dele.
Se essas razões forem erradas, o relacionamento será desastroso, ainda que
comece maravilhosamente bem.
Responda com honestidade: por que você quer namorar aquela pessoa? Ela é
um ticket para você sair da casa dos seus pais? Conquistá-la seria um troféu
para exibir aos seus amigos? Você quer provar para o seu ex que você também já está em outra? Você sempre fantasiou levar uma mulher como
aquela para a cama? A sua idade está pesando e você precisa casar antes dos
30, 35 ou 40?
Avalie bem suas reais motivações. O coração é muito enganoso e mentiroso.
Você pode até dizer as palavras certas, que gostou daquela pessoa, quer fazê-
la feliz etc. —, mas no fundo seus lábios podem apenas estar sendo reféns do
seu coração. Ou pior: já pensou se você é sincero e verdadeiro, mas a outra
pessoa tem as motivações erradas? Você tem que testar as motivações da
outra pessoa e manter os olhos bem abertos antes e durante o namoro, pois
elas nem sempre são aparentes.
Por isso, não tenha medo de perguntar as coisas. Pergunte sim, e pergunte
muito! — E desconfie se pessoa se incomodar com suas perguntas.
Namorar é compartilhar pensamentos. Vocês têm que descobrir
as intenções, ideias e vontades um do outro e ver se poderão
conviver com elas no casamento.
É claro, talvez não pergunte tudo no primeiro encontro, mas se vocês já
passaram do terceiro mês de namoro e ainda não fizeram nem responderam
às perguntas mais difíceis um sobre o outro, então não estão praticando um
namoro blindado.
Você tem que saber tudo e mais um pouco sobre aquela pessoa. Por
exemplo:
Qual o seu nome? Esse é o seu nome verdadeiro? Posso ver seu
RG? Foi seu pai ou sua mãe que lhe deu esse nome? Você conheceu
o seu pai? Ele conheceu o pai dele? Seu pai ainda está casado com
sua mãe? Ah, ele é falecido? Sua mãe foi descartada como suspeita
na morte dele?
Qual o relacionamento que sua mãe tinha com suas ex-namoradas?
Eu preciso colocar um spray de pimenta na minha bolsa quando for
visitá-la? Por que seu último relacionamento terminou? Foi você
quem terminou ou foi sua ex? O que você entende por “terminou”?
Se eu olhar seu celular, vou encontrar mensagens dela dizendo que
está com “saudades dos velhos tempos”?
Como é o seu relacionamento com o seu celular? Você acredita em
privacidade no casamento ou em transparência total? O serviço é
com ou sem contrato? Se é com contrato, você paga a conta em
dia? Você tem dívidas? Se você morrer amanhã, você tem onde cair
morto ou seus amigos do Facebook terão de fazer uma vaquinha
para te enterrar?Você acredita em vida após a morte? E em vida além do sofá e do
controle remoto? Você acredita em Deus ou é pagão? Você sacrifica
animais às sextas-feiras à meia-noite? Devo me preocupar se nós
tivermos um cachorrinho?
Você gosta de animais? Que tipo de animais? Você acredita que
animais devem ter a própria cama ou dividir a cama com você?
Você conseguiria viver sem um animal de estimação? E filhos? Você
quer ter um, nenhum, dois ou um por ano até parar de ovular? Você
acredita em deixar o trabalho para criar os filhos ou em trabalhar
mais para pagar uma babá? E se a babá for um pouquinho bonita,
só um pouquinho — você vai ficar com ciúmes de mim? Você é
muito ciumenta? O que você faz quando está com ciúmes? Você
chora, vai embora ou atira as coisas? Eu posso olhar para os lados
quando estou ao seu lado no shopping ou dirigindo? Devo comprar
uma viseira?
Os seus olhos são verdes mesmo ou são lentes de contato? E esse
cabelo é seu? Quando você acorda de manhã, você tem essa cara
mesmo? Posso ver você sem maquiagem no próximo encontro?
Você escova os dentes quantas vezes ao dia? Você toma banho
pela manhã ou à noite? Você se dá bem com água e sabão? Você
acredita em ficar uns dias sem tomar banho no inverno? Água e
sabão lhe dão vontade de se masturbar?
