EU SEI QUE A TENTAÇÃO de começar a ler o livro por este capítulo, ou
avançar logo para aqui, é muito grande — principalmente se você é homem.
Mas se você fizer isso, estará perdendo informações preciosíssimas que farão
este capítulo ter mais sentido para você. Leia o livro desde o início e siga a
sequência de capítulos até aqui. Prometo que você apreciará muito este
conselho depois de segui-lo. E este capítulo estará aqui, em toda sua glória,
esperando por você.
SEXO COMO VOCÊ NUNCA ENTENDEU
Há milhares e milhares de anos, antes de existir religião, igreja, sacerdote,
cartório, DJ e vestido de noiva, cerimônia de casamento também não existia.
Hoje, quando se fala em casar, pensa-se na data, no local da cerimônia e da
festa, no oficiante, nos convites e nos convidados, no bolo, no vestido e na
decoração, no filme e nas fotos, nos comes e bebes, nos votos, na limusine e
na lua de mel… uma longa lista de preparativos. Mas nada disso fazia parte da
ideia original do casamento.
Se nada disso acontecia, como era realizado um casamento? Grosso modo,
em três simples passos:
1. A família do rapaz solicitava à família da moça permissão para os dois se
casarem.
2. O dote pela moça era combinado e pago.
3. O jovem casal ia para a tenda e consumava o casamento com o ato
sexual.
Isso mesmo, com o ato sexual. Após a noite de núpcias, quando saíam da
tenda, tendo consumado o ato conjugal, o casal era marido e mulher. Não havia cerimônia, apenas um acordo sério entre as partes e a consumação
desse acordo na cama. Quer dizer, fazer sexo significava estar casado. Isso
não era questão de costume nem de tradição, mas de um entendimento
profundo sobre o que é o sexo, na verdade. Esse entendimento foi passado
pelo próprio Criador.
Quando Deus criou o homem e a mulher, não houve cerimônia de
casamento. Simplesmente, “Deus os abençoou e lhes disse: Frutifiquem,
multipliquem-se[…] Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher,
tornando-se os dois uma só carne”1.
Sob esse entendimento, podemos dizer:
Sexo é a união física, mental, emocional e espiritual que faz um
homem e uma mulher se tornarem um.
O sexo foi a maneira que Deus designou para formalizar a aliança de
casamento entre homem e mulher. Casamento é a junção de duas vidas para
resultar em uma só. Daí, mais tarde, surgiu a ideia da aliança de casamento, o
anel, como um símbolo dessa união homogênea. Mas o primeiro símbolo do
pacto matrimonial era o sangue derramado pela virgem na noite de núpcias.
Aquele sangue representava não apenas a virgindade da noiva, mas também a
responsabilidade de cuidar dela que o homem passava a assumir. Ela entregou
a vida para ele. Agora, ele se torna responsável por guardá-la e protegê-la
com sua própria vida. Era um pacto de sangue — vida por vida, por toda a
vida.
Apesar de muita coisa ter mudado culturalmente desde então, ainda hoje, no
código civil da maioria das sociedades está previsto o direito de anular o
casamento caso não haja relação sexual. Ou seja, mesmo com todas as
tradições e costumes que foram sendo acrescentados ao longo dos séculos,
mantém-se a ideia principal: se não houver sexo entre o casal, não há
casamento.
E mais: até o passado recente (seus pais ou avós podem confirmar isso),
quando uma jovem solteira aparecia grávida, o costume era “engravidou,
agora tem que casar”. Não estou aqui validando esse costume, apenas dando
um exemplo de uma prática que perdurou por milhares de anos desde o início
da humanidade — a prática que partiu do entendimento que sexo =
casamento.
A mensagem era clara: se não quer casar, não faça sexo! Se quer fazer sexo,
case-se! Sexo não era recreação para solteiros.
Apenas nas últimas décadas isso tem sido apagado das mentes das pessoas
através da divulgação do sexo livre e descompromissado. A mensagem hoje é
exatamente o contrário: separar o sexo do casamento, como duas coisas
diferentes.
Um dos grandes responsáveis por essa mudança de atitude para com o sexo é o movimento de liberação da mulher. Não me entenda mal, somos
totalmente a favor dos muitos ganhos e avanços que a mulher tem alcançado
como resultado desse movimento ao longo das últimas décadas. Porém, por
outro lado, algumas consequências com respeito ao sexo e relacionamento
amoroso têm sido desastrosas, especialmente para elas.
Quando o feminismo ganhou força na década de 1960, um dos focos era a
liberação sexual da mulher. A ideia era combater atitudes opressoras como o
controle do homem sobre o corpo dela, estupro, violência doméstica, assédio e
objetificação sexual — um combate muito digno e necessário. Afinal, por
milhares de anos muitas mulheres foram vítimas da opressão masculina,
exercida não por todos os homens, mas por homens ignorantes ou perversos.
A proposta era tirar a mulher dessa opressão e dar a ela direitos iguais sobre o
seu corpo, liberdade para ser sexualmente ativa fora do casamento, direito ao
aborto, acesso a contraceptivos e autonomia sobre sua sexualidade.
Hoje, o aborto é legalizado em um número crescente de países; o acesso a
contraceptivos é quase universal; mas a maior mudança alcançada por elas,
de longe, foi a autonomia sexual. Atualmente, a mulher solteira que é
sexualmente ativa, assim como o homem, não é mais vista com desaprovação
pela sociedade em geral, ao contrário: a sua liberdade sexual se tornou
símbolo do seu “poder”.
Porém, considere apenas três subprodutos dessas conquistas e seus efeitos
na vida amorosa:
O sexo hoje está definitivamente divorciado do casamento. Fazer sexo não
significa mais estar casado, nem estar casado significa mais ter uma vida
sexual ativa, sadia e exclusiva.
A mulher está muito mais desvalorizada sexualmente aos olhos dos homens.
Removida a barreira do casamento para levá-la para a cama, o sexo casual
se tornou muito mais fácil para eles. Não há mais necessidade de
compromisso, nem de casar para morar junto.
Naturalmente, as relações amorosas estão mais descartáveis, o sexo está
banalizado e o verdadeiro amor desacreditado.
Quer dizer, no que diz respeito à vida amorosa, a única liberação que houve
foi a liberdade para errar, se desvalorizar e sofrer mais. A vida amorosa de
muitas mulheres se tornou vítima do próprio feminismo.
Podemos concluir que o feminismo não combate o machismo, apenas o
fortalece. Assim como o machismo deu à luz o feminismo, um extremo apenas
fortalece o outro. Polarizar os sexos jamais resolverá os problemas entre o
homem e a mulher. O que é preciso é fugir dos extremos e voltar ao plano
original: homem e mulher cuidando, valorizando e respeitando um ao outro. E
a maneira como ambos veem o sexo é o início dessa volta — a volta ao
entendimento divino sobre o assunto.O HORMÔNIO DO AMOR
A bioquímica da mulher confirma o entendimento divino: sexo não é uma
simples fonte de prazer físico, casual e temporário. O ato sexual está
diretamente ligado ao compromisso que ela espera do parceiro.
Oxitocina é um hormônio que a mulher libera durante o ato sexual,
especialmente no momento do orgasmo. O homem também produz oxitocina,
mas em menor quantidade. Esse hormônio é responsável pelo aumento da
confiança na outra pessoa e pela intensificação do apego emocional. Quer
dizer, ao ter relação sexual, o corpo da mulher a influencia para confiar e se
apegar ao homem com quem ela se relacionou.
Agora dá para entender o que está por trás daquela tão esperada ligação
que a mulher anseia receber no dia seguinte de ter se relacionado com um
homem. Vários estudos já mostraram que, mesmo quando a mulher vai para a
cama com alguém sabendo que é casual, ela tem uma alta expectativa de um
contato da parte dele depois. É o grande conflito entre a natureza feminina e o
que as normas que sociedade atual ditam para a mulher. A sociedade diz: “se
eles podem, nós podemos. Pega, mas não se apega”. Mas a natureza da
mulher não consegue acreditar nessa mensagem.
O cérebro feminino espera que depois do ato sexual haja compromisso e
valorização da parte do homem. E quando isso não acontece, ela começa a
associar o sexo com sentimentos de rejeição. E sabe como o corpo dela
responde? Pasme: passa a produzir menos oxitocina, ou seja, torna-se mais
difícil para ela confiar e se apegar a um homem. Se o próprio corpo passa a
desacreditar no amor, imagine a mente dela...
Deus estava certo. Sexo é a cola que faz os dois serem um. Mas se após a
relação sexual essa união não acontece, cada encontro sexual seguido de
separação resulta em um crescente estrago emocional, especialmente na
mulher. O homem consegue separar bem sexo de compromisso. Para ele, sexo
é sexo. Se ela foi para a cama com ele, ele presume que foi pelas mesmas
razões que ele: para satisfazer um desejo e ter um momento gostoso. Nada
mais. Só que ela não estava pensando apenas no momento gostoso. Ela
pensava no felizes para sempre. Por isso:
O sexo não foi feito para ser casual, e sim algo valorizado e
planejado para acontecer como parte do início de uma relação
amorosa duradoura e fiel: o casamento.
A MARCA NA MEMÓRIA
Eu gostaria de fazer um teste com você. Você vai fechar os olhos por alguns
segundos e pensar na memória mais triste, dolorosa ou infeliz que você tem
da sua infância. Em seguida, inverta: busque a memória mais feliz, afetuosa,
que lhe trouxe grande satisfação.Faça isso agora, depois continue a leitura.
...
Provavelmente você não precisou mais do que alguns segundos para lembrar
de uma experiência muito ruim ou muito boa que o marcou. Por que não foi
difícil lembrar? Por causa das fortes emoções associadas ao que aconteceu.
Aquela experiência teve um impacto emocional, mental e psicológico muito
forte em você. E por isso ficou gravada em sua memória. Talvez um acidente
grave. A bronca ou disciplina mais séria que você sofreu de seus pais. Uma
situação embaraçosa na escola. Enfim, algo que provocou em você emoções
fortes como raiva, medo, choque, vergonha, decepção, tristeza etc. A mesma
coisa se aplica à sua memória feliz.
Emoções são a tinta que escreve nossas memórias.
Nosso cérebro fotografa todos os eventos carregados de emoção que
passamos ao longo da vida. Essas memórias, boas e ruins, servem como
referência para guiar dois principais comportamentos ao longo da vida:
1. O esforço para evitar coisas ou situações desagradáveis, para que nunca
mais se repitam.
2. O esforço para buscar coisas ou situações prazerosas que queremos
experimentar de novo ou mais intensamente.
Um trauma nos faz reunir todos os nossos esforços para não passarmos pela
mesma experiência novamente. Por exemplo, alguém que quase se afogou
quando criança pode, ainda hoje, evitar piscina e mar com toda determinação.
Já uma experiência superfeliz tem o efeito contrário: podemos passar a vida
toda nos esforçando para replicá-la. Um momento de glória durante um jogo
de futebol quando garoto pode fazê-lo jogar futebol todo fim de semana na
vida adulta, até que a artrite não o permita mais.
O que isso tem a ver com sexo?
Há alguma coisa mais marcante do que a primeira experiência sexual?
Ninguém esquece sua primeira vez, tenha ela sido boa ou ruim. A pior ou
melhor experiência sexual sempre será inesquecível. E querendo ou não, essa
memória afetará seu comportamento em relação ao sexo pelo resto de sua
vida. Você quer se ver se esforçando para repetir uma ótima experiência ou
evitar a recorrência de um desastre?
Quando aconselhamos casais com problemas sexuais, quase sempre
podemos rastreá-los às experiências sexuais que um ou ambos tiveram antes
do casamento. É típico, por exemplo, uma mulher que sofreu abuso sexual na
infância não ter nenhuma vontade de fazer sexo com o marido. Ou um homem
que foi sexualmente promíscuo e usou mulheres apenas para seu prazer
sexual não conseguir satisfazer sua esposa sexualmente. É o poder da memória afetando seus comportamentos.
A verdade que poucos querem admitir é:
Quando o sexo é feito fora do casamento, ele costuma ser
frustrante para a mulher e egoísta para o homem.
O homem normalmente pensa em ter prazer, liberar aquele desejo
acumulado. Nessa adrenalina, os sentimentos e expectativas da mulher ficam
em segundo plano para ele. E ela, é claro, fica a ver navios — sem prazer
durante, muito menos depois do ato, quando percebe que ele não está mais
tão ligado nela depois que conseguiu o que queria.
E isso vai deixando marcas na memória. Mais tarde, mesmo no casamento,
ambos inconscientemente são influenciados por essas marcas. Ele quer o
prazer dele. Ela já não acha que fazer sexo seja essencial, prefere um carinho
ou uma conversa. Dá para entender por que atualmente um dos maiores
problemas no casamento e uma das maiores causas de divórcio é a falta de
sexo?
Se o sexo é o que inaugura o casamento, acaba o sexo, acaba o
casamento.
Quando as coisas não vão bem no quarto, não vão bem na sala nem em
outros lugares.
Falando em divórcio, aqui vai uma descoberta curiosa, mas pouco divulgada.
Vários estudos conceituados revelaram que casais que se casam virgens têm
uma taxa de divórcio menor do que aqueles que eram sexualmente ativos
antes do casamento — e mais satisfação na cama, também. Mas isso não nos
surpreende.
Quando o casal se guarda sexualmente e se prepara para a noite de núpcias,
as chances de eles terem uma experiência sublime são muito maiores. O
encontro é marcado não por culpa, pressa, desconfiança (será que ele vai me
ligar amanhã?) ou egoísmo. Não é algo forçado nem roubado. Ao contrário, há
expectativa, consenso, preparação, entrega, confiança, segurança — e tempo
para se conhecerem e fazer a experiência sexual cada vez melhor.
As memórias e associações ao sexo são positivas para os dois. E por isso, ao
longo do casamento, seus esforços naturalmente focarão em reproduzir aquela
experiência agradável. Por isso, mais satisfação, menos divórcios.
Cristiane
Renato e eu nunca “perdemos” nossa virgindade. Sabemos exatamente
onde ela está: a minha eu entreguei a ele, e a dele está comigo. Não
fomos mais um número nas experiências sexuais de outras pessoas. Nos
casamos virgens e nossas experiências confirmam as descobertas desses estudos. Sem bagagens negativas nesta área, nossa lua de mel foi muito
especial e ao longo de 25 anos de casamento, nunca tivemos problemas
relacionados ao sexo. É claro que, enquanto namorávamos, fomos tentados
como qualquer casal. Mas nossa decisão de nos guardar e preparar para a
noite de núpcias foi uma das melhores coisas que fizemos em nosso
namoro. E isso se reflete até hoje em nosso casamento.
Uma das perguntas que mais ouvimos quando mencionamos nosso tempo
de casado é: “Nossa, vocês parecem que se casaram ontem! Como fazem
para manter a chama do amor acesa?”. Na verdade, elas querem dizer:
“Como fazer para o sexo continuar bom com a mesma pessoa depois de
tantos anos?”. A pergunta já sugere que o casal tem que inventar e
empenhar um esforço fenomenal para isso… Não é verdade. Quando você
acertou lá atrás, e tem boas memórias como referência, é tudo muito
natural.
Não estamos querendo diminuir ou dizer que os solteiros que não são
mais virgens estão condenados a uma vida sexual frustrada depois do
casamento. Nada disso. Reforçamos o assunto das marcas na memória e
como elas afetam a vida sexual para benefício de ambos. Quem é virgem,
continue guardando sua virgindade para criar as melhores memórias
durante as núpcias. E quem não é mais, entenda o impacto de uma
experiência sexual e saiba agir daqui para frente com sabedoria: guarde-se
a partir de agora e prepare-se para criar novas e melhores memórias a
partir do casamento.
Tendo dito tudo isso, entenda uma coisa: você vai encontrar dois grupos
de mulheres com opiniões bem divergentes sobre as experiências sexuais
antes do casamento.
O maior grupo, são aquelas que irão relutantemente confirmar que se
sentiram usadas, enganadas, desvalorizadas, descartáveis, rejeitadas,
fáceis e ridículas por terem tido relações sexuais que não se traduziram em
relacionamentos de compromisso. E o outro grupo, bem menor, mas muito
mais barulhento, que dirá: “meu corpo é meu, eu o uso como quiser”, “por
que o homem pode, mas a mulher não?”, “eu pego mesmo, não estou nem
aí”, “quero aproveitar a vida” — e coisas do tipo.
Mulheres que pensam assim normalmente já tiveram várias experiências
ruins e chegaram ao ponto de desacreditar no amor e nos homens — ou
foram convencidas por mulheres que tiveram tais experiências. São
mulheres que podem estar em um estágio avançado de estrago emocional
e psicológico. Há esperança para elas também, se quiserem aceitar a
verdade e abraçar o entendimento divino, em vez da cultura deste mundo.
Cabe a você usar sua inteligência, analisar os resultados de cada
comportamento e chegar às próprias conclusões.
Não ouça suas amigas solteiras nem celebridades que trocam de parceiros
e que são trocadas a cada poucos meses. Ouça quem está do lado de cá,pegando os pedaços dos casamentos destruídos por problemas sexuais que
tiveram início muito antes de se casarem.
É fácil ceder aos desejos sexuais durante o namoro. O difícil é
lidar com as consequências do sexo feito fora do contexto
apropriado.
Não estrague a intimidade futura de vocês por razões fúteis no namoro.
Se vocês se guardarem no namoro, progredirão para uma intimidade
maravilhosa no casamento. Quem respeita a espera para tê-la por
completo, a respeitará por completo para sempre.
“MAS NÓS VAMOS NOS CASAR”
Ok, eu não quero questionar aqui os seus poderes de vidência, mas você sabe
quantas pessoas já tiveram certeza de que iriam se casar e nunca chegaram
ao altar? E quantas tiveram a certeza de que tinham encontrado o amor de
suas vidas e hoje estão desamparadas e solitárias? Não precisa ir longe.
Talvez você conheça alguém. Talvez até você mesmo.
Não, não dá para ter certeza de que vocês vão se casar até que se casem.
Na dúvida, pergunte a alguém que foi abandonado no altar.
Mas este é o argumento mais usado por namorados que querem se tornar
sexualmente ativos antes do casamento: “Qual o problema, a gente vai se
casar mesmo”. Um problema, entre tantos, é que vocês irão diminuir em muito
suas chances de se casarem de fato, depois de irem para a cama.
Na realidade, isto é o que normalmente acontece depois que os namorados
passam a fazer sexo:
Quando o namorado não desaparece logo depois, o namoro passa a ficar
chato porque ela começa a ficar muito mais apegada a ele e com altas
expectativas (graças à oxitocina).
O namoro passa a ficar à deriva, sem a progressão normal para o
casamento, afinal, ele já não vê mais tanto benefício em estar casado.
Como o namoro vai se estendendo por tempo indefinido e nada de
casamento, a ideia de ir morar junto passa a ser atraente, tipo um bem
bolado: menos contas para ele, um namorido para ela.
Lua de mel? Esqueça. Ainda que improvável, se eles realmente se casarem
meses ou anos lá na frente, terão no máximo uma meia-lua de pão nosso de
cada dia. Nada novo, nem especial.
A mulher ir para a cama com um homem antes do casamento realmente é o
cúmulo da irracionalidade. Ela pensa que se ela se entregar logo, acelerará a intimidade. Acha que dando ao homem o que ele quer, ele vai amá-la e
apreciá-la por isso. Aí é que ela se engana. A mulher que faz isso apenas
revela suas profundas inseguranças. Ela teme que, se não ceder, o homem a
deixe. Mas a verdade é o contrário.
A mulher não deve se entregar logo de cara, mas manter um certo mistério
sobre si mesma, que é o que a mantém interessante para o homem. É a
motivação da caça, a fascinação pelo desconhecido. Por que somos atraídos
por mistérios? Por que o homem é obcecado pelos mistérios do espaço, por
descobrir outras galáxias, se há vida em outros planetas etc.? Porque o
desconhecido nos atrai. Somos fisgados por coisas novas, que mexem com a
nossa imaginação e curiosidade. Mas, quando já não há novidade, é como ter
de ouvir alguém contar uma piada que você já conhece.
Esperar para ter a intimidade sexual até o casamento é a melhor maneira de
fortalecer o namoro e se tornarem íntimos. O homem erra aí, insistindo em
fazer da relação uma perseguição sexual. Mas depois que ela cede, a relação
vira um tédio, pois não há mais nada para descobrir… Não há mais prazer
maior a ser alcançado nem mais obstáculos. O resultado é desde o comodismo
até a perda de interesse.
Revelar seu corpo destrói o senso de mistério e, com ele, a intimidade. Logo
o sexo vira rotina e um tédio. Vai chegar um dia em que vocês vão estar
fazendo amor e seu namorado vai estar jogando vídeo game no celular. Outro
dia ele vai lhe dizer: “Vamos lá, rápido, o jogo vai começar”; e terminará
dizendo: “Cadê o controle remoto?”.
O sexo é uma ferramenta poderosa para firmar compromisso, intimidade e
segurança no relacionamento. Mas, quando usada para meros fins recreativos,
egoistamente ou por manipulação, você a desperdiça e estraga tudo.
Se você entender o sexo como ele realmente é — uma união física, mental,
emocional e espiritual que faz um homem e uma mulher se tornarem um —
você verá que quando ele é feito fora do contexto do casamento, gera-se uma
brecha na intimidade do casal.
Por exemplo, se atribuirmos uma escala de 1 a 10 para cada componente de
uma relação íntima total, o melhor sexo possível que um casal poderia
experimentar seria assim:Este nível de satisfação só pode ser alcançado quando há uma troca total em
todos os componentes que afetam a intimidade sexual. O único contexto em
que isso é possível, obviamente, é o casamento. É nele que o casal tem a
expectativa de compromisso total no corpo, nos sentimentos, nos
pensamentos e no espírito.
Mas, fora desse contexto, ocorre várias brechas na intimidade:O único componente sexual que pode alcançar o máximo de satisfação fora
do contexto do casamento é o físico, e olhe lá. Os demais são crivados de
dúvida. Ela pode pensar: “será que ele me ama?”, “será que vamos nos casar
mesmo?”, “com certeza vamos ficar juntos para sempre, não vamos?”, “será
que ele vai me ligar amanhã?”.
E ele pode pensar… Bem, na hora ele só vai pensar uma coisa: “Bingo!”. Mas
depois… “será que ela espera que eu vá casar com ela?”, “tomara que ela não
fique grávida”2
, “espero que o pai dela não descubra”, “será que ela está
esperando que eu ligue?”.
Ela se torna mais apegada; ele, mais escorregadio. E são essas brechas na
intimidade que causam confusão por causa das diferentes expectativas. Assim,
está armado o palco para vários problemas no relacionamento.
