Jughead
A princípio, não entrei em pânico. No início, a bruma sonolenta em que eu estava proporcionou confusão suficiente para alimentar uma sensação de calma. Logo de cara, quando estiquei a mão para o lado, a procura do corpo de Betty espalhado em meus lençóis, percebi que ela não estava ali. Senti um leve desapontamento, seguido de curiosidade. Provavelmente ela estava no banheiro, ou talvez comendo cereal no sofá. Ela havia acabado de transar comigo depois de anos, tínhamos muita bagagem e coisas mal resolvidas. Era muita coisa para absorver.
— Betty? — chamei.
Levantei a cabeça, na esperança de que ela voltasse para a cama comigo. No entanto, depois de um tempo, desisti e me sentei. Sem fazer a mínima ideia do que me esperava, vesti a cueca que tinha chutado longe na noite anterior e enfiei uma camiseta. Arrastei os pés pelo corredor até o banheiro e bati à porta, que se abriu um pouquinho. Não ouvi nenhum movimento, mas mesmo assim chamei por ela.
— Elizabeth?
Ao abrir mais a porta, foi-me revelado o que era esperado. O banheiro estava vazio e escuro. Então fui até a sala de estar, com a plena expectativa de vê-la na cozinha ou no sofá, mas ela não estava em lugar nenhum. Uma pequena onda de pânico começou a se acumular dentro de mim, mas me recusei a surtar até descobrir que diabos estava acontecendo.
Vesti minhas roupas, mesmo sabendo que eram só seis da manhã e meu plantão só começava em duas horas. Não me preocupei em tomar um banho ou pentear os cabelos, apenas apanhei minha pasta e vesti uma touca, enquanto aguardava impacientemente a descida do elevador.
Quando chego ao térreo, percebo o tempo frio e escuro. As folhas secas dos bordos no outono tomaram conta das ruas, mas eu estava impaciente demais para admirar qualquer coisa. Também não perdi tempo indo até a casa dela. Se eu ainda a conhecia bem, Elizabeth provavelmente estava com Verônica e Cole.
Dirijo até o hospital cantando pneus, enfurecido por ela estar fazendo esse jogo comigo mais uma vez. Adentro na recepção, enquanto a enfermeira me cumprimenta com um aceno. O percurso até o quarto de Cole não demora mais que dez minutos, e para minha surpresa, Verônica estava sozinha, tomando café e lendo jornal, enquanto Cole ainda dormia.
— Você viu a Elizabeth?
— Bom dia pra você também — Verônica me lança um sorriso de escárnio. Não estava com paciência pra isso. — Ela não está aqui.
— E você sabe onde ela está?
— Tomando uma bolsa de banana na veia porque bebeu muito ontem na sua companhia e vai fazer um teste de compatibilidade de medula hoje. Vocês são dois irresponsáveis.
— Não fale assim...
— Você sabe que não penso isso de verdade... Estou só implicando. Aceita um café? Você está com uma cara péssima.
Solto um suspiro pesado, aceitando o café que estava numa garrafa térmica e servindo um copo para mim.
— Ela fugiu de mim, não foi? — pergunto a Verônica, que me lança um olhar sério.
— Ela não confia em você ainda... Ainda tem a situação do Cole... Betty não vai digerir tudo tão rápido.
Vários cenários se passaram pela minha cabeça, criando diferentes graus de alarme. Verônica estava certa. Observo Cole dormir pacientemente, como um anjo, e vou até ele. Temos alguma familiaridade. Os cabelos negros, mesma cor dos olhos, obsessão por saber de tudo... Algo nesses detalhes fizeram com que eu me afeiçoasse mais do que o esperado ao garoto. Me pergunto então sobre sua paternidade. Onde estava o pai do garoto nesse momento tão difícil para ele a para a mãe dele?
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Daddy's little love [Bughead]
Fiksi PenggemarApós oito anos morando em Chicago, Betty se encontra sem saída e decide voltar para sua antiga cidade, Riverdale, disposta a reabrir o velho jornal da família e conseguir estabilidade para ela e para o pequeno e neurótico Cole, seu filho de seis ano...
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