capítulo 2

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  Acordo com a luz da lua cheia transpassando a pequena janela de vidro, a revolta me atinge como um soco, eu tenho matado pessoas que eu deveria estar protegendo, esse tempo todo, eu queria sangue, o sangue dos homens que mataram pessoas inocentes, fui enganada de maneira cruel, enquanto eu achava estar salvando, eu arrancava a vida.


A lua cheia chegou ao seu ápice, e eu senti, mesmo com as camadas de vidro, me senti revigorada, daqui a 5 dias a lua de sangue vai tingir o céu, é uma época boa para queles que atingiram a maior idade, encontrar seus companheiros é possível, quando um lobo completa 18 anos, passa esperar pelo evento celeste de sangue, a partir dali seus cheiros se modificam para poder encontrar seus parceiros, mas esse não é mais um sonho possível, ninguém em sã consciência aceitaria o laço de Parceria com uma assassina, que causou a morte de pessoas inocentes.

Guardas uniformizados e exageradamente armados, mãos uma vez abriram a cela, traziam consigo correntes banhadas com a seiva da árvore que sangra, uma árvore um tanto quanto incomum, antiga chamada, sangue de dragão, dizem que foi deixada pelos dragões a muitos séculos atrás, para manter o equilíbrio da natureza, entre humanos e lobisomens.

— Você não matou, e ainda atacou os guardas.

— Como eu mataria meu povo? Diz-me.

— Não estamos aqui para discutir, serão 20 chicotadas por cada um que você não matou, e mais vinte chicotadas, por atacar os soldados.

Uma voz grossa soou, meu estômago se embrulhou a lembrar da dor.

— Prendam ela, e enfiem 3 adagas, não podemos correr riscos.

Fui presa às paredes, e senti a dor aguda em meu ombro direito, uma adaga atravessou meu corpo, em seguida em minha cocha esquerda, e pôr último no estômago, fui perfurada lentamente por essas laminas cegas, mal afiadas no intuito de me causar dor, mas era apenas o começo de uma longa sessão de tortura.

Senti a primeira chicotada rasgando minha pele, a dor era alucinante, os espinhos do chicote perfuraram minha pele, cada vez mais fundo.

Soltei um gemido de dor, repetidamente ao ritmo dos açoites, não vendo a hora de acabar, mas essa seria a última vez.

Me transformei com o último resquício de força que restava em mim, em um golpe rápido arranquei as correntes da parede, estraçalhei as algemas e grilhões.

— Chamem reforços, ela se soltou— Antes que pudesse concluir a frase, ataquei sua garganta com minhas garras feridas, e derramei o sangue em mim, e vi como era prazeroso me vingar de quem matou meu povo.

Um por um, me deliciei enquanto fazia isso, depois fugi, ainda em firma lupina, até que passei diante de um vidro, e me vi. Meu pelo antes de branco agora estava manchado de sangue, e mais uma vez eu me tornei A loba escarlate, mas dessa vez não me senti mal.

A quela fortaleza se desfez em um banho de sangue, estava disposta a fugir, nos últimos dias ingeri altas doses da seiva sangue de dragão, tornando as laminas usadas pelos guardas quase ineficazes, eu sentia a dor, mas ela não me derrubava. Quando finalmente atravessei os portões de metal, e me livrei da extensa preocupação de vidro me senti livre, senti a luz da lua após anos, e me deliciei nela, uivei como nunca, um sinal de liberdade e um aviso.

Eu iria voltar, e iria me vingar.

Corri a direção da floresta desconhecida, e comecei a sentir o vento, aumentei a velocidade e fugi como nunca, tentando despistar os soldados de Samael, tomei um rumo e corri, me esforcei como nunca porque minha vida dependia disso. Corri até minhas forças se esgotarem. A única coisa que me mantinha de pé a essa altura, era a vontade implacável de sobreviver. Isso ninguém jamais tiraria de mim.

Ao longe vi diversas casas e prédios, devo ter chegado a uma alcateia, nunca fiquei tão feliz. Atravessei os grandes portões e fui barrada por grandes lobos, possivelmente os guardiões da alcateia, recebi olhares de medo, espanto, até mesmo curiosidade afinal, estava coberta de sangue, o cansaço era muito. Vi minha visão ficar turva, meu corpo perdendo as forças, e a última coisa que sinto é o impacto com o chão.

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