7 | De volta para você

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"E se depender dele?" Sussurrei, pegando uma vassoura que estava próxima para iniciar meu trabalho.

Infelizmente, Courtney estava prestando atenção. "O que disse, Evelyn?" Sua mão agarrou meu pescoço. "Kurt nunca olharia para uma basiquinha feito você. Ele precisa de loucura, de paixão, de uma parceira para suas drogas. Cobain precisa de mim." Cuspiu em meu rosto, enquanto eu tentava respirar.

"Courtney, Courtney..." Andy entrou na cozinha. "Fazendo mais um de seus showzinhos e nem me chama." Expressou um sorriso de canto. Me senti como um animal para seu entretenimento.

"Escute essa, docinho. Evelyn Hate acha que Kurt está em suas mãos e que eles viverão felizes para sempre." Alisou meu rosto avermelhado com o dedo indicador. Andy pareceu incomodado por sua mulher citar o nome de seu ex com certa possessão, mas logo contribuiu para com o joguinho.

"Tola, o que te faz pensar isso?" Soltou uma longa risada e abriu mais uma cerveja após ajustar a alça de seu macacão jeans escuro. Mantive silêncio.

"Andy, aponte sua arma para ela. Agora." Os meus olhos e os olhos dele, sincronizados, expandiram-se, querendo sair de suas órbitas. Eu não queria morrer e ele não queria matar alguém porque, provavelmente, sabia que era muito burro para escapar de ser preso pelo crime. Entretanto, com a mão trêmula, de suas costas, tirou o objeto que estava atado ao cinto.

Love sorriu com o batom cor de sangue borrando cada dente amarelado de sua boca, e me jogou sobre uma das cadeiras. Meu corpo fez um estrondoso ruído ao despencar e a cadeira quase caiu para trás. Nesse momento, encarei o cano cinza e obscuro da arma apontada para minha cabeça. Era como o olhar da morte ou o dia em que Cobain tentou suicídio.

"Pegue o telefone e ligue para a clínica." Fui ordenada. "Ande logo, imbecil. Você saberá o que fazer em seguida." A guitarrista prosseguiu, muito incomodada.

Disquei o número com amor, pois poderia ser a última vez em que estava fazendo isso em vida. "Peça para falar com o Kurt." Acendeu um cigarro. Andy estava mais confiante e relaxado com a arma em suas mãos.

Fiz o que ela pediu, sem poder encará-la nos olhos ou chorar. Parecia estar anestesiada ou conformada com meu destino. A recepcionista requisitou que eu esperasse alguns minutos na linha, o que foi ouvido pelos presentes.

"Quando ouvir a voz de Kurt, diga que não quer mais vê-lo. Diga que sente que se aproximaram demais e que você o odeia. Diga que você odeia quando ele bebe, quando ele fuma, quando usa drogas e quando respira." Courtney impôs, sádica e com um olhar divertido.

"E-eu não posso fazer isso... Kurt nunca acreditaria nessas palavras. Ele sabe quem sou e o que sinto." Ouço o barulho da arma sendo completamente preparada para um disparo.

"Então é bom que seja convincente." Courtney sorriu.

"Ev?!" O vocalista soou do outro lado da linha, tão animado quanto crianças no Natal. Senti meu coração morrer como se tivesse levado o tiro. Não consegui responder, meu nariz fungou e um choro iniciou-se. A guitarrista chutou minha cadeira, mandando com que eu falasse e Andy se aproximou.

"Kurt..." Seu nome deixou meus lábios como um suspiro que forçou a saída da minha boca, em pedido de socorro.

"Hey, anjo..." Sua voz era cheia de amor. "Você está chorando. O que aconteceu?" Anjo. Cobain era bom demais, era perfeito. Quase desmoronei com sua fala suave e preocupada.

Encarei a pistola e ela me encarou de volta. "Eu liguei para..." Falhava constantemente.

"Por favor me diga." O vocalista implorou.

"Liguei para dizer que não vamos mais nos ver." Chorei. "Não podemos continuar com isso, não posso lidar com seus vícios e te salvar o tempo todo..." Eu quase gritava de dor e arrependimento. Andy, com o metal agora contra minha cabeça não significava muita coisa. Eu havia perdido Kurt Cobain sem nem ao menos tê-lo.

Salvando Kurt CobainOnde histórias criam vida. Descubra agora