9. A história de Jughead Jones [revisado]

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Jughead

Pego alinhador de direção e entrego nas mãos de Archie, que conserta o próprio carro do lado de fora da Academia de Luta Andrews. Enquanto beberico minha cerveja e observo meu amigo trabalhar, vejo que o respeito. À minha maneira, Archie se tornara a pessoa mais importante de meu mundo, e não conseguia imaginar nada que pudesse mudar esse fato. Até o dia, obviamente, em que Elizabeth Cooper entrou em minha vida.

Embora conhecesse Betty havia muito tempo — existia apenas uma escola de ensino médio em Riverdale e nós dois tínhamos estudado juntos a vida toda —, foi somente no último ano que trocamos mais do que algumas poucas palavras pela primeira vez.

Betty era amiga de Archie e a sua vizinha. E eu sempre a achara bonita, mas não era o único: Betty, assim como Verônica, era popular, o tipo de garota que estava sempre cercada de amigas no refeitório enquanto os rapazes competiam por sua atenção. Além disso, ela não só era representante de turma, como também animadora de torcida. Para completar, era rica e tão inacessível para mim quanto uma artista de tevê.

Eu nunca havia lhe dirigido uma palavra, até que nós dois acabamos nos tornando parceiros de laboratório na aula de química. Enquanto trabalhávamos em tubos de ensaio e estudávamos juntos para as provas do semestre, percebi que ela era totalmente diferente do que eu havia imaginado. Primeiro, o fato de ela ser uma Cooper e eu ser um Jones não parecia fazer a menor diferença para Elizabeth. Seu riso era solto e desenfreado e, quando ela sorria, havia algo de travesso em sua expressão, como se soubesse de algo de que ninguém mais suspeitava. Seu cabelo era loiro, da cor do sol, e seus olhos, verdes como um lago no verão. De vez em quando, enquanto nós dois anotávamos as fórmulas em nossos cadernos, ela tocava o meu braço para chamar minha atenção. A sensação de seu toque durava horas e horas. A tarde, trabalhando na garagem do Archie, eu muitas vezes me via incapaz de parar de pensar em Elizabeth Cooper.

Demorei a primavera inteira para criar coragem e convidá-la a tomar um sorvete e, por volta do final do ano letivo, começamos a passar cada vez mais tempo juntos.

Isso foi em 2008 e eu tinha 17 anos. Quando o verão acabou, já sabia que estava apaixonado e, quando o ar ficou mais fresco e as folhas de outono começaram a cobrir o chão de vermelho e amarelo, não tinha dúvidas de que queria passar o resto da minha vida com Betty, por mais louco que isso parecesse.

Continuamos juntos no ano seguinte: estávamos cada vez mais unidos e passávamos todo momento que podiam ao lado um do outro. Com Betty, era fácil para mim ser eu mesmo. Pela primeira vez na vida, eu me sentia feliz. Mesmo depois de tanto tempo, às vezes a única coisa em eu conseguia pensar naquele tempo juntos, era Elizabeth.

Enquanto observava Archie trabalhar sem me dar atenção, deixei-me levar, como tantas vezes, por minhas antigas recordações de Betty; de como ela costumava se empoleirar em um banco da garagem de Archie enquanto eu trabalhava em minha moto, abraçando os joelhos e me fazendo imaginar que tudo o que queria era ficar ali, a observá-la para sempre. Nós íamos pra praia, nos deitávamos em toalhas sobre a areia, com nossas mãos entrelaçadas, enquanto conversávamos sobre nossos livros e filmes favoritos, sobre nossos segredos e sonhos. A gente também brigava, e nessas ocasiões eu já conhecia a personalidade forte de Elizabeth. Os desentendimentos entre nós dois não eram frequentes, mas tampouco eram raros. O curioso era que, por mais depressa que os ânimos se exaltassem, eles quase sempre voltavam a se acalmar com a mesma rapidez. Às vezes uma bobagem nos fazia brigar feio — Betty podia ser muito teimosa —, mas geralmente isso não dava em nada.

Na realidade, mesmo quando eu ficava irritado de verdade, não conseguia deixar de admirar a franqueza dela, porque Elizabeth era a pessoa que mais se importava comigo. Além de Archie, ninguém entendia o que ela teria visto em mim. Embora a princípio a gente tentasse esconder nosso relacionamento, Riverdale era uma cidade pequena e as pessoas inevitavelmente começaram a fofocar. As amigas de Betty se afastaram uma a uma (a não ser, é claro, por Verônica) e foi apenas questão de tempo até que os pais dela descobrissem o motivo. Eu era um Jones, filho de um Serpente do Sul, e ela, uma Cooper, filha dos donos do Jornal da cidade e que morava no Lado Norte, o que era mais do que suficiente para causar espanto. 

Daddy's little love [Bughead]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora