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Senti o hálito quente de Kurt contemplar minha testa, quase como um carinho. Ele chamava meu nome na tentativa de me despertar.
Nas primeiras vezes em que o fez, recusei-me a abrir os olhos ou realizar qualquer movimento. Seu peito era tão confortável e aquecedor, e o braço que passava por minhas costas formava um berço que me ninava e protegia.
"Hey, Ev..." Acariciou meu maxilar. "Eu sei que você já está acordada." Ouvi o vocalista rir e só então encarei-o, arrastando por seu suéter macio a metade do meu rosto que nele repousava, e colocando juntos os nossos olhares.
Eu ainda podia perceber o tremor da van. Estávamos sentados nos bancos de trás, sozinhos, cercados pela escuridão da estrada deserta.
"Anjo... O que foi?" Perguntei sonolenta ao esfregar os olhos.
"Estamos quase chegando."
"Ah, okay. Obrigada pelo aviso." Respondi docemente, confusa sobre o porquê daquilo ser importante a ponto de me acordar. Após sorrir, fiz menção de voltar a usá-lo como travesseiro, à medida que as luzes de um túnel se aproximavam.
Antes que eu pudesse retornar a dormir, Kurt segurou minhas coxas e me colocou em seu colo.
"Não, sem mais dormir, Ev." Mesmo assustada com seu repentino gesto, pude observá-lo melhor sob a iluminação da passagem coberta. Havia um brilho diferente nas feições de Kurt. Algo genuíno, como sempre, mas mais aventureiro, travesso e favorável ao risco. Havia vida, um tipo de vida capaz de acelerar nossos corações até que os ouvíssemos. Um tipo de vida que eu nunca havia visto nele. "Você não sabe o quanto é difícil te ver dormir, tão perfeita, e não poder te beijar ou te tocar direito. Às vezes eu tenho medo que você escorra dos meus braços como grãos de areia e suma."
"Ah, Kurt..." Beijei-o suave, provando do seu gosto como se fosse a primeira vez. "Rendida, de fato. E é por isso que não vou a lugar nenhum, está bem? E juro que permanecerei intacta." Sorri. "Você me acordou por isso? Está inspirado?"
"Eu queria que visse as estrelas também." Apontou para a janela, exibindo seu anel de prata cintilante no último dedo de sua mão direita. "Mas agora estamos nesse túnel..." O vocalista pareceu protestar, soando como um garotinho de 6 anos emburrado.
"É, que saco estar aqui, podendo encarar somente o homem mais lindo do mundo." Fingi chateação, arrancando uma risada tímida de Kurt. Suas mãos agarraram ainda mais minha cintura. Seus olhos, admirados e céticos em relação ao elogio, se fixaram nos meus quando o silêncio se instaurou no ambiente.
"Eu amo você..." Ele sussurrou. Entretanto, não me permitiu retribuir, pois havia me trazido até seus lábios. Um beijo quente e lento teve início. Se eu não estivesse ocupada demais aproveitando-o, rezaria para que nunca acabasse.
Kurt envolveu seus dedos com as mechas do meu cabelo e as puxou, me forçando a expor meu pescoço, lugar onde ele se permitiu deixar alguns chupões. Enquanto isso, eu controlava minha respiração e mantia meus gemidos baixos tanto quanto podia. Corri minhas mãos por baixo da peça que vestia, investigando cada pedacinho da pele de seu abdômen.
Uma urgência crescia entre nós, intensificada pelo silêncio interrompido que nosso fôlego violento e murmúrios proporcionavam. No ímpeto, quando Cobain beijava meu maxilar e cobria minha garganta com suas mãos, agarrei seu cinto, pressionando o vocalista ainda mais contra meu corpo.
"Porra, Evelyn..." Balbuciou. As palavras pareciam pesadas demais para deixar sua boca. Aquilo havia dado o controle inteiramente para mim. Sorri de contentamento e arranhei suas costas. Kurt suspirou em meu ouvido, me levando a outro nível de loucura, e mordeu seu lábio inferior. Beijei-o com sede.
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Salvando Kurt Cobain
FanfictionKurt Cobain jurou que não tinha uma arma, mas Evelyn Hate sabia que isso era uma mentira.