Você é viciado em pornografia? Você acha que pornografia
apimenta a relação ou é pimenta nos olhos da mulher?
Ok, humor à parte, essas perguntas não são um exagero. Na verdade, essa é
a versão curta. Eu nem mencionei que você deve fazer uma busca no Google e
nas redes sociais com o nome da pessoa e ver o que aparece… Nunca se sabe.
Sim, ao longo do namoro, você tem de perguntar tudo, saber tudo — e
também responder a todas as perguntas que o outro fizer a você. E se não
passou pela cabeça dele ou dela perguntar algo que você sabe que é
importante, você deve se adiantar e revelar o que precisa ser revelado. Nada
de surpresas depois do casamento.
E depois de ouvir as respostas, o seu trabalho não acabou. Não confie em
tudo o que ouviu. Você terá de seguir o conselho de Ronald Reagan:
Confie, mas verifique.
Se o que você ouviu não bate com o que outras pessoas dizem a respeito ou
com o comportamento do seu pretendente, melhor não prosseguir.
CRITÉRIOS FÚTEIS
Ao avaliar uma pessoa para um possível relacionamento, você não deve
perder de vista o que realmente importa. Em uma de nossas aulas presenciais
da Escola do Amor, conhecemos um casal com uma história bem típica.
Renata, quando solteira, idealizava um namorado alto, moreno, de olhos azuis
e com voz de veludo. Não nos surpreendeu saber que continuou solteira até
aos 37 anos, quando encontrou o Paulo, que tinha olhos castanhos, era da
altura dela, calvo, branco e com voz típica de jogador de futebol (daquelas que
não têm nada a ver com a aparência).
Ele a convidou para fazer a Caminhada do Amor2. A primeira reação de
Renata foi a de sempre: rejeição. E disse na cara dele: “Você não é o meu
tipo”. Ainda bem que a essa altura, Renata já estava aprendendo o amor
inteligente através da Escola do Amor, o que fez com que ela repensasse suas
idealizações e desse a Paulo, e a ela mesma, uma chance de se conhecerem.
Hoje eles estão casados, superfelizes, e Renata só lamenta uma coisa: o
tempo que perdeu idealizando alguém por critérios fúteis.
A pessoa que você sonha ter, pode não ser a pessoa que você
precisa.
O que Renata finalmente entendeu é que o amor é fruto de duas pessoas se
conhecerem. Quando ela decidiu conhecer e se dar a conhecer ao Paulo,
descobriu nele o homem que precisava. Enquanto ela procurava pelo homem
com a altura, cor dos olhos e timbre de voz que idealizava, não o encontrou.
Paulo não era fisicamente o homem que ela sonhava, mas era tudo o que ela
precisava. A pergunta que precisa ser feita sobre a aparência é: como essa
pessoa será daqui a 20 ou 30 anos?
Não procure alguém para namorar. Procure alguém para casar.
Pense no longo prazo.
Cristiane
Todo mundo sabe que aparência não é tudo. O problema é que, ainda
assim, as pessoas dão muito mais valor ao que veem ou ouvem, do que às
qualidades que realmente fazem a diferença no relacionamento.
Você quer uma pessoa fiel a você, que seja verdadeira e de palavra, que
lhe dê toda exclusividade que uma esposa ou marido quer. Mas se procura
um moreno alto, bonito e milionário, está no mínimo errando o alvo — não
que tal homem não possa ser bom e fiel, mas se o foco está no que você
consegue ver sobre a pessoa, provavelmente deixará de olhar e procurar o
que precisa ter no relacionamento.
Eu ouvi falar do Renato, mas ainda não o tinha visto pessoalmente. Só pelo perfil que as pessoas que o conheciam me deram, eu já o admirava:
• Ele tinha conhecido a Deus aos 14 anos por causa da separação de seus
pais, o que significava que dava importância à família. Em vez de se
rebelar, buscou a Deus. Isso já mostrava bastante maturidade para sua
idade.
• Ele largou os estudos e os negócios do seu pai para ajudar outras
pessoas, uma qualidade que poucos têm. Ele mostrou que tinha Deus
em primeiro lugar e que levava a sério o seu chamado.
• Ele era sério, não ficava de conversa com meninas. Mesmo atraindo
muita atenção feminina, não usava isso para se gabar. As meninas se
declaravam para ele e ele nunca dava mole para elas.
• Ele era inteligente, gostava de estudar e o seu trabalho crescia, mesmo
sendo tão jovem.
Quando o vi pela primeira vez, dentro de mim eu já tinha uma enorme
admiração por ele. A primeira impressão foi a mesma de quando ouvi falar
dele, mesmo sem nunca termos tido contato. Ele não precisou falar nada
disso para mim. Sua reputação e seu comportamento falavam bem alto. É
isso que você precisa procurar em alguém: qualidades interiores que falem
de si mesmas por meio do comportamento, da vida, dos relacionamentos
(pais, colegas de trabalho, sexo oposto) e da reputação desse alguém.
Infelizmente a maioria das pessoas não busca saber essas coisas antes de
se apaixonar. Depois que sabem, já estão apaixonadas. Tarde demais.
Saiba antes, sinta depois.
Faça as perguntas certas antes de se permitir gostar de seu pretendente.
É por isso que nós promovemos a Caminhada do Amor, que ajudou a
Renata e o Paulo a se conhecerem primeiro, antes de decidirem namorar.
Nós aconselhamos todos que querem um namoro blindado a fazer a
Caminhada do Amor. Vocês aprenderão a fazer as perguntas certas um
para o outro, antes que seja tarde demais.
O QUE PROCURAR NO HOMEM
Há algumas características específicas que uma mulher deve procurar em um
homem e que farão dele um bom marido:
1. Liderança: ele tem objetivos e por isso sabe para onde vai. Um rapaz que
só pensa no aqui e agora e não tem planos sólidos para o futuro pode ser
uma boa diversão por um fim de semana, mas será um fardo como marido.
2. Domínio próprio: se ele não tem controle sobre seu temperamento ou
hábitos, como controlará situações externas como trabalho, relacionamento e família?
3. Ser de palavra: homem que é homem não mente. Mulher tampouco, mas
especialmente o homem, porque a mentira costuma ser usada por covardes,
que temem a verdade. E você não quer um covarde ao seu lado, e sim um
homem confiável.
4. Comportamento com as mulheres: ele gosta de flertar ou de ter a
atenção delas? Ele trata as mulheres em sua vida com respeito — mãe, irmã,
professora, colegas?
5. Segurança: você quer um porto seguro, não um pedaço de areia
movediça. O homem seguro é autoconfiante, fiel, desembaraçado (ao invés
de enrolado) e inteligente — não no sentido de diplomas, mas como alguém
que é apto a resolver problemas, observar o mundo, aprender e melhorar
sempre.
Em suma, procure alguém que sabe o que quer, tem a determinação de
crescer e acredita nas boas chances da vida. Fique longe de homens negativos
ou derrotistas, imaturos, que falam muito, mas mostram pouco, que você terá
de carregar nas costas sempre. Busque alguém que a desafie e inspire a ser
melhor.
O QUE PROCURAR NA MULHER
Cristiane
Uma mãe aconselhando seu jovem filho rei, descreveu para ele uma mulher
excelente, cheia de qualidades3
, que ele deveria procurar para se casar.
Você pode encontrar todos os conselhos desta mãe sábia no livro de
Provérbios capítulo 31, mas eu vou ressaltar aqui apenas cinco das
principais qualidades que ela orientou o filho a procurar em sua futura
esposa:
1. Hospitaleira: a comida, a roupa e “o bom andamento da casa” são
cuidados que ela se orgulha em ter. Sim, a mulher de Provérbios
trabalhava fora, mas não abria mão desses cuidados de mãe com a
família. Como sua pretendente vê esses cuidados?
2. Habilidosa: ela tecia, administrava empregadas, negociava, ganhava
dinheiro, ajudava os necessitados… Era uma verdadeira auxiliadora para
o seu marido. O Renato sempre investiu nos meus talentos. Hoje, ele
tem uma mulher multi-habilidade ao seu lado. Note se a moça
demonstra desenvoltura em suas tarefas e responsabilidades.
3. Trabalhadora: ela não era preguiçosa. Acordava cedo, dava conta de
seus afazeres. Note: essa mulher seria rainha, mas nem por isso viveria
de papo para o ar. Veja se sua futura esposa encara o trabalho com prazer e não com enfado.
4. Feminilidade: apesar de todo o seu sucesso, ela não fazia tudo aquilo
para competir com o marido nem se tornar independente dele. O seu
marido era estimado entre os homens mais importantes — e ela não se
incomodava com isso, ao contrário, tinha orgulho dele. Procure uma
mulher que se sinta segura em ser mulher, que não tenha vergonha
nem sentimentos de inferioridade por isso.
5. Sabedoria: se a força do homem está nos músculos, a da mulher está
na língua. Se não souber falar com sabedoria e delicadeza, poderá atear
fogo na própria casa — o fogo da contenda, da raiva e da provocação.
Perceba se as palavras de sua namorada o colocam para cima ou para
baixo, incitam o melhor ou o pior em você. Não subestime esta
qualidade.
A pessoa com quem você vai se casar cumprirá um papel importante na
formação de quem você se tornará mais tarde. O bom e o ruim dela se
tornarão parte de você. Portanto, escolha bem. Não comece uma jornada com
alguém que tem características que você despreza e não quer na sua vida.
MELHORANDO AS CHANCES DE SUBIR O EVEREST
Eu não sou alpinista, mas já subi algumas montanhas na minha vida, entre
elas o Monte Sinai no Egito, o Ben Nevis na Escócia e o Pico de Guadalupe no
Texas — é claro, fichinhas diante do Monte Everest, em seus quase 9 mil
metros de altitude. Mas uma coisa eu aprendi sobre escalar montanhas:
Não carregar nada a não ser o absolutamente necessário.
Quando você está subindo uma montanha, um litro de água nas suas costas
parece pesar uns trinta. Você sente até o peso do relógio no seu pulso e se
pergunta: “Por que diabos não deixei isso no hotel e aprendi a adivinhar a
hora pelo Sol?”.
O casamento é como subir uma montanha. Cada uma tem suas dificuldades,
mas todas são difíceis. Com bom preparo físico, um mapa, o equipamento
certo e o apoio de um parceiro, você consegue subir até o Everest. Mas se
quiser sair da rota, ignorar os conselhos de quem conhece melhor e subir
carregando uma geladeira nas costas, você provavelmente vai morrer no pé da
montanha. E é exatamente isso que tem acontecido com muita gente no
casamento.
Elas têm ignorado conselhos importantes que podem facilitar a subida ao
topo da felicidade amorosa. Fico chocado como algumas pessoas escolhem um
parceiro com características que dificultam ao extremo o sucesso da relação.
Para elas, não bastam as dificuldades inerentes de qualquer relacionamento.
Elas querem carregar uma geladeira nas costas. Alguns exemplos que já encontramos, todos esmagadinhos debaixo de sua própria geladeira duplex
540 litros:
A esposa evangélica que casou com um budista “supereducado e atencioso,
de ótima família”, que agora implica e despreza a fé dela.
A mulher de 37 anos casada com o marido de 53, a ponto de se separar
porque ela queria um filho e ele não.
A empresária divorciada que banca um rapaz 9 anos mais novo, com quem
se ajuntou; ele sofre de transtorno do déficit de atenção e nunca parou em
emprego.
O empresário que conheceu uma linda garota de programa de outro país na
Internet, a trouxe para o Brasil para morar com ele e só acordou depois que
ela o tinha deixado sem amor e sem um tostão.
Quando escolher alguém para um relacionamento, não faça vistas grossas a
coisas importantes porque acha que o “amor” de vocês irá superar qualquer
problema. Não se envolva com alguém que tem um perfil ou uma situação
complicada para você. Se vai subir a montanha, não arrume peso
desnecessário. No começo da relação, pode até não notar, como quem não
nota o peso da mochila quando começa a subir a montanha. Mas depois, mais
para cima, você não vai conseguir notar mais nada além daquilo… E aí poderá
ser tarde demais.
