— Bom dia, galera! Peguem as postilhas e vamos aprender sobre os cromossomos. — o homem diria brincalhão, rindo sem motivo para o celular e para as caras de sono e cansaço de seus alunos.
Estava a cinco passos de se enfiar dentro daquela mochila e ficar ali até o final da aula, mas infelizmente a mochila era muito pequena e nem metade de minhas pernas caberiam ali dentro. Batia seu pé freneticamente no chão.
Estava tão ansioso e nervoso por ver o meu, agora ex. Entretanto Jeno ainda não teria chegado, mas quando chegasse, não saberia o que fazer. Eu provavelmente choraria? Não conseguia imaginar algo mais adequado do que isso.
— Bom dia, Jaemin. Vai quebrar o azulejo se continuar batendo o pé assim. — um garoto de cabelos escuros e voz conhecida se sentaria na cadeira de uma classe a sua frente. Wong Yukhei. Um dos melhores amigos de Jeno.
— Fica shiu... ele ainda não chegou... — passou os dedos entre seus cabelos, não mantendo muito contato visual com o chinês.
— Você acha mesmo que Jeno possa vir? Dias depois de ter terminado com você? Ele deve estar no mínimo um caco. — levantou uma de suas sobrancelhas convencido com suas palavras.
— Ele não é que nem eu, Jeno deve estar pouco se fodendo pra isso tudo. — debochei. Na minha cabeça, a ideia de Jeno vir era improvável, mas eu mentia internamente como uma forma de autosabotagem e conforto.
Apenas queria que Jeno aparecesse para ver seu rosto…
— Mas me conta as novas, e você e Yuqi? Mudamos de assunto, rapidamente. Sorri com os lábios, vendo Lucas retirar o celular do bolso.
Yukhei e seus esquemas duvidosos com meninas bonitas de escolas diferentes.
[…]
— Zaoshang hao! — um garoto se sentaria na classe ao lado, arrumando a mochila na cadeira e abrindo a mesma, para a retirada de seus materiais.
— Zaoshang hao... — respondi me deitando sobre a classe, em cima mesmo de meus cadernos.
Esperar os professores era cansativo, não era como o antigo colégio. A antecedência era importante, mas nem os superiores cumpriam com essa norma.
— E aí, como anda as coisas? — questionou Yang, colocando um sorriso nos lábios enquanto me observava. Conversavamos no nosso idioma nativo, claro, não forçariamos um coreano uma hora dessas.
Eu sorri com os lábios, apoiando o rosto em uma das mãos, enquanto com o cotovelo estivesse sobre a classe.
— Quer saber sobre minha incrível vida trabalhando como funcionário na loja da minha mãe ou sobre como estou me fodendo mentalmente por causa dessa matéria? — questionei em um tom brincalhão, me referindo ao quadro da matéria. Filosofia — Está tudo indo bem, na realidade... as coisas andam incomuns. — Yangyang revirou os olhos e deu um sorriso com os lábios.
— Soube pelo Hanbin que as notas desse bimestre serão somadas com a amostra de trabalhos em novembro. — ele olhou para o redor da classe, analisando os futuros concorrentes — O tema ainda é Autobiografia e a Importância do Estudo. — resmunguei instantaneamente.
— Fazer um trabalho de longo prazo sobre a minha vida e tentar com isso conscientizar alguém sobre a importância de estudar?! Fala sério, eu não consigo lembrar nem do que me ocorreu ontem pela manhã! — franzi o cenho irritado, vendo o outro chinês sorrir de escanteio.
— Temos que encorajar os mais novos a seguir com o ensino médio. Será apenas uma amostra de trabalhos! Pelo menos isso... — suspirei, retirando o celular do bolso quando sentisse vibrar.
"ren, consegue ir à quitanda e farmácia mais tarde? precisamos comprar frutas e remédio pra cólica, sua mãe não para de resmungar pelos cantos de dor, ela parece um rato :/ pega o dinheiro na sorveteria, te amo, se cuida!"
"tudo bem, eu busco depois sem problemas! não fala mal da minha mãe, que isso, ate depois!"
— Você está certo... — concordei com a resposta dada pelo mais novo.
— Me perdoem o atraso, alunos! Abram seus livros e vamos à aula! — o homem dizia envergonhado, colocando a bolsa na cadeira e arrumando o óculos no rosto, assim que entrasse naquela sala.
[…]
Segundo período, silêncio quase eterno dentro daquela sala. Batia a caneta sobre a folha do livro da matéria determinada rapidamente, mas com cuidado para não faze-la voar ou então incomodar os colegas com o barulho. Nada de Jeno entrando por aquela porta, ainda.
Eram naqueles momentos que me questionava por que tinha que gastar toda minha energia em algo que evidentemente não fosse acontecer. Poucos dias atrás teriamos terminado, Jeno era as vezes burro, mas não era bobo, sabia que não era a hora de ver a minha cara.
Respirava fundo, irritado com aquela demora toda. Era óbvio que ele não iria vir mais, mas algo dizia que uma reviravolta poderia acontecer.
Então acreditei tanto nisso, que quando menos esperei, a figura imaginada entraria pela porta. Sim, ele veio.
— Está um período atrasado, Lee Jeno. — o superior lhe repreendeu, mas ele apenas lhe entregou um bilhete da direção, previsivelmente — Tudo bem, sente-se em sua classe!
Os meus olhos caíram sobre ele com tanta catividade. Pensava em quão assustador era lhe ver outra vez, mesmo em pouco tempo de distância. Tudo outra vez doía.
— Posso me sentar junto de outra pessoa? — ele questionou em uma tentativa péssima de sussurro. Mas o homem apenas riu debochado, ordenando que lhe obedecesse logo.
Quando ele olhou para mim, andando naquela mesma direção, senti o estranho sentimento na barriga outra vez junto da vontade de chorar, sem parar.
Seus olhos castanhos escuros junto de uma afeição séria e quase impossível de se decifrar fazia meu coração bater tão rápido, mas não de um sentido bom.
Estava excessivamente sensível por Jeno, mas precisava ficar bem.
Ele se sentou ao meu lado, tirando da mochila os materiais e tudo que precisava. Sem dizer sequer uma palavra.
Aquela atmosfera pesada e desconfortável, sentia precisar quebrar ela de uma vez, mas não sabia como.
— Voltando as explicações... — o professor voltou a falar, batendo leve palmas, com um sorriso no rosto.
Naquele instante eu entendi o que era o sentimento de desejar a morte.
Eu queria morrer. Apenas. Morrer.
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pink letter | renmin
FanfictionSem saber como superar seu ex, Jaemin passa a afundar suas dores numa loja de sorvete aberta ruas depois de sua casa. O que ele não esperava é que esse seu novo hábito traria Renjun, o garoto que ele mais odiava na face da terra, de volta ao seu cam...