capítulo 5

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Pedro é tão sortudo! Ele finalmente conseguiu um emprego e, pelo visto, não odiou — considerando o bom salário. Seu trabalho é em um pet shop e, como já tem certa experiência cuidando de animais, não será um sacrifício para ele.

Eu, por outro lado, estou saindo do banho, pronta para minha jornada rumo a um emprego. A ansiedade me consome enquanto me visto com jeans e uma camisa azul-marinho. Borrifo um pouco de perfume nos pulsos e no pescoço, tomando cuidado para não exagerar na essência. Prendo os cabelos em um rabo de cavalo, calço as sapatilhas e confiro minha pasta com currículos e documentos.

Assim que saio do quarto, encontro minha mãe e sua prima na sala de estar, entretidas em uma conversa. Pedro está no novo trabalho e, como é seu primeiro dia, saiu bem antes de mim.

— Já está indo? — mamãe pergunta, com um sorriso.

Assinto.

— Boa sorte.

— Espero que dê tudo certo, Margarida — diz dona Noemi.

— Obrigada. Se Deus quiser, vou conseguir — esboço um sorriso nervoso. — Está na minha hora. Tchau pra vocês.

Me aproximo da porta e giro a maçaneta. Me despeço uma última vez antes de encostar a porta atrás de mim. Minha caminhada até a parada de ônibus mais próxima não é cansativa, e nem passo muito tempo lá, porque logo um ônibus aparece. Não hesito em entrar, orando para não me perder em BH. Caso algo assim aconteça, ainda tenho meu celular jurássico, que ao menos serve para ligações. Espero não precisar dele por esse motivo.



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Horas depois...

Confesso que estou exausta após entregar tantos currículos. Entrei em tantas lojas que até perdi a conta de quantas vezes precisei sorrir e murmurar: "Posso deixar meu currículo aqui?"

Claro que algumas pessoas se negaram a receber, o que me deixou um pouco decepcionada. Mas deixei esse sentimento de lado, já que a maioria aceitou. Só espero que meu currículo não vá parar numa lata de lixo qualquer e que, caso se interessem, me liguem.

Decido sentar em um dos bancos da praça depois de comprar uma garrafinha de água. Me refresco, amando a sensação da água escorrendo pela garganta seca. Passo a mão pela testa suada, observando os arredores com curiosidade. Vejo algumas pessoas fazendo caminhada, enquanto outras conversam casualmente ali por perto.

Praticamente esvazio a garrafa antes de guardá-la na bolsa.

— Sua merdinha!

Me sobressalto com o grito e viro o rosto, encontrando um grupinho de garotas em uniformes escolares. Cinco meninas estão de pé, rodeando outra garota que parece ter a mesma idade delas. Eu não daria mais de quinze anos.

Provavelmente acabaram de sair da escola.

A garota no centro da roda está encolhida, com o cabelo loiro cobrindo parcialmente o rosto visivelmente assustado.

Estreito os olhos, analisando a situação, e logo entendo do que se trata.

— Diga alguma coisa, retardada! — a mais agressiva a empurra, fazendo-a cair sobre os seixos.

Ela continua de cabeça baixa, mesmo no chão.

Dou uma olhadela em volta e percebo que ninguém parece se importar com o que está acontecendo. Para alguns, parece até um show. Uma total falta de empatia.

As outras meninas da roda riem alto, claramente se divertindo.

— Não vai falar nada, porra? — outra garota se enfurece e se aproxima da menina caída, puxando seu cabelo para forçar que levante o rosto.

A Flor e o HerdeiroOnde histórias criam vida. Descubra agora