6. Convidado surpresa [revisado]

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Betty

Faz alguns minutos desde que a empresa de limpeza que Verônica contratou para tirar as muambas do jornal fechou o caminhão e abandonou o perímetro do jornal, me deixando sozinha dentro desse pequeno espaço que um dia fora todo o sustento da minha família. Hoje meus pais viviam de maneira diferente. Divorciados, minha mãe aposentara como repórter do The New York Times e comprara um apartamento em NovaJersey; meu pai, da última vez que soube, estava na África fazendo um safári. Nenhum dos dois nunca pareceram muito interessados no Cole, ou em mim. Não depois virarem as costas para a única filha, alegando que jamais seriam avós de um filho de Jughead Jones. 

Obviamente, depois disso, eles nunca mais voltaram para Riverdale.

Uma batida na porta chama a minha atenção. Levanto-me do assoalho de madeira recém lustrado e vou até a maçaneta, vendo o rosto conhecido de Archie no outro lado do vidro. Tivemos um breve encontro há dois dias atrás, mas não conseguimos conversar muito. Nosso pequeno diálogo terminou com sua promessa de me ajudar a descartar os antigos eletrônicos do Jornal e agora aqui estava ele.

— Ei, você está aqui... — o cumprimento com um abraço sem jeito. Archie está ainda mais forte do que eu me lembrava, mas agora uma barba espessa tomava conta do seu rosto.

— Me atrasei um pouco. — ele dá de ombros, um tanto constrangido, como  se não soubesse mais como lidar comigo. 

— Não. Chegou bem a tempo. Verônica trouxe aquela cafeteira de cápsulas hoje de manhã e eu acabei de esquentar a água. Aceita?

— Perfeito! Está bem frio lá fora! 

Afirmo com a cabeça que sim, me antecipando na direção do aparador. Estamos sem jeito, sem assunto e sem graça. Archie e eu nos conhecíamos desde crianças e me pergunto em que momento na vida da vida nos perdemos assim. Decido ir direto ao ponto.

— Antes de começarmos... — digo a ele, pausando com um suspiro, enquanto coloco a primeira cápsula na cafeteira e sento-me em uma das poucas cadeiras que restaram — Sei que você tem perguntas. E se conversar sobre isso vai diminuir essa estranheza entre nós dois, ótimo. Pode perguntar.

Ele tira o boné azul do topo da cabeça e afirma que sim. Ele está concordando comigo. Ótimo!

— O Cole... Você nunca me contou nada sobre ele. E a Verônica sabia disso.

— Sim, Verônica sabia, ela é madrinha do Cole... Mas você não pode culpá-la por isso. Ela é minha amiga e guardou um segredo que eu implorei para que fosse guardado. Ela respeitou a minha decisão.

— Betty, isso não faz sentido. Por que você esconderia isso de nós?

— Não é óbvio? — pergunto a ele, entregando lhe a primeira caneca de café e abrindo a segunda cápsula — Eu fui embora daqui grávida, Archie. Do Jughead, e pronta pra fazer um aborto. Aí, de repente, caio na besteira de engravidar de novo, um ano depois. De um desconhecido em um bar.

Archie estreita as sobrancelhas e a princípio não me responde nada, enquanto eu tento não engasgar com minha própria mentira. Não sei se ele está digerindo as informações, ou decidindo se acredita na minha história. Espero que seja a primeira opção.

— Eu... Eu não sei, Betty. Não quero colocar sua palavra em questão, mas... Eu conheci o seu filho e ele é mesmo um menino incrível. Sem dúvidas você fez um excelente trabalho, você o criou sozinha, mas... Ele é a cara do Jughead.

— Archie, não! — eu falo imediatamente, cortando sua teoria com uma voz grosseira e um aceno com o dedo indicador — Pare de criar teorias conspiratórias. As coisas são como são.

Daddy's little love [Bughead]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora