22. A festa de Halloween [revisado]

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Jughead

Quando chegamos em casa, é por volta das 18h e Cole carrega consigo uma enorme sacola abarrotada de doces de todos os tipos. Vejo ele correr com as orelhas de elfo doméstico balançando ao seu redor, indo até a bancada da cozinha e despejando todos os doces sobre o mármore.

Betty solta um suspiro, provavelmente pensando em quanto tempo levaria para juntar tudo aquilo depois.

— Pai, olha só quantos doces eu consegui.

Sinto-me alarmado ao ouvir Cole me chamar de pai. Um nó se forma na minha garganta e vejo Betty sorrir para nós, tirando o chapéu pontudo de bruxa que compunha o uniforme de Hogwarts e se pondo ao meu lado.

— Uau, filho... Só não se esqueça de escovar os dentes depois.

— Mamãe nunca me deixa esquecer. — Cole responde, rolando os olhos — Quer um?

Aceno com a cabeça que sim, pegando uma das barrinhas de chocolate, enquanto Betty se afastava em direção a escada. Arqueio a sobrancelha pra ela, desconfiado.

— Onde vai? — pergunto.

— Hum... Tirar essa fantasia.

— Trocar a fantasia? — Cole se mete na conversa, curioso — Por que, mamãe?

— Ah, querido... Digamos que a mamãe tem uma fantasia especial para o dia, e uma especial para a noite. — ela responde, nos lançando uma piscadela e correndo em direção as escadas, sumindo de vista, deixando-me um pouco confuso. Será que ela colocaria a bendita fantasia de Princesa Leia?

Não evito um sorriso. Tem uns bobalhões por aí que acham que, se põem a mão na bunda de uma mulher e ela não reclama, já está tudo resolvido. Aprendizes. Amadores. O coração da mulher é um labirinto de sutilezas que desafia a mente grosseira de um homem trapaceiro. Para realmente possuir uma mulher, é preciso pensar como ela, e a primeira coisa a fazer é ganhar sua alma. O resto, o doce e fofo embrulho que nos faz perder os sentidos e as virtudes, concluo que acaba vindo por a acréscimo.

Alguns minutos depois, me pego indo para a sala e ligando a TV, enquanto o filme Hotel Transilvânia passava no canal que Cole escolheu. Fiquei ali, parado, admirando meu filho comer seus doces e se concentrar, com olhos atentos, em um de seus filmes favoritos, e mal vi quando Betty retornou, chamando atenção com o barulho do salto alto agulha de encontro ao piso de madeira.

Encarei seu rosto e seus cabelos, agora perfeitamente alinhados em cascatas loiras ao redor dos seus ombros. Ela usava uma maquiagem leve e batom vermelho, e o sobretudo de couro preto cobria qualquer roupa que ela estivesse usando por baixo. Levo meu olhar aos seus pés, equilibrados sobre a sandália, e não evito um assovio. Definitivamente essa não era a Princesa Leia.

— Você com certeza está má intencionada, Cooper. — sussurro em sua direção, e vejo Betty sorrir diabolicamente, pegando sua bolsa e tirando dela um cartão — O que é isso? — pergunto a ela.

— O telefone da babá. Ela mora aqui na rua e chega em dez minutos.

Sorrio de lado, entendendo onde Elizabeth está querendo chegar com aquilo tudo, e agradeço mentalmente por não ter comentado com Cole que ele também iria ao Pop's. De todo modo, segundo os detalhes fornecidos por Betty, Verônica não tinha preparado um evento direcionado para crianças, então... Evitei o peso na consciência.

— O que quer dizer com isso? — sussurro para ela, percebendo a malícia em seus olhos. Betty se aproxima de mim, ajeitando a gravata da Grifinória ao redor do meu pescoço e me inebriando com o cheiro do seu perfume.

Daddy's little love [Bughead]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora