22 - Além da Humanidade

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- Vamos lá, Alice. Me dê um motivo pra não te levar pra delegacia de polícia.

Ouvir isso da Mel quase me fez rir. Nós fomos perseguidas e quase mortas por uma criatura horrenda, eu tive que receber uma sutura com linha de costura comum e pra piorar, estou devendo um favor a Serena.

- Alice, está na hora de abrir o jogo com ela, não é mesmo? Aproveite que a viagem é longa.

Ouvir aquelas palavras da doutora me encheu de coragem. Não tenho como esconder mais os segredos de Sara. Eu não posso mais deixar a Mel por fora de tudo o que está acontecendo.

- Então tá bem. Eu sou uma assassina internacional…

Eu contei tudo pra mel, que dizer, tudo que envolvesse meu trabalho e o que eu e Sara fazíamos. Contei sobre minha caçada ao degolador, as viagens pelo mundo, sobre o Rato. Não vi necessidade de falar sobre meu passado antes da Sara, aquilo é uma coisa que pertence a mim. Buscar aquela mulher é algo que eu não queria nem que a Sara soubesse que eu estava fazendo, não é para Mel que eu vou falar.

- Isso não faz sentido algum. Como que minha mãe, a melhor policial do departamento, que não era capaz de ultrapassar o limite de velocidade, seria capaz de virar uma assassina de aluguel?

Eu estava me preparando para responder, quando a doutora começou a falar.

- Sara não era uma assassina de aluguel. Ela apenas via bandidos se safando por terem muito dinheiro e costas quentes e os mandava acertar as contas com Cristo.

Eu conseguia ver o sorriso na cara da doutora.

- A  doutora tá certa, Mel. Ela não era assassina de aluguel. As vezes ela aceitava algumas missões da Cassandra e de outros amigos dela, mas nada que envolvesse matar pessoas. Ela viajava buscando algo.

- O que ela buscava então?

Novamente a doutora me interrompeu.

- A cura para os carniçais. A cura para os humanos transformados em vampiros. Sabe, sua mãe queria os velhos tempos de volta. Sem guerras contra monstros devoradores de humanos, sem viver dependendo dos vampiros.

- Mas mamãe era vampira.

- Ela odiou virar vampira desde o começo. Ela se transformou por necessidade, pois como humana não poderia fazer nada. Você sabe como só humanos são frágeis.

A doutora falou me olhando nos olhos.

- Ei… eu não sou frágil não. Sou uma máquina de destruição… ai…
Senti meus pontos doerem bastante. Acho que não poderei sair por, no mínimo uns quatro dias e ainda tenho que descobrir o que é aquela besta-fera que está me perseguindo.

- Doutora, tem como você deixar a Mel na casa abandonada? Eu e você temos que resolver como tratar de algumas coisas lá na sua casa…

A doutora parecia pensar em algo enquanto mantinha seus olhos fixos na estrada.

- Minha querida, não acho que seja uma boa ideia… você sabe que o nosso querido Rato não gosta de… bem…

- Vampiros…

Mel completou a frase da doutora e continuou:

- Acho que eu posso contar nos dedos os humanos que gostam de vampiros… na verdade eu posso contar nos dedos os que toleram vampiros… e Alice, nem pense que vai escapar de mim. Você ainda não me deu um bom motivo pra não te levar presa.

- Mas eu te contei tudo.

- O que me dá mais vontade ainda de te prender. Como você pode fazer uma chacina sozinha?

ALMA VAZIAOnde histórias criam vida. Descubra agora