7. O cara das sementes [revisado]

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  Betty

— Você bebeu da minha taça, Jones. — sussurro para Jughead, que está sentado ao meu lado, enquanto Cole mostra para ele o caderno de desenhos. A situação é estranha e desconfortável. Aí está algo pelo qual nunca planejei passar. Verônica nos encara da cabeceira da mesa. Ela tem um olhar de avaliação e um sorriso sarcástico nos lábios. Sei que ela está se deliciando com isso.

— Não, eu não bebi. — ele retruca.

— Bebeu sim.— insisto.

— Devo ter me confundido então, desculpe.

— Típico de você não é? — sussurro pra ele, atrevida — Fazer coisas das quais você vai esquecer depois e pedir desculpas.

Era isso. Um dizia algo que provocava o outro e isso muitas vezes acabava levando a uma discussão. E de repente me dou conta do quanto senti falta disso. Não das brigas, mas da confiança implícita que havia nelas e do perdão que inevitavelmente vinha em seguida. Porque, no fim das contas, a gente sempre se perdoava.

— Cooper, estou tentando ter uma noite civilizada. E como se já não fosse estranho o suficiente fazer isso com você ao meu lado, eu também estou aqui, dando palpite na vida artística do seu filho, porque... — ele sussurra de volta enquanto Cole se distrai, mas se perde no caminho.

— Por que você está usando um tom acusatório? O fato de eu ter um filho não tem nada a ver com você e ninguém está te obrigando a brincar com ele.

— Gosto do garoto. — ele revela, dando de ombros, e fazendo com que minha raiva se dissipe instantaneamente.

Penso em alguma coisa para responder, mas não há o que questionar. Ele realmente gosta de Cole e isso está explícito na forma como Jughead lhe dá atenção e a todo momento se empenha nos diálogos.

A figura de Archie aparecendo na sala de jantar com um avental amarrado na cintura sem camisa e uma bela travessa com um pato assado dentro. Isso me faz querer rir, mas diferente de mim, Cole e Jughead explodem em gargalhadas.

Era só o que me faltava.

— Eu não acredito que você está cozinhando sem camisa — Jughead faz uma cara feia e Archie parece surpreso ao nos encontrar todos juntos.

— Eu ia perguntar o que você está fazendo aqui, mas... — Archie diz para o amigo, mas ao bater os olhos em Cole, decide não prosseguir com o assunto — Já que veio, se prepare pra comer o pato mais delicioso da sua vida.

Quando o vejo o pato inteiro assado dentro do refratário, engulo seco. Cole faz uma careta e se afasta da mesa, correndo de sua cadeira até meu colo. E eu sei o porque.

Droga!

— Não posso comer pato — ele diz, choroso, e agora todos a mesa estão prestando atenção em nós.

— Por que você não pode comer pato? — Archie pergunta, sem jeito, e Cole o encara firmemente.

— Tio Archie, sabe o que fazem com os patos nas fazendas de aves aquáticas?

— Não, querido... Você está confundido. — digo a ele, tentando desviar sua atenção — É de Vitela que você está falando.

— Não, mamãe. Também li sobre patos. — ele diz, com a maior certeza do mundo, e volta seu olhar para Archie — Eles obrigam os patos a comer três quilos de alimento por dia através de um tubo plástico inserido na sua garganta.

— Mas Cole, estou preparando esse pato há dois dias... — Archie tenta argumentar, mas Cole nega com a cabeça.

— Os patos contraem uma doença do fígado chamada lipidose hepática, e não conseguem andar. A natureza está em crise e só há um mamífero para culpar, Tio Archie.

Daddy's little love [Bughead]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora