17. Complicações [revisado]

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Betty

Por volta das nove e meia da noite, minha campainha toca.

Solto um gemido, enquanto calço as pantufas e deixo a taça de vinho de lado.  Cole já estava dormindo e é esse pensamento que me faz correr até a porta. Após girar a maçaneta, me deparo com Jughead Jones sob o batente, com uma caixa enorme de pizza na mão, enquanto a outra já devorava uma fatia.

— Eu não pedi pizza. — digo a ele, com um sorriso no rosto.

— Eu sei, mas imaginei que uma mãe solteira provavelmente está faminta às 21h da noite.

Balanço a cabeça, negativamente, e lhe dou passagem. Jughead sabia muito bem como me abordar.

— Onde está o Cole? — ele pergunta, curioso, enquanto tira um mangá de dentro da pasta — Trouxe um mangá de biologia molecular para ele. Tenho certeza que vai adorar.

— O Cole é muito novo pra ler mangá de biologia molecular. — o repreendo, rolando os olhos, enquanto seguimos juntos até a cozinha — E ele está dormindo, a propósito. Vinho?

Jones acena com a cabeça que sim, enquanto abre a caixa de pizza.

— Você... Sumiu hoje de manhã. — ele fala, inseguro, e percebo que é por isso que Jughead está aqui.

— Eu tinha que fazer o teste de compatibilidade de medula. — respondo, sem graça, enquanto saco a rolha de uma segunda garrafa.

— Você podia ter me acordado... Você sabe, pra te fazer companhia e tudo mais.

Jones está corando e de repente ele aperta minha mão, e não sei a que altura dessa conversa me apaixonei por ele, mas aconteceu. Pode parecer que estou despreocupadamente na cozinha ao seu lado, mas metaforicamente estou derretida a seus pés.

— Não precisei te acordar — é a única coisa que consigo responder, mas antes que eu pudesse me afastar, Jughead me puxa pelo braço, aproximando nossos corpos e misturando nossas respirações.

— Não foge de mim... — ele sussurra, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ouço passinhos na escada e imediatamente afasto Jughead para longe.

Mamãe, estou com sede...

Ouço a voz fina de Cole vir do hall e tão logo vou até a torneira, enchendo um copo para ele e indo ao seu encontro. Cole arregala os olhos ao ver Jughead, mas está tão sonolento que não consegue esboçar uma reação.

Observo ele beber todo o conteúdo do copo e lhe dou um sorriso, pegando-o no colo e voltando com ele pra cama. Percebo que Jughead está nos seguindo, mas não consigo olhar em seus olhos para tirar alguma conclusão.

Subo as escadas com facilidade, uma vez que já estou acostumada com o peso do meu filho nos braços. Quando chegamos em seu quarto, ainda sem decoração e mobília nova, coloco-o na cama e acendo o abajur que projetava imagens de estrelas nas paredes.

— O Doutor Jones vai morar com a gente? — ele me pergunta, de repente, ao perceber que Jughead está parado na soleira da porta, com as mãos enfiadas no bolso e em completo silêncio. Eu nunca trouxe nenhum homem para casa, então isso é novidade para Cole.

— Não, querido. Ele só veio saber como você está e trazer uma presente que você vai poder ver amanhã, depois de uma boa noite de sono. 

— Obrigado, Doutor Jones. — Cole o agradece e vejo Jughead limpar a garganta, aproximando-se de nós.

— Não há de que, amigão. E você pode me chamar de Jughead sempre que quiser.

— Jughead... — Cole repete, rindo — É engraçado.

Daddy's little love [Bughead]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora