Capítulo 14

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Capitulo 14

Já havíamos saído da ponte a alguns minutos, mas o cheiro do rio tietê continuava a nos perseguir, meus pés doíam, mas não resmunguei em momento algum

—Quer parar um pouco? — Caio falou em tom baixo, atraindo a minha atenção, balancei a cabeça negativamente, mesmo desejando deitar-me naquela rua e cochilar por alguns momentos

—Vamos andar mais um pouco — falei em tom baixo — chegar em um carro — sorri — para poder descansar sentados — ele assentiu, estava tão cansado quanto eu.

As ruas eram desertas, algumas tinham lixos espalhados pela lateral, deveriam ter sido revirados pelos vira-latas que continuavam vivos na rua, fugindo dos infectados e correndo para um mesmo ponto em que se sentissem seguros

—Estranho, não é? — Caio falou em tom baixo — ver as ruas paradas desse jeito — ele sorriu — essa cidade era tão viva... e agora parece que somos os únicos que não querem cometer canibalismo

"Ao menos eles não traem seus companheiros" pensei, tive vontade de dizer isso e pressiona-lo para voltarmos, balancei a cabeça negativamente e suspirei, de fato as memorias daquela cidade enfeitavam minha cabeça, outrora iluminada, barulhenta e povoada, se tornou escura, silenciosa e sem vida

—Você não tem ideia do quanto — Falei em tom baixo, Caio sorriu e continuou a andar, indo em direção ao lado oposto da via, que era separado com uma barricada

—Vamos para o lado de lá — Caio falou em tom baixo, forçou um sorriso e caminhou com passos rápidos, apressei meus passos e o segui, o vi colocar a cesta na barricada e saltar para o outro lado, a pista estava cheia de veículos.

Apoiei a mão na barricada e a atravessei com lentidão, saltei para o chão, caio forçou um sorriso e pegou a cesta, em seguida passou a caminhar entre as barricadas e os veículos que estavam estacionados, o vidro de todos eles estavam sujos de poeira

—Isso é estranho — falei em tom baixo — os carros estão cheios de poeira — Caio assentiu, mas não mostrou grande emoção, aliás, eu mesma não ligava para aquilo, já havia visto alguns carros em situação similar

—Como você acha que esses carros ficaram assim? — Caio falou em tom baixo — parar nesses lugares — sorriu — Acha que estavam indo para uma zona segura? — Não o respondi, continuei a me mover com passos lentos, desejava encontrar um lugar para descansar.

—Estamos quase saindo daqui — A voz de Caio soou baixa, expressando sua mentira — Vamos entrar em um carro e dirigir por algumas horas — sorriu — vamos ter que achar um lugar pra dormir — Concordei com um som, passei a reparar nos veículos que ultrapassávamos.

Empoeirados, amassados em suas latarias, alguns com os vidros quebrados, mostrando que os infectados eram violentos e desgovernados ao passar por ali

—Isso é uma droga — Falei em tom baixo, Caio balançou a cabeça negativamente, sem querer dar atenção as minhas palavras — ficar andando por aí — sorri, olhei para o carro da frente, costumava ser branco, mas agora estava cinza

—Temos sorte — A voz de caio soou baixa — não estamos sendo seguidos por infectados — sorriu — se tivermos de correr — balançou a cabeça negativamente — não acabaria dando muito certo — concordei assentindo. Estava exausta

—Por mim, voltaríamos para o carro. É blindado... essas coisas são loucas, estávamos seguros lá — Ele balançou a cabeça negativamente, mas não estava cogitando aquela ideia, lamentava pelo carro. Mas acreditava ter tomado a melhor decisão

Infectados : O surto.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora