Punição

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O conteúdo pode ser forte para alguns. Caso seja muito sensível, eu não indico a leitura.

[...]

Midoriya estremeceu, com medo de ser sua mãe ou um de seus amigos na gravação. A única coisa que o deixava tranquilo era saber que ninguém morreria, pois ele havia falado "você sabe como funciona". Receoso, pegou seu celular e desbloqueou. Estava tão desesperado que chegou a esquecer da presença de Bakugou. O outro se aproximou e ficou ao seu lado, tendo uma boa visão do celular de Midoriya.
Hesitante, ele clicou em abrir.

Não havia nada, só uma tela preta. Alguns segundos depois, uma voz distorcida começou a falar:

— Meu anjinho... como eu estou decepcionado. Pai também está, e muito. Ele quebrou uma parede de raiva, como você vai compensar isso? Hehe... não se preocupe, eu sei que você está bem cansado da ultima punição. E é por isso, e por te amar, que eu peguei outras pessoas para te substituir. Não se preocupe, eu só vou matar um deles.

Bakugou franziu a sobrancelha, se sentindo confuso e perturbado. Midoriya sentiu a esperança ser arrancada dele, a ultima frase indicava a morte de um deles. Tem dois, duas pessoas que sofreriam por sua culpa. Seu corpo tremia, nem chegou a ver quem eram eles e já chorava desesperadamente.

Com um bip a tela se iluminou, mostrando duas pessoas de joelhos. Os cabelos loiros espetados da mulher e o homem de cabelos marrom e óculos eram inconfundíveis para Bakugou, que arregalou os olhos sem entender nada. Midoriya fechou o vídeo e arremessou o celular longe, soltando um grito inaudível. Ele começou a rir, enquanto chorava, segurou fortemente seus braços e rolou no chão. Bakugou se aproximou e pegou seu celular, o que fez Midoriya voar nele.

— Não! Não veja!!! — Ele gritou, tentando pegar seu aparelho de volta.

— Sai! — gritou Bakugou, que empurrou Midoriya para longe.

O garoto segurou seus cabelos, voltando a rolar no chão. Ele murmurava coisas desconexas, tentando se acalmar. Parecia um lunático, alguém totalmente doido.
Bakugou clicou no vídeo, pulou o início e assistiu.

— Senhora Bakugou... a senhora é muito bela. Oh, não me olhe assim... eu sou fiel, meu pequeno Izuku ficaria enciumado. — A voz do homem no começo soou novamente, parecia estar atrás da câmera.

O local era sujo e escuro, parecia um porão. O pai de Bakugou foi colocado de frente a sua mulher, para assistir o espetáculo. Alguns homens entraram, sem mostrar os rostos. Eles eram nojentos, pareciam mendigos pegos aleatoriamente na rua. As roupas da mulher foram arrancadas, então todo o ato hediondo começou. Ela tentou morder a língua varias vezes, por isso, colocaram uma mordaça nela.

O marido dela chorava, assistindo tudo tentando se soltar. Sempre que ele fechava os olhos ou abaixada sua cabeça alguém arrancava uma de suas unhas. A mulher não chorou, apenas grunhiu em ódio o tempo todo. Depois dos nojentos e imundos homens terminarem, eles avançaram no homem. Deixando a mulher assistir, completamente em choque.

A mesma coisa foi repetida, a diferença era que ela não desviava o olhar, só avançava feito doida ate eles. Parecia que a dor não incomodada, mesmo com as correntes rasgavam sua carne, ela continuava a avançar, tentando salva seu marido.

Depois dos homens acabarem, começou a tortura física. Pedaços de arames foram enfiados nos dedos do casal, os dentes foram arrancados, pele sendo cortada e puxada para fora, queimaduras... era um sofrimento interminável. Sempre que estavam perto de perder a consciência alguém aparecia para curar as feridas, e tudo se repetia. Bakugou lembrou do que Midoriya havia falado "sempre que dói muito, ele me ajuda a curar.", era sobre isso? Isso era para ser gentil?

O loiro assistiu o vídeo todo, sem se mover do local. Parecia que o vídeo não acabava, Midoriya já tinha se acalmado, estava ouvindo tudo enquanto encarava Bakugou. Ele ficou o tempo todo tentando interromper, mas levava chutes para se afastar. O garoto tentou falar varias vezes, sempre perdendo a as palavras no caminho. Bakugou não se importou, em nenhum momento desviou sua atenção do telefone. A única coisa que vazia era segurar vontade de vomitar, seus olhos estavam vermelhos, pareciam furiosos e tristes.

Os últimos minutos do vídeo finalmente chegaram, a voz voltou a falar:

— Senhores, vocês se saíram muito bem. Mas agora vem a melhor parte... — A câmera se aproximou, parecia grudada no homem de voz distorcida. Suas mãos surgiram e seguraram os braços das duas pessoas, que continuavam uma na frente da outra. Ambos estavam nus, cobertos de sangue, suor e esperma. O pai de Bakugou chorava, a mãe estava com um rosto furioso e enojado.

— São vocês que vão decidir... quem dos dois vai viver? — Perguntou a voz distorcida, parecendo muito satisfeito.

O primeiro a falar foi a mulher, que praticamente gritou em desespero:

— Ele! Ele vai viver!

O homem fez uma expressão aflita, lágrimas escorrendo como uma cachoeira.

— Não... por favor. É ela quem tem que viver. Leve minha vida, é insignificante de qualquer maneira. Você... precisa cuidar de Katsuki, querida. — O homem disse, sua voz sendo suave no final. Ele sorriu gentilmente para sua esposa, parecendo determinado.

— Não! Seu covarde de merda, não se atreva! — A mulher gritou de volta, parecendo revoltada.

A risada do homem os interrompeu, parecendo curtir o show.

— Já que vocês estão nessa de casal apaixonado, eu escolho. Eu sou um cavalheiro, por isso "primeiro as damas". — Um segundo depois, a mulher parecia ser cortada em pedaços, seu corpo sendo reduzido a pedaços e pó. O vídeo finaliza com o gritou alto do homem, que fez todos os pelos de Bakugou se arrepiarem.

O silêncio se instalou, Bakugou falou depois de um longo tempo.

— ... que tipo de piada é essa? — perguntou, analisando Midoriya.

A reposta foi o silêncio, um silêncio longo e vazio.

— Isso é uma ilusão? — insistiu, querendo uma resposta.

Midoriya mais uma vez ficou em silêncio encarando o chão.

— Você pelo menos tá me ouvindo?! — Bakugou se levantou, assustando Midoriya.

Com um aceno frenético ele concordou, voltando a chorar e abrir a boca na intenção de formar frases.

— Eu... eu... e-eu... — tentou, sentindo as lágrimas escorreram do seu rosto. O que deveria dizer? Sequer sabe se o vídeo é uma ilusão ou não. Se não for, como pedir desculpas por matar a mãe de quem ama?

Bakugou percebeu que era sério. Sua mãe... provavelmente está morta. Ele se inclinou para o lado e vomitou, sentindo sua garganta queimar. Depois de colocar tudo para fora, pegou seu celular e, usando a janela, saiu dali. Sequer olhou para trás, não parecia se importar nada nem ninguém.

Bakugou riu enquanto discava o número da sua mãe, aquilo não era real. Não poderia ser real. Ele viu sua velha a alguns dias, ela estava bem. Estava forte e saudável, como sempre.

— ... sua chamada está sendo encamin... — Bakugou desligou, discou o do seu pai e ligou.

— ... sua chamada... — Bakugou encarou seu celular, com um olhar vazio.

— HAHAHAHAHAHA isso é sério? — perguntou, sentindo grossas lágrimas escorrerem por seu rosto.

Não me deixeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora