Capítulo 15- O que você quer da gente?

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As aulas passavam muito devagar, eu não aguentava maissss!!!
Até que o sinal tocou pela quarta vez naquele dia, era o intervalo.
Eu estava com o meu grupinho e Peter com os meninos, que estavam andando na minha frente. Por impulso, andei mais rapidamente passei entre Peter e Félix, peguei a mão de Pan e andava ainda mais rápido, chegando num caminho que virei a esquerda pra sentar num banco que havia lá.
-Agora você vai me contar- eu disse com rispidez.
Peter apenas riu.
-Pelo que você fez eu vou sim- ele disse e continuou rindo.
Como eu poderia falar isso?- ele pensou.
-O que você acha...quer da gente?-Pan me perguntou e eu apenas petrifiquei, não conseguia pensar ou falar.
Mas quando ele ia começar a falar, simplesmente chegou uma menina de outra turma sentando entre nós.
-Oi Peter- ela disse dando uma risadinha e enrolando as pontas do cabelo com os dedos.
Mas Peter não respondeu e fez uma expressão confusa, como eu também fiz.
Pan apenas levantou,foi até mim, pegou minha mão e saiu andando para longe dali.
Apenas via e escutava risos vindos de vários grupinhos e a cara de m**** dela. Não posso negar que foi incrível, eu só seguro a vontade de rir, e vai que ela não meche mais com o MEU namorado. Pera, namorado, que????
Nós descemos algumas escadas até chegar em outro banco um pouco mais afastado.
Engoli a vontade de rir, eu queria apenas abraçá-lo. E quando eu vi eu estava fazendo isso. Socorro...
Eu apenas me separei um pouco desconcertada e ele deu um sorrisinho.
-Bom...continuando... em relação àquela pergunta...Porque sábado VOCÊ me beijou, é claro que eu não ia fazer isso sem a sua permissão, mas não fui eu. E depois você não fala mais nada. Até EU não tô entendendo.-ele continuou e deu uma risadinha.
- Sinceramente Peter, nem eu sei. Naquela noite eu tava me divertindo tanto com você e com os outros, que eu só queria esquecer tudo, tudo que não parava de passar na minha cabeça, tudo que eu não conseguia esquecer por um segundo. E naquele tempo, que foi mais de um segundo, aquilo me deixou em paz. E eu te beijei, sim, eu tava com saudade daquilo e... de fazer essas coisas com você. Mas... Eu tenho medo Peter. Eu tenho medo de me machucar de novo porque eu não consigo mais, eu sei que você vai embora, você não vai ficar aqui pra sempre, eu nem sei o porquê você veio... Você não tem noção de quantas vezes eu acordava a noite esperando que você estivesse do meu lado pra me sentir segura. E se isso acontecer de novo, eu vou ficar mais esperançosa depois, mas você já não vai estar aqui. Toda p*** de noite eu deixava a p*** da janela aberta, eu já não controlava esse costume, e agora você tá aqui e... e eu não sei o que fazer. Eu queria tanto...
- Queria tanto...- ele disse calmamente.
- Queria tanto estar com você Peter - uma lágrima teimava em cair, merda de sentimentos.
Peter Pan ficou quieto por um segundo, mas logo começou a falar.
- Você não sabe o quanto eu odeio ter feito isso, você acha que eu me orgulho disso? Eu já expliquei o que aconteceu, e eu não posso falar que eu estou arrependido porque eu me machuquei pra te proteger também, mas a única coisa que eu me arrependo foi ter te machucado. Eu não sabia que você ia ficar daquele jeito e você sabe que você é a única pessoa que eu já falei uma coisa dessas.
Eu ri, pois Peter Pan nunca falha. E ele não usou a palavra falhar, mas....
- Eu estava lá pássaro. Todas as noites eu estava lá e você esquece muito de colocar o cobertor- ele deu uma risadinha - Sim, eu tô num tipo de missão. Eu poderia ter deixado isso de lado, mas eu vim sabendo que ia te encontrar. Eu não precisava estar nessa escola, mas eu só tô porque aqui eu posso olhar você a todo momento, e isso me incentiva... e muito.
Ele tirou uma mecha de cabelo que teimava cair no meu rosto e a colocou atrás da orelha cuidadosamente. Nós dois havíamos se machucado, eu poderia entendê-lo. Eu acho.
- Eu não posso admitir isso, pela nossa proteção.
Medo, ele pensou.
- Eu...
E toca a p*** de sinal.
- Você...
Antes dele falar uma das pessoas que trabalhavam lá ia quase nos empurrando dizendo para ir pra aula.
Quando íamos andar, ele me puxou pra perto.
- Você não sabe o quanto eu odeio ver você assim, principalmente quando fui eu que fiz.- ele cochichou.
E então subimos as escadas. No caminho, sinto dedos envolvendo os meus, apenas fiz o mesmo com os dele. E fomos assim para a aula, sendo separados pela distância das carteiras.

Se passaram as últimas aulas e tocou o último sinal, era a saída.
Já lá embaixo encontrei o Peter e me aproximei do seu ouvido.
-Eu vou pensar.- eu disse com a voz rouca. E em seguida lhe dando um beijo no canto da boca, mostrando ser uma promessa.

My black hair and your black heartOnde histórias criam vida. Descubra agora