17 - Assassino Internacional

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Eu cheguei na delegacia as onze e meia para me preparar para a conversa com o delegado Silva. Para ele querer conversar com todos do departamento a coisa não deveria ser fácil, mas não estava esperando o que eu vi quando cheguei. A delegacia estava lotada de uma forma que eu nunca tinha visto antes. Haviam agentes que eu nunca havia visto na vida, eles pareciam ser de outras partes do Brasil e alguns até de outros países. O que pode ser tão importante a ponto de tanta gente vir para nossa humilde delegacia?
São Janeiro do Norte é uma das cidades mais bem desenvolvidas de todo o Brasil. Ela fica localizada no litoral sudeste e é a capital do estado Rio Santo, um dos pouquíssimos estados brasileiros a se reerguer após o declínio da humanidade. Por ser uma cidade grande e movimentada, cheia de humanos e vampiros, a economia aqui é grandiosa, permitindo que as pessoas vivam como se os carniçais e a guerra não fossem mais um problema mundial. Para policiais de outros estados estarem nessa delegacia, algo muito grande e perigoso está acontecendo.
Logo eu avistei Pereira e Mendonça em um canto conversando com outros policiais:
-Bah, parece que a coisa é seria mesmo.
Disse Mendonça, ele estava com uma cara séria.
- Não vejo tanta gente assim nessa delegacia, desde que o degolador deu as caras por aqui.
Disse um outro policial que eu não conhecia. Ele parecia ter uns 40 anos. Pereira olhou logo me percebeu e deu um cutucão no policial.
- Mel, vem cá. O quê cê acha q vai rolar hoje?
- Pode ser o degolador, não é mesmo?
Eu disse esperançosa. Todas as provas do caso Mafalaia davam a entender que era ele. Não tinha como não ser. O policial desconhecido olhou pra mim e falou:
- Não sei não menina, dizem que esse cara já tá morto tem muito tempo… vem cá, eu não te conheço de algum lugar?
- Eu nunca vi você antes.
Ele me encarou por um tempo que parecia uma eternidade até que, como um estalo ele parece ter se lembrado:
- Já sei de onde te conheço, menininha. Você é a garota que apareceu naquele dia. A irmã de garotinha loirinha. Você é filha daquela policial famosa. A última vítima do degolador… qual era o nome dela?
-Sara… minha mãe se chama Sara…
Eu falei me sentindo meio travada. Eu pessoalmente não gosto de me lembrar daquele dia. O dia que vi a Alice chorar… então esse foi o policial que deu a notícia pra Alice.
- Qual seu nome mesmo?
O Policial ajeitou a postura. Creio que ele percebeu que me deixou desconfortável. Ele é alto e magro, tem um bigode cheio e bem-arrumado. Seu cabelo é curto e castanho. Ele estendeu a mão e disse:
- Desculpa minha falta de educação. Meu nome é Pedro Costa, senhorita. O seu é Mel, certo?
Eu estendi minha mão para cumprimentá-lo
- Na verdade é Melanie, Melanie Garcia.
- Então, senhorita Melanie, me de licença, logo vão chamar todos para a sala de conferência e eu quero pegar um bom lugar.
Pedro saiu, me deixando apenas com Mendonça e Pereira, que passaram o tempo todo de nossa conversa desconfortável nos observando.
- Bah, eu também vou nessa. Já tá dando a hora, né?
Mendonça aproveitou o embalo e se foi, assim como Pedro. Pereira continuou onde estava. Eu tentei puxar assunto com ele:
- Eai Pereira, o que você acha que tá acontecendo?
- Não sei Mel, mas, com certeza tem a ver com o caso Mafalaia.
- Se tem a ver com o caso Mafalaia, por que a sessão de crimes contra humanos também foi chamada? Não deveriam chamar a sessão de homicídios?
- Eles também estão aqui. Além dos policiais de algumas outras delegacias… de outros estados…
- Acho que vi um policial norte-americano.
- Eu acho que vi uns falando russo também…
Por algum motivo, quando Pereira falou isso, me veio a mente aquele homem que encontrei na academia. Será que Nicolai era um dos policiais que estavam aqui? Eu comecei a procurar pra ver se via aquele desgraçado em algum lugar, porém não tinha sinal algum dele.
- Bom, acho que devemos ir para a sala de conferência.
Eu apenas acenei e segui o Pereira. A Sala de conferência estava lotada, e ainda tinham muitos policiais que não haviam entrado ainda. Normalmente usamos essa parte da delegacia para palestras motivacionais e para datas comemorativas como o Natal.
Por sorte encontramos um par de assentos vazios no fundo, não daria para enxergar muito bem, porém é melhor do que assistir o que quer que o delegado queira falar de pé. Em poucos minutos a sala estava tão lotada que você não conseguia nem respirar profundamente sem esbarrar em alguém. O pobre e velho ar-condicionado da sala não estava dando conta da quantidade absurda de agentes, então o calor estava super incomodo.
