Memória: vapor.

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No dia que o mar caiu,
o trem parou.
O caos fez-se presente.
As ruas, lotadas de indigentes.

Conheço uma história como dessas gotas.
De um lugar que o trem parou antes da chuva.
Mas que parou muitos vagões, sabe?

Fizeram-se lama os sonhos.
As malvadas nuvens deixaram lágrimas
As pesadas nuvens levaram um pouco de nós.

Friburgo (sussurro)

Não mereço as rimas que faço.
Eles não merecem a lama que nadam.
Mas, igualmente, somos submergidos nesse mundo
Nessa lama, nessa angustia, nesse caos

Tac, ti-ti-ti, tac, stac!
Quem dera a chuva fizesse sons tão suaves como o "ping"
Quem dera fosse tão divertida como o "pong"

Essa chuva tem som é de estalos
Essa chuva tem som é de gritos
Gritos! Lamentos! Pedidos de socorro!
E suspiros da morte.

Chove, chove, seu Carlos
Chove a dor em suas curvas, seu Carlos
Escorre chuva
Escorre lágrimas
Escorre lama
Escorre sangue

Escorre o descaso, sabe, moço?
Paz?
Paz só para os ricos, seu Carlos.

27/02 ~ 03/03/2020

Tudo: um grande nadaOnde histórias criam vida. Descubra agora