MARCOS
Dias se passaram desde a partida de Luiza. Nem sei quantos foram. Mas, para mim, foram como anos. A saudade sufoca meu peito, retorce meu coração. Essa situação não pode continuar assim.
Por isso, resolvi que vou me mudar para lá. Perguntei à minha mãe sua opinião. E, para minha surpresa, ela disse que se mudaria para lá também, junto com Afonso. Sim, minha mãe estava prestes a se casar. Minha alegria foi tanta que quase caí da cadeira de rodas.
Comprei minha passagem e parti. Minha mãe, ainda ficou. Viria alguns dias depois.
Parado em frente à casa de Luiza, o medo me consome. E se ela não quisesse isso? Se tudo foi um engano meu? E se eu interpretei tudo errado?
Só conseguiria saber, conversando com ela, perguntando. Por isso, tomo coragem e bato na porta. Ela abre.
— Marcos? Oh, Marcos! — ela se joga em meu colo, me abraça e beija sofregamente. — Morri de saudade suas!
— Eu também, meu bem.
— Mas o que faz aqui? Veio de viagem? Vai ficar quanto tempo?
— Calma, meu amor. São perguntas demais.
— Desculpe.
— Adoro esse seu jeito tempestivo! — e acaricio seu rosto, olhando-a profundamente. — Vim para ficar.
— O que? Mas e a sua mãe?
— Não se preocupe. Ela também virá. Ela vai se casar com Afonso. Eles estão aposentados, podem morar onde quiserem. Afonso não tem família. Ele e sua esposa nunca tiveram filhos. Eles vão manter a casa lá, para passar alguns dias lá, outros aqui. Querem curtir a vida.
— Fico feliz por eles. Principalmente, por Ilda.
— Eu também. E eu, você sabe… depois do acidente, não tive mais amigos, trabalho, nada. Não tenho nada que me segure àquela cidade. Em compensação, tenho tudo que me puxe para cá. Você está aqui.
— Oh, Marcos… — Luiza se desmancha em lágrimas e me beija. Sinto o gosto salgado no beijo e isso me dá a certeza de que fiz a escolha certa. — Tem certeza de que é isso que quer?
— É tudo o que mais quero. Construir uma vida com você. Afinal, foi você que devolveu a vida para mim. Mostrou-me que estava me enterrando sozinho.
— Sinto-me culpada.
— Não se sinta, meu amor. A escolha é minha. Não queria ser um estorvo pra você, mas não consegui aguentar. Não consigo viver sem você.
— Oh, não! Não diga isso! Você não é um estorvo! Você é o meu amor!
Agora, as lágrimas aparecem em meu rosto. Essa mulher é incrível!
— Eu te amo, Luiza. Case comigo, seja minha para sempre. É isso o que quero, esse é meu grande sonho — declaro-me a ela.
— Então, considere-o realizado, meu amor — e me beija.
Esse longo beijo, em meio às lágrimas, repleto de amor e ternura, é um símbolo de renascimento, superação.
— Se você não viesse, seria eu a ir — ela sussurra, em meio ao beijo. Rimos juntos, de felicidade.
Finalmente, graças à mulher que amo, sinto, com todas as minhas forças, que estou de volta à vida. E como a vida é bela!
FIM
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De Volta à Vida
Cerita PendekEle, um cadeirante revoltado e isolado. Ela, vem para "balançar seu mundo". Juntos, viverão uma história de amor e superação.