COMO VAMOS SABER SE SOMOS SEXUALMENTE
COMPATÍVEIS?
“Mas e se nós nos casarmos e descobrirmos depois que não existe química
sexual entre nós? Não faria mais sentido fazer sexo durante o namoro para ter
certeza de que combinamos sexualmente?”
Essas perguntas parecem muito justas e cobertas de razão. Afinal, ninguém
quer se casar e ter uma surpresa desagradável na cama depois. Baseado
nessa crença, um crescente número de namorados se torna sexualmente ativo
em poucos dias ou semanas após o início do namoro. O que eles não sabem,
porém, é que esse raciocínio é falho. Tanto que praticamente em nenhuma outra área do relacionamento há insistência em fazer um “test-drive” para
testar a compatibilidade.
Por acaso, quando o namorado não tem certeza se vai ser compatível com a
sogra, por exemplo, ele pede para ir morar com ela primeiro para ver se vão
se dar bem depois de casado? Ou quando quer testar se a namorada vai ser
uma esposa que administra bem o dinheiro, ele dá o seu salário todo para ela,
todo mês? Nunca. A insistência no test-drive é basicamente exclusiva ao sexo.
Conveniente, não?
E o que quer dizer “incompatibilidade sexual”, afinal? Digamos que, depois
de casado, o marido mostra que tem a mania de colocar a toalha molhada em
cima da cama — uma irritação comum para muitas mulheres. Seria isso
“incompatibilidade doméstica”? Razão para divórcio? É claro que não. O que os
dois irão fazer é chegar a uma maneira de resolver isso da forma que funcione
melhor para os dois — com diálogo, paciência e novas tentativas. É assim em
todas as outras áreas de divergências no casamento. Não é diferente na
sexual.
O que muitos rotulam de “incompatibilidade sexual” nada mais é do que
diferenças naturais durante a intimidade que todo casal terá de harmonizar ao
longo do casamento. Sexo, como qualquer parte de um relacionamento, é algo
que tem de ser aprendido. Nenhum casal vai se deitar pela primeira vez e “ta-
dá!” — a mágica sexual está completa. Isso só existe nos filmes. Na vida real,
eles terão de trabalhar juntos por um tempo para se acertarem. Não ser
“sexualmente compatível”, na verdade, está ligado à falta de conhecimento,
de desenvolver a afinidade sexual ou algum problema em outra área do
relacionamento.
Mas quando o casal está comprometido e harmonizado nas outras áreas do
relacionamento, eles naturalmente encontrarão o caminho para a afinidade
física também. Alcançar a compatibilidade sexual não é álgebra nem
trigonometria, quando o foco é dar prazer ao outro e não priorizar o próprio
prazer. Quando você foca no outro, você também terá prazer. Homens, podem
grifar a última frase.
Compatibilidade sexual começa nas outras áreas — comunicação, cuidado,
atenção, encontro de mentes, confiança, compromisso etc. Se houver algum
problema no quarto, é a qualidade do relacionamento fora dele que irá ajudar
a resolvê-lo. Salvo por alguma doença ou deficiência nos órgãos sexuais, a
parte física do prazer sexual é a menos desafiadora. E se vocês não se
acertarem no começo, não se preocupem: terão a vida toda juntos para
desenvolver essa intimidade. Essa é a regra, na verdade.
Quando a poeira da paixão e da novidade baixar depois dos primeiros anos
de casamento, o verdadeiro perfil sexual de vocês irá sobressair e revelar este
fato pouco conhecido:
A maioria dos casais é, na verdade, sexualmente incompatível.Isto é, um tem mais desejo que o outro, um é mais ousado que o
outro ou quer mais frequência que o outro. Eles se resolvem
buscando o equilíbrio e se adaptando, como em todas as outras
áreas do relacionamento.
O melhor sexo que você vai ter não será em um encontro de uma noite em
um motel ou durante o namoro — nem nos primeiros anos do seu casamento.
Os melhores anos de um casal, sexualmente falando, normalmente acontecem
na maturidade do casamento, quando eles estão casados por muitos anos.
Um estudo com milhares de mulheres casadas indicou que o ápice sexual do
casal variava entre 16 a 24 anos de casamento. Isso sim é lógico e faz todo
sentido: quanto mais e melhor você conhece alguém sexualmente, melhor
será o sexo entre vocês. Os namorados e solteiros pegadores que me
desculpem, mas são os bem casados de muitos anos que estão realmente se
divertindo na cama! E a surpresa: maioria deles começou com alguma
incompatibilidade sexual.
Mas digamos que um casal de namorados faça o test-drive e se ache
totalmente compatível sexualmente. A questão é: compatibilidade sexual é
garantia de que o casamento dará certo?
Estudos sugerem que uma vida sexual apaixonante pode manter um
relacionamento por até três anos. Depois disso, se não houver mais substância
em outras áreas da relação, a casa cai. Já aconselhamos casais que não
tinham problema algum na cama, mas viviam um inferno no relacionamento.
Como também outros que tinham uma boa vida sexual antes de casarem e
depois, devido a conflitos em outras áreas, passaram a ter problemas na cama
também. Claramente, se dar bem sexualmente hoje não quer dizer felicidade
matrimonial automática amanhã.
Sim, problemas na cama podem surgir até anos depois da lua de mel. A
esposa pode engordar, o marido pode passar por estresse ou sérios problemas
de saúde etc. — e aí? Vocês irão se separar por causa disso? Que tipo de amor
seria esse? Sexo é uma grande parte do casamento, mas o casamento é muito
maior do que sexo. E se você não crer nisso, casamento não é para você.
Uma outra coisa que precisa ser considerada diante da proposta do test-drive
é: como testar a compatibilidade sexual dentro de um contexto de dúvida?
“Olha, eu não sei se vou ficar com você, mas quero experimentar para ver se
eu gosto.” Quão romântico e reconfortante! Poderia haver brecha maior na
intimidade? Entenda:
A própria ausência de compromisso e a presença da dúvida
arruinarão a experiência sexual de qualquer forma, tornando-a
incompleta, especialmente para ela. Não servirá como referência
alguma para avaliar a compatibilidade sexual.
É como testar um carro no calor do deserto para ver como ele desempenharia na neve.
Um outro lado do test-drive é que, como a própria ideia sugere, a conclusão
poderá ser insatisfatória. Alguém poderá dizer “não gostei”. Logo, não rolará
casamento e o outro será rejeitado como “mercadoria estragada”. Você
gostaria de ser essa pessoa?
Considere outro cenário: imagine que você ainda não conheça sua futura
esposa, mas neste exato momento outro alguém a esteja “testando”. Como
você se sentiria sobre isso? Se não deseja isso para você, por que desejaria
para os outros? Se você fosse mesmo comprar um carro, gostaria de levar
aquele que já foi testado por vários clientes ou um 0km?
Desculpe toda essa analogia, se você não for mais virgem. Não estamos
querendo idolatrar a virgindade aqui, nem feminina nem masculina. Em nossa
opinião, você não é uma mercadoria estragada nem está além de encontrar a
felicidade sexual quando se casar porque já foi sexualmente ativo antes. É que
a própria ideia de fazer um “test-drive” é ridícula em si mesma. Tão ridícula
que as próprias concessionárias de automóveis já estão abandonando a opção
de test-drive, especialmente as de marcas mais caras.
Um amigo meu me contou a experiência que teve recentemente quando foi
comprar um carro de uma marca alemã. Ele já havia feito toda a tarefa de
casa, checado na Internet os detalhes do modelo do carro que queria, lido
sobre ele em revistas especializadas, até que finalmente foi a uma
concessionária. Então perguntou ao vendedor se podia fazer um test-drive. Eis
o que o vendedor lhe disse:
— Senhor, nossos carros não estão disponíveis para um test-drive. Temos
tanta certeza da qualidade deles que garantimos a satisfação de nossos
clientes. O senhor quer saber as opções de compra?
Uau! Que confiança no produto, hein? Pois é, sua namorada é muito mais
que um produto. Por que insistir em um test-drive como se ela fosse inferior ou
houvesse algo errado com ela?
Se você quer ter um namoro blindado, insista no seu valor próprio e também
recuse o test-drive. Você não é um produto que precisa ser testado. Se o seu
namorado insistir, apenas responda: “Eu me garanto. Agora, se você quiser
colocar um anel no meu dedo e marcar a data de casamento, podemos
conversar sobre o nosso futuro”.
Dito isso, há sim algumas coisas com respeito a sexo de que vocês precisam
se certificar durante o namoro:
Atração sexual: você se vê fazendo sexo com aquela pessoa pelo resto da
vida? Há desejo sexual entre vocês? Se alguma parte do corpo ou o porte
físico da pessoa lhe dá reações de quem acabou de chupar um limão, isso
não é um bom sinal.
Visão do sexo: se você acha que sexo não é tão importante no casamento
ou o vê como algo sujo, só para o prazer do homem etc. — não se case.Muitas mulheres desenvolvem essa visão, especialmente as que passaram
por abuso na infância ou relacionamentos abusivos. Ambos devem ver o sexo
como ele é: algo extremamente bom, prazeroso e divino.
Dúvidas sobre a preferência sexual: se sentir mais atraído por pessoas
do mesmo sexo.
Problemas de saúde: alguma deficiência física ou doença que possa afetar
o desempenho sexual.
Desvios sexuais: quando a pessoa sente prazer sexual por meio de coisas,
atividades ou situações inusitadas que não sejam o ato sexual em si, por
exemplo, sentir prazer em bater ou apanhar do parceiro (sadomasoquismo)3.
A não ser que essas questões sejam resolvidas antes ou durante o namoro,
não se aventure em casar. E sobre isso, sim, vocês devem conversar e
esclarecer.
Conversar francamente sobre sexo, sem constrangimento e sem levar a
conversa para o sensualismo, é muito importante para o casal que entra em
um estágio maduro do namoro. Faz parte de praticar o amor e a fé
inteligentes. Ainda que vocês só tenham a experiência prática de algumas
coisas depois do casamento, é prudente abordar este tema antes.
Essa inteligência que você está aprendendo aqui lhe será muito mais útil em
definir a compatibilidade sexual entre vocês do que qualquer test-drive. E se
nada do que explicamos até aqui o convenceu, então prepare-se para uma
informação científica que eu considero no mínimo alarmante.
Talvez você ainda pense: “E daí se eu fizer sexo com uma pessoa e não me
casar com ela?”. Bem, você pode querer reconsiderar depois de saber os
resultados de um estudo de 2005 publicado no respeitado The American
Journal of Medicine.
O estudo investigou a presença de DNA masculino em mulheres e como elas
poderiam ter adquirido esse DNA. Não é normal, mas cientistas descobriram
há muitos anos que um número significante de mulheres tem DNA masculino
em seu sangue. Esse DNA veio de algum lugar, pois a maioria das mulheres
não nasce com ele.
O estudo identificou as possíveis fontes de transmissão, que foram: gravidez,
aborto espontâneo, um irmão gêmeo ou relação sexual.
Traduzindo: você pode adquirir células com DNA do seu parceiro sexual,
através de sua corrente sanguínea, que se alojarão para sempre em algum
órgão do seu corpo, inclusive o cérebro. Essas células são como uma marca
dos amantes do passado, um pedaço de história viva dentro de você. Dá um
novo sentido à frase “Não consigo tirar meu ex da minha cabeça”, não dá?
Imagine: você pode estar casada com um homem e ter DNA de outros com
quem você já fez sexo. O que isso pode significar para os filhos que vocês
venham ter? Terão eles uma partezinha dos seus ex-namorados?
Cientistas continuam a investigar, mas o que sabemos até aqui já é assustador. Uma coisa é certa:
Quanto mais parceiros, mais bagagens, mais explicações, mais
comparações… e mais DNAs!
Cristiane
Renato e eu não sabíamos de nada disso quando namoramos. Teria sido
muito esclarecedor se soubéssemos. Nossa decisão de não fazer um test-
drive foi baseada em nossa fé. Ainda que não entendêssemos exatamente
o porquê, confiávamos que Deus sabia o que era melhor para nós. E hoje
vejo que Ele, como sempre, estava perfeitamente certo. E era tudo para o
nosso bem.
Se você já passou pelas mãos de muitos homens ou é um homem que já
teve várias mulheres, esse mesmo Deus lhe dá o perdão, o poder de se
perdoar e também o poder para começar de novo. Esse recomeço não será
sem memórias, mas você poderá escrever novas e melhores memórias do
que aquelas, e elas serão seu novo referencial. Creia.
Os conselhos de Deus podem parecer limitadores a princípio, mas no final
são libertadores. Você fica livre de muitos problemas ao segui-los. E olha
que nós não precisamos tentar usar de argumentos morais ou bíblicos aqui
para convencê-la de que se entregar sexualmente fora do contexto do
casamento é uma má ideia. Estudos científicos robustos e conclusivos sobre
o assunto provam este fato — e seus autores não são moralistas nem
religiosos.
De fato, se há uma área em que há clareza e consistência nas conclusões
de estudiosos é exatamente nos riscos que o sexo fora do casamento
apresenta. Aliás, não é só sexo. A coisa vai mais longe. Outros estudos já
mostraram: morar junto antes de casar também pode ser péssimo para a
sua relação.
E se há uma coisa que o sexo leva você a pensar é que seria ótimo se
vocês morassem juntos. Mas será que é mesmo?
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namoro blindado
Aléatoiremomento mais doloroso em nosso consultório CRISTIANE E EU JÁ PERDEMOS A CONTA de quantas vezes pensamos ao aconselhar casais em nosso consultório matrimonial: "Esses dois nunca deveriam ter se casado". É duro ver duas pessoas que nunca deveriam ter...
