Capítulo 25

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Federico jogou sua mão em meu rosto fazendo-me despertar, com cuidado para não acorda-lo me levantei na poltrona, olhei para o lado e vi que Luna e Diana ainda dormiam como o esperado. Devagar, me inclinei para pegar meu computador, queria trabalhar um pouco antes que Luna acordasse e acabasse com meus planos. De imediato abri meu e-mail e logo algo ali me fez tremer.

De: Balsano Jurídico <jurídico@balsano.com.br>

Para: Matteo Balsano <matteo.balsano@gmail.com>

Assunto: Investigação Emília

Prezado senhor Balsano, gostaríamos de informar que o senhor Tuffik Salim que estava foragido desde o episódio do furto, anos atrás foi localizado na Guiana Francesa, a polícia comunicou aos seus pais esta manhã. Infelizmente não há noticias que ele estivesse junto com a outra procurada. Estamos fazendo todo o possível para encontra-la e reaver a quantia roubada e pedimos que entre em contato o mais breve possível.

Atenciosamente.

Departamento Jurídico.

Respirei várias vezes, mas mesmo assim meu estomago estava um turbilhão, depois de tantos anos, ter o mínimo de notícias de Emília era como uma maldição. Ela parecia querer aparecer nos piores momentos possíveis. Por um segundo me peguei pensando em como me sentia sobre isso, quais eram os meus reais sentimentos por aquela mulher que tanto mudou a minha vida. Foi então que Federico roncou um pouco me fazendo rir, olhei para ele depois para Diana, eles estavam tão crescidos, em pouco tempo seriam adolescente e eu me dei conta que havia perdido muito, o dia do nascimento, a volta para casa, as primeiras palavras, os primeiros passos, o primeiro aniversário, eu havia perdido tudo e esse tempo ninguém ressarciria. Além disso, tinha Luna, e o que eu sentia por ela parecia um furacão, mas ao mesmo tempo tinha a calmaria de um entardecer da primavera, eu só sabia que a amava, a amava muito. Voltei a encarar a tela sabendo exatamente o que eu sentia e o que eu queria daquela situação, então enviei um e-mail, pedindo para não ser incomodado sobre esse assunto, deixando tudo sobre inteira responsabilidade deles.

- Estamos de férias senhor CEO. - Luna disse brincalhona e eu a encarei tentando decidir o que dizer. - Aconteceu alguma coisa?!

- Sim. - Optei pela honestidade. - A policia ligou para meus pais essa manhã, ao que parece eles finalmente encontraram o homem com quem Emília fugiu.

- E a encontraram também?! - Luna perguntou insegura.

- Não. - Olhei para o computador. - Amor, eu quero que saiba que essa notícia não significa nada para mim, inclusive pedi que o departamento jurídico coordene isso sem que eu precise me envolver. - Falei e Luna olhou para baixo.

- Matteo, o que sente por Emília?! - Interrogou e eu fiquei sem fôlego, jamais pensei que ela fosse ser tão direta.

- Nada. - Fui sincero. - Nem amor, nem ódio, nem raiva, acho que o que mais se aproximaria de um sentimento seria o desprezo. - Encarei Luna. - Desprezo por esse passado que quase me fez perder tudo.

- Não a odeie. - Luna pediu temerosa. - Ódio é um sentimento muito forte, não quero que isso vire outra coisa.

- E não virará. - Garanti sério. - Luna eu amo você, eu te perdi e te encontrei de novo, hoje você é a pessoa de quem mais preciso, você é meu alicerce, não irei perder você ou nossos filhos.

- É bom ouvir isso. - Ela torceu as mãos. - Me traz paz.

- É isso que eu quero que sinta. - Sorri para ela. - Agora vamos esquecer esse assunto, porque essas são as nossas férias, e a palavra Emília não é nada relaxante. - Brinquei e Luna riu.

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