POR QUE TERMINEI UM NOIVADO
Como mencionei anteriormente, antes de conhecer a Cristiane eu estava
noivo. Era um relacionamento que já durava quatro anos e estávamos nos
preparando para casar. Nosso relacionamento começou quando eu tinha
apenas 14 anos e ela 22. Nos conhecemos na igreja.
Inicialmente, ela não queria nada comigo e não era difícil entender o porquê.
Eu era apenas um menino. Mas quando eu bati os olhos nela, a beleza e o
jeito dela me encantaram. Eu a queria ao meu lado. Mas quem era eu? Como
ela iria aceitar me namorar?
Eu sempre tinha sido namorador até então. E parece que tinha atração pelas
moças mais difíceis. Hoje entendo a mágica dessa dificuldade, por que os
homens querem as mais difíceis e não as fáceis. Na época, eu apenas seguia
aquele instinto, sem entender as razões. Gostava de um desafio. Isso me
levou por várias paixões de infância e adolescência — e por vezes a situações
patéticas, de passar meses perseguindo uma determinada garota na escola e
só recebendo “não”. Eu sofria, mas depois partia para outra. Era meu padrão
de comportamento.
Com minha ex-noiva não foi diferente. Superei minha timidez e os olhares
condenadores de outras pessoas. Insisti, persisti, afiei ao máximo o meu lado
romântico e cavalheiro e finalmente consegui que ela aceitasse namorar comigo. Ela foi sincera e me disse: “Eu não vou dizer que te amo, pois não
sinto isso, mas vou te dar uma chance”. Era tudo o que eu precisava.
Ao longo daqueles quatro anos, quis provar para ela, para os outros e para
mim mesmo que eu estava à altura daquele relacionamento. Iria provar que
eu não era apenas “um menino”. E me esforcei ao máximo para isso. Tanto
que ela passou a gostar de mim e até disse que me amava. Porém, não dava
para tapar o sol com a peneira.
Por mais que eu quisesse, às vezes era impossível ocultar a minha
imaturidade e insegurança. Eu tinha ciúme dela, sem ela nunca ter dado razão
para isso. Ela tinha que me cutucar para eu tomar certas atitudes óbvias, que
eu simplesmente não enxergava. Era claramente mais madura do que eu, já
tinha uma certa experiência de vida. Trabalhava, sustentava sua casa, tinha o
seu dinheiro. Era embaraçoso para mim, mas não via nisso um problema; e
acho que ela também não. Eu já estava com 18 anos e ela 26. Noivamos,
íamos nos casar em alguns meses, já estávamos comprando móveis. Até que…
Um conselho me fez pensar profundamente sobre o nosso futuro.
“Essa diferença de idade provavelmente será um constante ponto frágil no
casamento de vocês. Como ela irá se submeter à sua liderança diante da sua
imaturidade? Como você irá passar segurança para ela? Não pense apenas no
agora, mas quando vocês estiverem mais velhos. Como vai lidar com o
envelhecimento mais rápido dela? Quando estiver mais maduro e vir outros
homens da sua idade com mulheres mais jovens, o que vai pensar disso? E
como ela irá lidar com tudo isso?”
Tenho que admitir que não havia pensado nesses detalhes com a devida
consideração. Nossa atitude sempre foi pensar que nosso amor superaria tudo.
Hoje, sempre que conto essa história, recebo críticas dos idealistas do amor
romântico: “Se vocês se amavam mesmo, a diferença de idade não seria um
problema”, eles alegam. Soa muito bonito e também acreditamos nisso por
quatro anos. Hoje, porém, minha experiência com casais mostra que, na vasta
maioria dos casos, isso é uma utopia. Na prática, relacionamentos assim, com
grande diferença de idade, especialmente da mulher sobre o homem,
costumam ser repletos de problemas.
Amor, apenas, não segura casamento.
Se segurasse, a taxa de divórcio não seria tão alta, pois todo mundo,
supostamente, casa por amor. E onde foi parar o amor desses casais que se
divorciaram? A verdade é que no dia a dia do casal é preciso mais do que
sentimento de amor. Há coisas práticas que acabam influenciando a
convivência, como aqueles sinais que já estavam presentes em nosso namoro:
insegurança, ciúme, imaturidade… Veja que o meu amor por ela não impediu
esses problemas, mesmo antes do casamento.Mas alguém poderá apontar exemplos de casais que são exceções, que
fogem à regra e aparentemente são felizes, apesar da diferença de idade. Mas
eu não queria basear o meu casamento em exceções. Eu entendi que esta
seria uma das decisões que impactaria o resto de nossas vidas. Por isso, decidi
não arriscar. Eu não queria uma geladeira em minhas costas e nem nas costas
dela.
Contra a minha vontade e os meus sentimentos, terminei o noivado. E não
tenho nenhuma dúvida de que tomei a decisão certa para nós dois. O amor
inteligente prioriza a razão e não os sentimentos. E a razão diz:
Procure alguém para se casar que aumente as chances de dar
certo, não as de dar errado.
Pense na seguinte analogia. Imagine que você tem uma doença grave e a
cura exige uma cirurgia. Há um médico em sua cidade que faz essa cirurgia,
mas a cada dez pacientes que ele opera, nove morrem na mesa de operação.
Você aceitaria operar com esse médico ou procuraria outro com um melhor
histórico de sucesso?
Não é diferente na vida amorosa. Se você sabe que determinadas coisas
aumentam a chance de fracasso em um casamento, por que escolheria ter um
relacionamento assim?
DIFERENÇA DE IDADE
Por causa da diferença entre nossas idades, abri mão de um relacionamento
que estava indo relativamente bem. Não quero com isso impor regras, pois
não há fórmulas ou números que possam garantir o sucesso de um
relacionamento baseado apenas na idade do casal. O que há é o bom senso e
o que a inteligência nos mostra. Eu diria que não é impossível subir uma
montanha com uma geladeira nas costas — apenas muito, muito mais difícil. E
quem tem um relacionamento assim deve estar preparado para as dificuldades
inerentes. Alguns pontos importantes a considerar:
Quando a mulher é mais velha: é o que costuma ser mais problemático,
porque a mulher naturalmente amadurece mais rápido do que o homem.
Uma moça de 18 anos normalmente se mostra muito mais madura do que
um rapaz da mesma idade. Até biologicamente isso é facilmente observável,
pois a moça alcança a puberdade bem mais cedo que o rapaz. Levando isso
em consideração, quando a mulher é mais velha do que o homem, a
diferença de maturidade é ainda maior. Se ele tem 25, por exemplo, e ela
35, na realidade a diferença pode ser bem maior do que dez anos. Mesmo
quando a diferença de idade é pouca, a diferença de maturidade pode ser
muita. E uma mulher madura terá muita dificuldade de se sentir segura sob a
liderança de um homem imaturo. Ele, por sua vez, poderá assumir a posição mais de filho do que de marido e deixar as decisões para ela. Ou então ir
para o outro extremo: querer provar que é maduro, se tornar grosso com ela
(para impor respeito) e se precipitar nas decisões.
Quando o homem é mais velho: bem menos problemático, mas quando a
diferença é muito grande — 10 anos ou mais, por exemplo — algumas coisas
podem começar a pesar, como os diferentes níveis de energia dos dois. Um
homem de 40 anos já está pensando em assentar a poeira, enquanto uma
mulher de 30 está querendo levantar poeira… Isso se aplica mais para as
idades mais jovens, pois a partir da meia idade essa diferença tende a ser
menos impactante. Isso porque as pessoas de meia idade para cima
costumam estabilizar em seu nível de maturidade. Um homem de 55 e uma
mulher de 45 podem sentir bem menos essa diferença, por exemplo. Porém,
entenda que se seu marido for bem mais velho do que você, digamos 20
anos, o seguinte cenário será muito provável: você, aos 60 anos, cuidando
das fraldas dele aos 80… Ou seja, espere cuidar de um homem com todas as
peculiaridades de uma idade avançada enquanto você ainda estará
relativamente mais ativa do que ele. Além de ficar viúva bem mais cedo, é
claro.
Gerações diferentes: Se o seu namorado se recorda dos Beatles com
nostalgia, mas o seu sonho de consumo é estar na primeira fila de um show
do Justin Bieber, vocês têm, digamos, uma séria diferença de idade. E, com
ela, gostos e preferências sobre música, TV, tipos de diversão — além de
experiências culturais e históricas — serão totalmente diferentes. Essas
coisas podem parecer pequenas e triviais, mas pesam na rotina do casal. Em
um caso que tratamos, uma mulher de 36 anos queria muito casar e ter um
filho com seu companheiro de 53. Mas ele já tinha três de um casamento
anterior e não queria nem casar nem ter mais filhos. Ele já está em uma
outra fase da vida. Ela está no pico, ele descendo a montanha. A última coisa
que ele quer agora é um pirralho correndo pela casa.
Filhos: Quando uma esposa bem mais jovem que o marido tem filhos com
ele, mais tarde, quando seus filhos forem adolescentes, poderá sentir muito
mais afinidade com eles do que com seu marido de cabelos brancos, talvez
já mais frágil na saúde. Um marido jovem que queira ser pai poderá nunca
conseguir com uma mulher que está mais próxima dos quarenta anos. E
quando o cônjuge mais velho tem filhos de outra relação, estes poderão ter
muita dificuldade de aceitar e lidar com o novo parceiro da mãe ou pai — o
que influenciará o casamento também.
Motivação: Refletindo hoje sobre aquele namoro e noivado que eu tive,
posso ver como eu poderia ter sido motivado por um orgulho de querer
provar que era capaz. É fácil ter as motivações erradas em um
relacionamento com grande diferença de idade. A moça pode estar
procurando a figura de um pai, alguém que a proteja e dê segurança
financeira. O homem mais velho pode estar procurando uma jovem cuja beleza e vitalidade o façam se sentir viril novamente… Quanto maior for a
diferença de idade, maior a chance de as motivações serem erradas. E, como
falamos anteriormente, a motivação errada pode acabar com um
relacionamento.
É impossível um relacionamento assim dar certo? Na teoria, não. Mas, na
prática, é muito, muito difícil. Não é à toa que a Bíblia menciona várias vezes a
expressão “mulher da tua mocidade”4 — o que sugere que o costume era o
casal casar jovem e com idades aproximadas.
APRESENTANDO O NOVO MODELO 780 LITROS...
Se a diferença de idade e outros fatores podem pesar no relacionamento como
uma geladeira nas costas de quem sobe uma montanha, tenho o prazer de lhe
apresentar a versão gigante!
Ela vem com 780 litros de capacidade, três portas, freezer, prateleiras
especiais para pepinos em conserva (você vai precisar) e um potente
dispenser de gelo que garantirá o clima bem frio no seu casamento enquanto
ele durar…
Estou falando de casamento inter-religioso — entre duas pessoas de crenças
diferentes.
Estudos mostram que casamentos inter-religiosos têm maior índice de
divórcio — até três vezes mais do que casamentos onde os dois são da mesma
fé. O índice é maior até mesmo entre casais do mesmo segmento religioso,
mas de denominações diferentes. E pasme: casais da mesma denominação,
em que um dos cônjuges tem maior grau de devoção ou convicção do que o
outro, também se divorciam mais.
Faz sentido, porque é difícil pensar em um fator que tenha tanto impacto em
tantas áreas da vida de uma pessoa como a sua fé.
Não é apenas uma questão de onde o casal (e os filhos, se houver) irá
congregar domingo de manhã. A fé de uma pessoa afeta tudo, desde os
princípios e valores que regem suas decisões até às finanças, a comida, o
tratamento médico, a disciplina dos filhos (e qual crença eles irão seguir), o
sexo, os parentes, a visão do mundo, o lazer e uma gama de outras áreas da
vida.
Para muitos, o problema já começa quando estão planejando o casamento.
“Vou falar com o meu pastor para marcar a cerimônia”, a noiva diz
entusiasmada. O noivo reage: “Bem, é que eu disse para minha mãe que nós
nos casaríamos lá em nossa paróquia e o Padre Pedro faria o nosso
casamento…”.
Até aí, tudo… mais ou menos bem. Dá para sobreviver ao dia do casamento,
pois passa logo. O pior vem depois. A agravante é que a fé, para as pessoas
que a levam a sério, é inegociável. Mudar de opinião para elas é ir contra o
seu Deus. Por isso, o potencial para conflitos sem solução é muito grande.
Já sabendo disso, o próprio Deus aconselhou o Seu povo a não se casar com pessoas de outra fé. A Bíblia relata que casamentos inter-religiosos
costumavam ser grande pedra de tropeço para os judeus. O povo de Deus
normalmente se corrompia e abandonava a sua fé original para abraçar a
crença pagã de seus cônjuges. E os filhos seguiam o desvio da fé de seus pais,
como efeito dominó.
No Novo Testamento, sob a fé cristã, nós vimos a continuidade desta
restrição. O apóstolo Paulo disse:
Não se ponham em jugo desigual com os incrédulos; pois que
sociedade pode haver entre a justiça e a injustiça? Ou que
comunhão, da luz com as trevas?5
Essa expressão “jugo desigual” era bem familiar aos seus ouvintes, pois
Paulo estava citando uma parte do Antigo Testamento que diz:
Não ponha juntos um boi e um jumento para puxarem o arado.6
Nós que crescemos na cidade não entendemos esse conselho sem uma
explicação. Antes de existirem tratores e outras máquinas para arar a terra,
bois sempre foram os animais de escolha para puxar o arado enquanto o
agricultor os dirigia. O boi é, por natureza, dado ao trabalho duro e coopera
melhor com o homem. Já o jumento é teimoso e inflexível. São animais com
naturezas diferentes. Além disso, o boi era considerado pelos judeus um
animal “limpo” e o jumento um animal “imundo”. Logo, não fazia sentido nem
do ponto de vista prático nem do religioso colocar um boi e um jumento juntos
para puxar o arado. Eles não conseguiriam sair do lugar.
E Paulo sugere que o mesmo acontecerá com duas pessoas em “jugo
desigual” por causa da fé. Nós podemos confirmar isso por nossa experiência.
Grande parte dos casais com crenças diferentes que aconselhamos vive
exatamente assim — ora batendo cabeças, ora como se puxando um cabo de
guerra, nunca chegando a lugar nenhum. Do ponto de vista da fé, para o
cristão, é realmente como se tivesse casado com um jumento…
Portanto, se você leva a sério sua fé e quer uma dor de cabeça na certa,
case com alguém sem fé, de pouca fé ou de fé diferente da sua.
Muitos casais hoje em dia não estão dando muita importância a esse ponto.
Grande parte se casa sem nem sequer conversar mais profundamente sobre o
assunto. Não cometa este erro.
A fé é uma de suas armas mais potentes na blindagem do seu namoro e
casamento. Não a ignore. Pergunte, sim. Tenham essa conversa. E, acima de
tudo, observe as atitudes e comportamentos da outra pessoa para ver se
condizem com suas palavras. Um rapaz que se diz cristão, mas não vê a hora
de tirar sua calcinha não se importa muito com a fé que diz ter.
Como é o relacionamento daquela pessoa com Deus? Ela mostra Deus em
suas atitudes? Como ela pratica a fé que diz ter? Como ela conheceu a Deus?
Qual o seu testemunho de fé? Quão familiar ela é com a Palavra de Deus? Nos momentos difíceis, ela recorre à fé ou age como qualquer pessoa? Ela é
temente a Deus?
Para não se decepcionar, o seu alvo deve ser escolher uma pessoa da
mesma fé e do mesmo nível espiritual que você. De tudo o que já expusemos
até aqui, se você é da fé, considere esse o aviso mais importante de todos. É
sério assim.

namoro blindadoOnde histórias criam vida. Descubra agora