Capítulo 17

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Capitulo 17

Continuamos a andar pelos quarteirões,procurando por um bairro que se fosse no mínimo apresentável.

—Vamos parar agora? — Ele falou

—Não nessas —Minha voz soou calma — Vamos procurar melhor — sorri, fazendo-o concordar com um som baixo, me referia a rua, as folhagens me aterrorizavam, não queria ficar em um lugar que aparentasse estar abandonado.

—Vão estar todas assim — A voz dele soou calma, balancei a cabeça negativamente, desejando encontrar uma casa que considerasse estar em bom estado.

Cerca de quinze minutos depois, chegamos em que costumava ser uma zona comercial, haviam bares e restaurantes. As portas fechadas e pichadas com as mesmas coisas, provando que os pichadores queriam levantar uma espécie de protesto

—Quer entrar em um destes lugares? — Ele falou em tom baixo — pra ver se tem algo pra comermos? — balancei a cabeça negativamente — dá pra abrir os portões — ele forçou um sorriso, mas estavam fechados com cadeado

—Uma casa de verdade —falei em tom baixo — estou afim de dormir em uma cama —sorri — você não?

Uma casa pintada de laranja, as grades do portão eram verdes e poderiam ser puladas facilmente, além disso havia um carro coberto por uma lona

—É essa? —ele falou com certo deboche, desaprovando minha escolha, eu assenti, em seguida coloquei a cesta perto do portão e dei início a minha escalada, pulei o portão com certa lentidão, saltei de cima, caindo a poucos centímetros do carro, senti minhas pernas doerem, mas levantei-me com lentidão e fui até o portão

—Vem — falei em tom baixo, ele olhou de um lado a outro antes de pular o portão com facilidade, não saltou direto, usou as grades do portão para reduzir um pouco da queda, retirei as embalagens de absorventes da cesta, assim como a última lata de comida

—Tanto lugar pra passarmos a noite — falou em tom baixo — você vem escolher logo essa casa... não tem nem cobertura —dei de ombros e fui em direção a alguns vasos que estavam em frente a porta. Todas as plantas estavam mortas, mas esconder uma chave no vaso era a coisa mais previsível do planeta.

Larguei as embalagens de absorvente em cima do carro e voltei a caminhar, levantando os vasos com facilidade, ao todo foram seis, a chave não estava em nenhum deles, Caio continuava a me observar

—Achou mesmo que teria uma chave de baixo de um vaso? — ele falou com deboche — isso aqui não é um filme — balançou a cabeça negativamente, senti arrependimento de ter escolhido aquele lugar, minha perna ainda doía por conta de ter pulado o portão.

Com esperança fui até a porta e girei a maçaneta com força, em seguida a empurrei lentamente, fazendo-a ranger enquanto abria, Caio veio até mim e a fechou com força

—Ficou louca!? — meu coração havia acelerado

—Vamos entrar — falei em tom baixo, ele balançou a cabeça negativamente

—Não sabem abrir portas. Podem ter zumbis lá dentro... você —eu chacoalhei meu braço, me livrando de suas mãos, em seguida bati na porta com a palma aberta, repetitivamente, o fazendo recuar com dois passos

—Bruna, para com essa merda! — ignorei suas palavras e continuei a bater, por alguns segundos, em seguida virei-me em sua direção

—Sem barulho de resposta, não tem zumbis aqui — tornei a abrir a porta, senti um frio na barriga ao ver a luz invadindo o lugar, primeiro reparei em um sofá que bloqueou a porta, depois em um rack cinza que estava à frente do sofá, no rack tinha uma TV de tela plana e um videogame, percebi uma escada de madeira que ficava escondida atrás do sofá que bloqueava a porta, abaixo dela havia outro sofá, este de dois lugares.

Passando o sofá havia uma porta, ao lado dela uma parede e outra porta, pude reparar em um corredor escuro, que tinha algumas fotográficas e quadros na parede

—Parece estar limpo — A voz de Caio veio de trás de mim, ele passou por mim e parou no meio da sala, olhando fixamente para as duas portas, levou os olhos para o corredor escuro — Alguém? — A voz dele ecoou no lugar, voltei a andar indo em direção a porta mais próxima do sofá, bati três vezes antes de abri-la, revelando uma cozinha, organizada, algumas panelas acima de uma mesa de madeira, uma janela empoeirada ao lado de outra porta.

Caio entrou com passos lentos e foi direto ao armário, o abri com pressa, revelando algumas embalagens de comida, que o fizera dar risada, caminhei com passos lentos para a porta ao lado, a abri com lentidão, revelando um lugar escuro, havia uma cortina preta em frente a uma janela larga.

"Coragem" pensei antes de ir em direção a janela e puxar a cortina para o lado, em seguida engoli em seco, sendo sabotada por minha mente, que dizia que teria infectados atrás de mim quando virasse, reparei no quintal largo, que tinha uma bola de frente a uma parede, que tinha alguns vasos de flores, todas mortas

—Um quarto — A voz de caio atraiu minha atenção, me fazendo virar para trás e reparar em uma cama de casal, que tinha cobertas dobradas, ao lado da cama havia um guarda-roupas largo, que era composto por grandes espelhos

—E a comida? — falei em tom baixo

—Tem água na pia, podemos cozinhar o feijão — sorriu — uma vez eu li que feijão não vence — fez uma pausa — nem açúcar e farinha de trigo — balançou a cabeça negativamente — e felizmente também temos farinha e açúcar

—Nossa — falei com um sorriso, passei por ele, indo direto para a cozinha, onde fui para a pia, abri a torneira, fazendo um jato d'agua sair com força, lavei minhas mãos com rapidez, em seguida bebi um bom tanto d'agua antes de Caio fechar a torneira

—Economiza — A voz dele soou calma — não sabemos se a caixa tem muita agua — assenti, o vi caminhar para a mesa e pegar uma panela grande, em seguida voltou a pia e ligou a torneira, passou a mão dentro da panela, retirando a poeira que havia se juntado nela, a encheu de agua e fechou a torneira, deixou a panela na pia.

—Vou dar uma olhada no resto da casa — ele falou, saiu da cozinha, fui até a panela e a utilizei como copo, bebendo um bom tanto d'agua antes de sair da cozinha e ver a figura de Caio no fim do corredor, que tinha uma fraca iluminação saindo da porta, fui até lá com passos rápidos, vendo uma janela no banheiro, que iluminava o lugar.

—O lugar é perfeito — falei em tom baixo, ele assentiu, naquele momento decidimos que aquele lugar seria nossa zona segura.

Ao menos enquanto durasse.

Infectados : O surto.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora