Capítulo 36- Uma Mãe

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No próximo dia fui pra casa de Peter, não sei seu eu disse que eu na hora eu acabei levando meu celular para Neverland. Claro que lá não tem rede ou algo assim, apenas a câmera funcionava e depois de um tempo consegui convencer Peter a fazer alguma coisa pra bateria do meu celular, então eu tirava muitaaa foto.
Sentei com os meninos na sala de cinema e conectei meu celular no telão, ficamos o dia rindo das nossas caretas, admirando as paisagens de Neverland, rindo das caras dos piratas etc.
À noite eles tinham que ir, então fiz o prato favorito deles e a melhor sobremesa que podia. Pra fechar, mostrei pra eles um filme, nada menos que Peter Pan (de 2003), as reações deles eram engraçadas.
Lá fora havia tipo uma caminhonete fechada, uma van, eu não sei o nome daquilo.
-Peter como vai caber todo mundo?
-Entra lá
Se eu couber eu vejo né. Fui dar uma olhada e... ele tinha usado magia, como eu não tinha pensado nisso? Ali dentro era tipo uma casa, fiquei mais tranquila.
-Já está meio tarde, quer que eu coloque os meninos pra dormir?
-Acho que eles vão gostar
Entrei lá dentro e fui pra um quarto enorme onde os meninos estavam, tinha a opção de deixar um quarto só ou separá-los. Contei uma história e acabei cantando uma musiquinha de dormir, dei um beijo e cobri cada um como uma mãe que eles me viam.
-Eu te deixo no caminho- Peter disse
-Ok obrigada- então entrei no lado do passageiro
Chegando na minha casa eu sentia que não queria sair do seu lado, simplesmente não queria.
Olhei pra Peter esperando que o tempo parasse um pouco naquele momento.
Eles voltariam e eu vou estar aqui esperando.
-Me liga quando chegar lá?
-Sim
-Boa viajem pra vocês, cuidado com a estrada e fica atento.
Peter começou a rir.
-Sério?
-Eu só tô preocupada.
Peter me deu um beijo.
-Eu te amo. Lembre-se: Venha o que vier, não é??
-Venha o que vier. Eu te amo.
Dessa vez fui eu que lhe dei mais um beijo.

Flashback on
Quando eu estava indo para a cabana, alguma coisa dizia que eu deveria olhar mais uma vez os meninos.
Mal não ia fazer, então eu fui.
Quando cheguei num quarto, havia um dos meninos perdidos mais novos, Ed, acordado e parecia apreensivo.
-Hey, Ed. Está tudo bem?
-Eu...não sei. Acho que eu tô com medo, só um pouquinho. Mas me falaram que eu tenho que ser bravo e corajoso.
Amanhã seria sua primeira brincadeira sem ajuda.
-Sabe Ed, você não precisa ser bravo e corajoso todo momento- nesse momento tentei fazer uma careta brava- até as pessoas mais corajosas precisam de um momento de pausa.
-Eu acho que você é bem corajosa, você tem pausa?
-Com certeza, acho que praticamente todas as noites eu sinto que preciso "descançar" um pouco. Olha, vou te dar uma dica. Acho que todo mundo deveria ter algo que parece te entender e deixa você soltar tudo o que tem dentro de você que tá te machucando ou te fazendo mal. Você não tem o seu ursinho? Quando você precisar de uma pausa, abraça ele bem forte que é como ele tirasse todo esse sentimento ruim de você.
-O que você tem?
-A Lua e as estrelas. Eu sento na janela com cuidado e quando eu olho pra elas eu sinto que posso me soltar e relaxar de tudo.
-Gostei disso.
-Eu vi os seus treinos e o seu esforço, tenho certeza que você vai se sair muito bem amanhã.
Ele abriu um sorriso grande e muito fofo.
-Você pode ficar mais um pouquinho comigo?
-Claro meu amor. Vem aqui.
Peguei ele no colo, não era tão leve mas havia me equilibrado. Cantei uma musiquinha bem baixinho até ele dormir, então o coloquei de volta na cama.
Seus olhos estavam pesados e seu narizinho vermelho, ele tinha algumas sardinhas e parecia ter covinhas. Parecia um anjinho.
Me lembrei da minha irmã, quando ela ficava com medo eu falava a mesma coisa pra ela. Apesar de tudo, eu não deixaria ela vir pra cá e ainda sozinha, se às vezes é difícil pra mim imagina pra ela, toda a violência e essas coisas... Eu sinto muita falta dela, mas eu sei que ela está bem e é isso que importa.
Olhava a carinha dos meninos, naquela vida que muitas crianças brincam ter, com piratas, luta e sem adultos. Eu daria o meu melhor pra fazerem elas se sentirem felizes e seguras, sentirem que tem uma mãe, aquela que pegaria no pé deles, abriria os braços pra quando precisarem e os protegeria.
Flashback off

My black hair and your black heartOnde histórias criam vida. Descubra agora