Se você não entender o que é um namoro blindado e por que precisa dele, não
apreciará a importância de ter um. Namoro blindado é aquele em que você
está:
1. Protegido contra se casar com a pessoa errada
2. Protegido de perder a pessoa certa1 quando encontrá-la
Pense um pouco nesses dois pontos.
É difícil acordar do pesadelo de ter se casado com a pessoa errada ou
perdido a pessoa certa. Descobrir depois de anos de um casamento infeliz que
você errou na escolha de parceiro; não conseguir se perdoar por ter estragado
o relacionamento com o amor da sua vida, que acabou casando com outra
pessoa — tem sido a realidade de muitas, muitas pessoas hoje.
É mais fácil acontecer do que parece. Porque as pessoas não estão sabendo
conduzir o namoro, muitas estão errando na escolha, cegadas por seus
sentimentos.
Lívia se casou aos 19 anos com o homem que a “tirou do chão”. Foi um amor
intenso. O casamento veio rápido. Dezesseis anos mais tarde, ela estava em
nosso consultório lamentando o tempo perdido de sua vida. Hoje com 35 anos
e ele com 50, ela havia acabado de pedir o divórcio. Traições de ambas as
partes, ela não conseguia entender por que seu marido sempre foi tão apático,
sem iniciativa, indiferente a tudo que a interessava. E o que mais a
incomodava, dizia ela, não era nem o divórcio em si, mas a reação dele
quando ela lhe deu a notícia: “É, realmente acho melhor assim”.
“Ele não esboçou o mínimo de vontade de evitar a separação”, nos disse,
frustrada. Lívia errou na escolha por causa de sua paixão cega e pagou caro
por isso.
Agora considere o caso de Armando. Aos 40 anos e solteiro, sem nunca terse casado, ele sentou à minha frente e me contou um episódio que o perturba
até hoje. Cinco anos atrás ele havia encontrado a mulher que ele cria, e ainda
crê, ser o amor de sua vida.
Na altura, depois de breves contatos em círculos sociais que frequentavam,
ele a convidou para tomar um café. “Eu não acreditava mais em namoricos,
relacionamentos que não davam em nada, porque já tinha tido muitos. Mas
quando eu a vi, tive a certeza de que a queria como esposa. Meu erro foi ter
ido com muita sede ao pote” — admitiu, com notório arrependimento.
Ela aceitou o convite. Sentado à frente dela no café, Armando abriu seu
coração. Declarou seus sentimentos e logo a pediu em namoro. Ela foi sincera:
“Mas eu mal o conheço… Não tenho sentimentos por você. Acho melhor a
gente começar com uma amizade e ver no que vai dar”.
Ele não titubeou: “Comigo não tem esse negócio de amizade. Ou tudo ou
nada. Ou a gente vai namorar ou não vamos perder tempo”, intimou Armando,
exigindo um sim ou não dela.
E a resposta que o assombra até hoje: “Então é melhor a gente não ter
nada”.
Assustada com a postura incisiva dele, dali para frente ela passou a evitá-lo.
Até hoje, cinco anos depois, ele mantém sentimentos por ela e acompanha
sua vida à distância. Na altura de nossa conversa, ele tinha ouvido a pior
notícia desde o “não” que recebeu: ela estava para se casar com outro.
Armando foi com muita sede ao pote, sim. Mas o real problema já estava
dentro dele muito antes de se sentar com a pessoa dos seus sonhos naquele
café. E continuará até que ele resolva as questões internas que o mantêm
solteiro até hoje.
Enquanto a pessoa não resolver questões pendentes dentro dela
mesma, acabará destruindo seus relacionamentos — mesmo com
quem ela mais ama na vida.
Em um namoro blindado, o trabalho de blindagem começa antes de se ter
um namorado. Veja que, nos casos de Lívia e Armando, eles já trouxeram os
problemas com eles antes de encontrarem a pessoa amada. Foram esses
problemas que os cegaram. Foram esses problemas que influenciaram suas
decisões e comportamentos — e os levaram a um final infeliz. Um escolheu
errado e o outro estragou a chance de ser escolhido por quem tanto gostava.
A maioria das pessoas infelizes no amor se encaixa em uma dessas duas
categorias. As chances são de que, se você errar no amor, será por uma
dessas razões.
Por isso você precisa agir agora, prestar muita atenção ao que está dentro
de você e também, se já está em um relacionamento, ao que está dentro da
outra pessoa. Note: prestar atenção é um trabalho da sua mente, de
inteligência, e não de seu coração e seus sentimentos. É incrível, mas a principal ameaça à sua vida amorosa é exatamente esta figura tão fofa, a
mais associada ao amor de todos os tempos:
Olhe para ele. Tão bonito, tão fofo… e tão perigoso. Você está olhando para
a maior ameaça à sua vida amorosa: o coração. O grande responsável pelas
más escolhas no amor. O grande abrigo de questões emocionais mal
resolvidas. O grande destruidor de relacionamentos. Você vai entender por
quê.
A MAIOR EMBROMAÇÃO DOS ÚLTIMOS SÉCULOS
Muitas pessoas têm entrado no relacionamento com amor e saído com ódio.
Por que tantos relacionamentos têm sido autodestrutivos? Por que tantos tiros
fora do alvo?
Aviso: depois de ler as próximas páginas você nunca mais vai
ouvir música, assistir a filmes ou ler livros como tem feito até aqui.
Estamos no século 21. Tecnologicamente e cientificamente estamos na era
mais moderna e avançada da história da humanidade. É um mundo totalmente
diferente daquele dos nossos pais, que dirá de nossos avós. Nosso cotidiano
tem pouco a ver com a vida de 30, 40 ou 50 anos atrás.
Para você ter uma ideia, hoje já temos a tecnologia para explorar o espaço
de várias formas. O telescópio espacial Hubble, por exemplo, lançado ao
espaço em 1990, permitiu ao homem pela primeira vez ver mais longe do que
as estrelas da nossa própria galáxia.
Em 2012 foi anunciado publicamente o projeto da primeira missão tripulada
a Marte (Projeto Mars One). Será uma viagem de ida e sem volta. O objetivo:
colonizar o planeta vermelho. Os primeiros humanos aterrissariam (ou
“amartissariam”?) em 2024 para começar uma nova civilização de marcianos.
Ainda não conseguimos civilizar o nosso planeta, mas vamos com toda a moral
para tentar em outro. O interessante é que mais de 200 mil pessoas se
candidataram para participar da missão — incluindo muita gente casada querendo ir e deixar o marido ou esposa aqui na Terra. Nada diz “eu te amo”
como um bilhete só de ida para Marte...
Em termos de tecnologia e ciência, estamos avançando a passos de gigante.
Computadores poderosos, smartphones, aplicativos para tudo o que se pode
imaginar — têm facilitado e melhorado a qualidade de vida de todos nós.
Uma área de grande avanço nos últimos tempos tem sido a neurociência, o
estudo do sistema nervoso, especialmente o cérebro. Descobrimos mais sobre
o cérebro humano nos últimos 100 anos do que em 6 mil anos de história da
humanidade.
Porém, se na ciência, tecnologia, indústria e tantas outras áreas da vida
humana estamos anos-luz à frente, quando o assunto é relacionamento
amoroso ainda vivemos por crenças medievais. Na melhor das hipóteses,
estamos no século 19, para ser exato. Parados no tempo. Para entender o
porquê, viaje ao passado comigo.
Por milhares de anos, médicos, sábios e pensadores acreditavam que o
coração, esse órgão pulsante que você tem aí no lado esquerdo do seu peito,
era o centro da inteligência humana. Porque conseguiam sentir o coração
bater e também associar várias emoções a reações físicas na região do peito
(como quando você toma um susto ou se apaixona, por exemplo), eles
pensavam que o coração era o centro da vida.
Os egípcios tinham o costume de mumificar seus mortos sob a crença de que
preservar o corpo garantiria uma boa vida após a morte. O processo de
mumificação envolvia a retirada do cérebro e outros órgãos, exceto o coração.
Eles criam que o coração, como o centro dos pensamentos e sentimentos,
seria necessário para manter a pessoa viva no além.
Gregos e romanos também criam que o coração era o principal órgão
humano, responsável pelas emoções e inteligência. Alguns antigos
desconfiavam que havia alguma coisa importante também acontecendo dentro
do crânio humano, mas eles não tinham como provar nada. A crença
prevalente era que a nossa central de comando estava no coração.
Essa crença influenciou praticamente todos os aspectos culturais da nossa
civilização. Ao longo dos séculos, inúmeras obras de arte retratavam o coração
com este foco emocional e intelectual.
As religiões também sempre deram grande ênfase ao “coração de Deus”,
com direito a artes sacras retratando Cristo com o órgão exposto do lado de
fora do peito (!), movimentos devocionais ao “sagrado coração de Jesus” e
outras alusões ao lado mais emotivo de Deus. De forma geral, a maioria das
religiões leva as pessoas a uma experiência basicamente emocional, marcada
por sentir isso ou aquilo, usando imagens, palavras bonitas, cenografia e
decoração sacra, música para sensibilizar e outros artifícios que apelam aos
nossos sentidos. Tudo contrário ao que encontramos na Bíblia, onde Deus
sempre proibiu o uso de imagens, condenou tradições humanas que serviam
apenas de teatro religioso e chamou as pessoas a usar suas mentes (inteligência) para meditar na Sua palavra (em vez de sentir com o coração).
O cinema e a televisão produzem seus filmes, seriados e novelas em que,
quase sempre, há uma história de amor marcada pelos sentimentos de seus
personagens. A razão é colocada de lado e o sentimento é que manda. “Siga o
seu coração”, é a mensagem subliminar (ou nada subliminar) constantemente
martelada nessas histórias.
Porém, nada propaga mais essa ideia do coração do que a música. Não
importa a cultura ou estilo musical, os exemplos são tantos que é difícil
escolher um só. Você pode seguramente apostar que se ligar o rádio e
sintonizar em uma estação musical, nove de cada dez músicas mencionam o
coração e suas peripécias amorosas direta ou indiretamente2.
A crença entrou até no nosso vocabulário. Na língua portuguesa, quando
queremos dizer que sabemos algo muito a fundo, usamos a expressão “eu sei
de cor”. Este “cor” é abreviação de coração, pois os antigos pensavam que as
informações eram guardadas no coração. Curiosamente, a mesma expressão
existe no inglês (by heart), no francês (par cœur), no grego e em várias outras
línguas.
Você pode notar que essa ideia está enraizada em tudo ao nosso redor. E
isso há milhares de anos.
Mas há aproximadamente 100 anos, com o aprimoramento do microscópio,
os cientistas puderam iniciar estudos mais apurados do cérebro humano. E
descobriram, finalmente, que o coração não é muito mais que uma bomba de
sangue para manter a circulação sanguínea no corpo. E que, na verdade, o
centro da vida e inteligência está no cérebro. Isso revolucionou a neurociência
desde então.
Nossas habilidades de compreensão e desenvolvimento se multiplicaram e a
sociedade, nos últimos 100 anos, evoluiu com extrema velocidade.
Mas no departamento amoroso, curiosamente, essa evolução não aconteceu.
Ficamos parados no tempo, lá no século 19, bêbados e enfeitiçados pelas
ideias do amor romântico. Ainda associamos o amor, que é uma atividade
exclusiva do nosso cérebro, ao coração. É impossível hoje em dia alguém olhar
uma ilustração no formato de coração e não pensar na palavra amor. Quando
você lê as frases “Eu te ” ou “I NY”, você sabe instintivamente qual
palavra substitui o coração.
Nas outras áreas da vida, todo mundo já virou a atenção para o cérebro, só
no amor as pessoas ainda estão reclusas nas cavernas do coração. Está mais
difícil acordá-las para a realidade do que acordar um adolescente e tirá-lo da
cama antes das seis da manhã.
E aqui mora o principal problema dos relacionamentos hoje:
Associar o amor ao coração.
É a maior embromação dos últimos séculos. (Qualquer ligação entre a bagunça atual nos relacionamentos e a palavra “amor” aparecer de trás para
frente no meio da palavra “embromação”, é mera coincidência. Ou não. Vai
saber.)
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namoro blindado
De Todomomento mais doloroso em nosso consultório CRISTIANE E EU JÁ PERDEMOS A CONTA de quantas vezes pensamos ao aconselhar casais em nosso consultório matrimonial: "Esses dois nunca deveriam ter se casado". É duro ver duas pessoas que nunca deveriam ter...
