Capítulo 31

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Quase dois meses depois, chegou o dia do resultado da prova, eu estava nervosa e toda hora conferia o site para ver se já tinha saído o edital

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Quase dois meses depois, chegou o dia do resultado da prova, eu estava nervosa e toda hora conferia o site para ver se já tinha saído o edital.

- Já é a quinta vez em menos de duas horas que você entra nesse computador, Isabela. – Bernardo disse revirando os olhos.

- Eu sei, mas eu estou ansiosa. Não reclame. – Eu disse.

- Tá. – Ele concluiu.

Continuamos assistindo o programa que passava na televisão e horas depois eu tentei novamente. Adivinhem só? O edital tinha saído e eu tinha passado.

- Passei! – Eu gritei.

- Parabéns, amor. – Ele disse, rindo da minha euforia.

- Mãeee! – Eu disse e saí correndo.

Minha mãe, a Cida e o Ricardo riram da minha animação, mas todos me desejaram parabéns e muita sorte. Eu tinha muitas coisas para resolver porque até então eu só tinha me preocupado em passar. Então, agora... o que eu deveria fazer?

Ao pensar que iria embora dali, eu entristeci.

- Que foi, meu bem? – Bernardo me perguntou.

- Eu... Passei. – Eu disse e me sentei no sofá, pensativa.

- Isso é ótimo, não? – Ele arqueou a sobrancelha.

- Mais ou menos. Vou morar no Rio de Janeiro, Bernardo. – Eu disse.

- Sim, eu sei. – Ele disse.

- E pra você tá tudo bem isso? Nós vamos ficar afastados, eu vou me afastar de todo mundo e isso não é exatamente o que eu quero. – Eu respondi.

- Tenho certeza de que vai dar certo, e você vai escolher o que é melhor pra você. Todos nós continuaremos com você, eu posso arrumar umas folgas pra ir te ver e você pode vir pra cá nas férias. – Ele disse. – Nós vamos ficar bem.

- É... – Eu disse.

- Por que você não liga pra Alice e vocês marcam de comer alguma coisa? – Ele sugeriu. – Aí você conversa com ela sobre isso.

- É uma boa. Farei. – Dei um beijinho na bochecha dele e o abandonei na sala, subindo as escadas e chegando no meu quarto.

Andei pra lá e pra cá, e liguei pra Alice.

- Amiga, oi. Eu passei. – Eu disse, e pude ouvir gritos alegres do outro lado da chamada.

- Ah, meu Deus! Parabéns, isso é ótimo! Ótimo mesmo! – Ela disse.

- Eu sei, obrigada. Mas eu... preciso conversar sobre isso com você. – Eu disse.

- Tudo bem, você quer que eu vá aí ou você vem aqui? – Ela perguntou.

- Nós vamos sair pra comer, Alice. – Eu respondi.

- Hummmmm! Certo, certo. Vamos lá, quando e onde? – Ela perguntou.

- Hoje, às 19:00 no quiosque 5 da praia. Okay?

- Okay! – Ela disse. – Te vejo mais tarde, beijos.

Voltei pra sala e assisti um filme com o Bernardo. Minha mãe e o Ricardo disseram que iriam passar uns dias no rancho, e iriam justamente naquele dia. Então, Bernardo ficou de me levar para sair com a Alice.

Por volta das 18:00 eu tomei um banho e me organizei. Separei uma roupa leve, nada muito trabalhado. Saímos de casa faltando uns 15 minutos e fomos para o quiosque. Bernardo me fez companhia até Alice chegar, depois se despediu e me pediu pra ligar quando eu fosse embora. Retribui o beijo que ele me deu e assenti com a cabeça.

- E então! Conte-me, como é ser universitária? – Ela perguntou.

- Ainda não é oficial. – Eu ri. – Mas, estou feliz.

- É óbvio que está! Dã! – Ela fez uma careta e nós duas rimos.

- Mas me incomoda saber que vou deixar tudo isso para trás, sabe? – Eu comecei. – Estou tão bem com ele, e você sabe o quanto foi difícil eu ceder para tentar algo com alguém de novo depois do Enzo. Minha mãe está reconstruindo a vida com dela com o namorado, meu pai está feliz com a outra família e tudo parece equilibrado. Mas eu indo morar no Rio, tenho a impressão que vou existir menos em tudo isso aqui nessa cidade.

- Ah, qual é? Desde quando você precisa de conselhos? Achei que esse alguém fosse eu dentro dessa amizade. – Ela revirou os olhos. – Olha só, o fato de você mudar não vai te distanciar de mim, do Bernardo e muito menos da sua mãe. Você pode visitar a gente, e a gente também pode visitar você. Claro, é mais que óbvio que isso não se compara a conviver quase todos os dias cara a cara. Mas é o preço, todas as escolhas possuem consequência. – Ela disse calma.

- E desde quando você ficou tão boa com palavras? – Eu perguntei.

- Para, okay? Eu sempre fui ótima. Só não gosto de fazer o papel da conselheira porque eu nunca sigo o que digo e você sabe disso tão bem quanto eu. – Ela concluiu.

- Sim, realmente. – Eu disse.

Aquilo me fez ter mais uma pontada de certeza em ir viver o que eu sempre quis. Tudo vai dar certo repeti dentro da minha mente três vezes.

Os assuntos que renderam naquela noite foram os mais diversos possíveis, a família dela tinha se reestruturado. Os pais que iam se separar, decidiram tentar novamente e até agora tudo bem e eu espero que continue. O namoro com Matheus estava ótimo e ela estava ansiosa para começar a trabalhar numa boutique com roupas incríveis, segundo ela.

Conversamos por um tempo enquanto tomamos uma água de coco e depois fomos andar na praia. Caminhamos ainda conversando sobre futuro.

- Você tem medo? – Ela me perguntou.

- Medo? – repeti.

- Sim, medo. De nada der certo. – Ela respondeu.

- Eu... Não sei. – Parei pra refletir. – Acho que na verdade, eu só tenho medo de tentar e não ser o que eu imaginava.

- Entendi. Bom, mudando de assunto, já vejo a gente andando por aí com roupas chiquérrimas indo beber um chá da tarde, nossos filhos correndo e a gente comentando o quanto o trabalho está puxado. Você me falando sobre os livros de sucesso que pegou e eu te falando das mulheres nojentinhas que fizeram exigência em alguma coisa da minha loja.

Eu ri ouvindo ela contar as coisas. Apesar das diferenças, nós tínhamos uma sintonia tão única e eu me senti bem por tê-la como melhor amiga.

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