- Espero que essa merda comece logo.
Sussurou Pereira. Ele mal disse isso, o delegado e mais alguns figurões como o conselheiro de segurança nacional e o líder do exército contra os Carniçais entraram na sala.
- Senhoras e senhores aqui presentes, provavelmente devem se perguntar por qual motivo foram chamados para essa conferência.
O Delegado estava pálido, parecia não dormir a dias. Ele falava como se estivesse esgotado e estressado. O que será que aconteceu para deixá-lo dessa forma?
- Durante a madrugada do dia 1 de novembro o empresário Simão Mafalaia foi morto em uma suíte de hotel. Sua cabeça foi removida e até o presente momento está desaparecida.
Um burburinho vinha dos agentes. Eles estavam em polvorosa, esse caso não era segredo pra ninguém, todos estavam falando sobre a possível volta do degolador para São Janeiro do Norte. Todos já sabiam que provavelmente começaria uma caça a esse maníaco e ninguém estava feliz com isso. O Delegado deu uma pausa, respirou fundo e continuou.
- No dia seguinte, 2 de novembro. João Mafalaia, Joanne Mafalaia, 23 seguranças e 7 funcionários foram mortos na mansão Mafalaia. As causas das mortes foram variadas. Acreditava-se que uma quadrilha altamente armada invadiu a casa e fez o assassinato em massa.
O delegado engoliu seco, deu uma respirada funda e continuou.
- Contudo, graças a algumas provas coletadas em ambas as cenas de crime, pode-se constatar que ambos crimes foram cometidos por apenas uma pessoa.
De repente o caos se instaurou entre todos os presentes. Gritos, cochichos, pessoas falando que o degolador havia atacado novamente, não havia dúvidas.
- SILÊNCIO!
Quem gritou foi Heitor Vitrosk o Líder do Exército conta os Carniçais o Famoso LECC. Era uma Muralha em forma de homem. Ele deve ter mais de dois metros, seu corpo é totalmente definido. Seu cabelo preto é cortado estilo militar e ele tem uma cicatriz horrenda de queimadura na bochecha.
Após o grito, todos ficaram em silêncio novamente e o Delegado voltou a falar:
- Sim, assim como vocês, nós pensamos que o culpado era o degolador. Nós reunimos os melhores lideres para pensar em uma medida de segurança para capturá-lo aqui, antes que ele fugisse novamente, mas a prova que encontramos em uma das cenas do crime nos deu algo que jamais pensávamos que seria possível. Você quer continuar senhor…
O delegado olhou para trás e todos de repente notaram uma pessoa que aparentemente esteve la na frente o tempo todo, só que ele tinha uma aparência tão comum, que ninguém nem tinha dado importância para sua existência na sala. Ele era um homem de mais ou menos um e setenta, tinha por volta de seus 45 anos, cabelos pretos, meio narigudo. Usava uma blusa social cinza e uma calça preta. Ele parecia com qualquer homem aleatório que você possa imaginar.
- Erick, meu nome é Erick Pedack.
O tal Erick tinha um sotaque engraçado. Ele tomou o lugar do delegado e desatou a falar.
- Boa tarde, eu sou Erick Pedack e sou da Interpol, a polícia internacional mundial. Eu fui chamado aqui graças aos casos Mafalaias. Ambos os casos foram cometidos por uma Assassina Internacionalmente conhecida com Ghost Woman. Não existe ninguém vivo que já tenha visto seu rosto, pois ela é astuta, inteligente e muito, muito perigosa.
- Como vocês sabem que foi essa tal mulher misteriosa se ninguém nunca a viu?
Um policial perguntou para Erick.
- Em algumas cenas de crime, muito poucas na verdade, ela caba deixando algo com seu DNA cair. Pode ser um copo, uma calcinha. Por mais ela seja extremamente letal, ela pode ser… descuidada.
Eu comecei a ter um leve pressentimento. Algo que estava começando a me preocupar. Não… deve ser só coincidência.
- Como vocês tem tanta certeza de que é uma mulher?
Dessa vez foi o Pedro que perguntou. Ele estava sentado bem na frente.
- Não podemos dizer quem é a pessoa apenas com o DNA dela, pois precisaríamos da pessoa para comparpá-lo, mas podemos dizer o sexo dela com toda a certeza. A assassina é uma mulher. Uma mulher muito forte e tão perigosa quanto o degolador.
Essa sensação estava tomando conta de mim dos pés a cabeça. Não era possível. Tinha que ser coincidência. Tinha que ser.
- Que prova foi essa que fez vocês virem correndo pra cá?
Eu tive que perguntar isso.
- Excelente pergunta senhorita. Dessa vez, nossa perigosa assassina esqueceu uma toalha de banho no quarto de hotel e alguns fios de cabelo na chacina da mansão Mafalaia.

ALMA VAZIAOnde histórias criam vida. Descubra agora