capítulo 23

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MARGARIDA

Quase duas semanas se passam, e mesmo com a distância, Rafael continua presente. Ele me liga todos os dias e sempre dá um jeito de me levar para sair nas nossas folgas. É bom. A saudade dói, mas a gente dá um jeito de ficar perto.

Luíza ainda me ignora, e eu evito esbarrar com ela mais do que o necessário. Já Agnes, parece radiante com o fato de eu ser namorada do irmão. Vive dizendo que é incrível ser minha cunhada. Até o senhor Bittencourt não mudou seu comportamento — continua me tratando com a mesma educação de sempre. O restante da casa, incluindo Célia, e até minha família, ainda não sabe de nada. Mas sei que vai chegar o momento de contar à minha mãe... e ele está cada vez mais próximo.

Depois de checar uma mensagem, encontro Rafael do lado de fora do portão, recostado no carro. Assim que me vê, se aproxima e me envolve num abraço apertado, ignorando qualquer olhar curioso.

— Rafael, podem nos ver — sussurro, quando ele se afasta um pouco.

— E daí? — dá de ombros. — Logo todo mundo vai saber, não vai?

— Vai. Mas está ficando cada vez mais difícil esconder. Te ver distante me dá vontade de pedir demissão.

— Se fizer isso, posso arranjar um emprego melhor pra você.

— Eu agradeço, de verdade. Mas quero conquistar as coisas por mim mesma. Além disso... gosto muito da Agnes. Não consigo simplesmente ir embora.

— Espero que tudo se resolva logo. Odeio essa situação — suspira, e segura minhas mãos. — Mas eu vou dar um jeito.

— Promete?

Ele sorri, aquele sorriso terno que só ele tem, com o cabelo castanho claro bagunçado pelo vento.

— Prometo, flor.

Conversamos mais um pouco antes de me despedir e voltar para a mansão.

Assim que me aproximo da entrada, vejo Luíza. Ela parece ter presenciado o nosso encontro.

— Como ele está? — pergunta, com a voz baixa.

Será que ela e Rafael não têm se falado? Ou será que ele é quem está evitando?

— Está bem — respondo, incerta.

— Fico feliz por isso — ela murmura, dá as costas e sobe as escadas.

Suspiro fundo e sigo para o quarto de Agnes.



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No dia seguinte...

Já se passaram muitos minutos e nada da Agnes.

Estou parada em frente à escola, aflita, tentando entender o motivo da demora. O celular vibra com uma mensagem de Luíza:

— Por que estão demorando tanto?

Compreensível, dado o tempo desde que saí da mansão. Respondo de imediato:

— Estou preocupada. Agnes ainda não apareceu.

— O quê?! Chego aí em instantes.

Ela vem mesmo. Está claramente aflita.

Guardo o celular no bolso da calça jeans e respiro fundo.

Como ninguém da escola soube me informar nada concreto, vou até o porteiro, um senhor simpático que costuma ser atencioso.

A Flor e o HerdeiroOnde histórias criam vida. Descubra agora