capítulo 20

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Uma semana depois...

Agnes insistiu para que eu jantasse com ela e os pais, e, no fim das contas, cedi.

Agora estou sentada à mesa enorme da família Bittencourt, enquanto todos conversam casualmente. O senhor e a senhora Bittencourt já se acostumaram com a minha presença ao lado de Agnes, o que torna tudo menos constrangedor.

— Ei, família! — estremeço involuntariamente ao ouvir a voz de Rafael descendo as escadas e se aproximando da mesa.

Ele se senta do outro lado, de frente para mim, e me encara com discrição enquanto as funcionárias começam a nos servir. Faço questão de me servir sozinha — mãos para isso eu tenho de sobra.

— Ainda está chateada comigo, mãe? — ele pergunta, olhando para Luíza.

Ela suspira fundo.

— Claro que não, filho. Já passou.

Tenho certeza de que falam sobre o noivado cancelado.

— Que bom. Eu não conseguiria conviver com seu desprezo.

— Eu nunca senti desprezo, Rafael. Só fiquei contrariada. Você sabe que eu te amo. Não seria capaz de te odiar.

— Fico feliz em ouvir isso. Também te amo.

Logo os pais dele mergulham em uma conversa sobre a empresa, envolvendo-o no assunto várias vezes.

No meio do jantar, percebo o olhar de Rafael pousado em mim. Tento manter o foco na comida, mas sinto o estômago revirar. Para fugir daquela tensão silenciosa, puxo assunto com Agnes, que prontamente embarca na conversa com animação.

Mesmo assim, nossos olhares se encontram algumas vezes. Os olhos incrivelmente azuis de Rafael me prendem, e sou forçada a desviar rapidamente, antes que alguém perceba o que está acontecendo ali.


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23h59

A mansão está mergulhada em silêncio.

Todos devem estar dormindo agora. Todos... menos nós dois.

— Como eu te amo. — Rafael murmura contra minha clavícula, fazendo meu corpo se arrepiar inteiro.

— Eu também te amo. — confesso, deslizando minha mão até a nuca dele, puxando-o para mais um beijo.

As mãos dele passeiam por mim, queimando minha pele a cada toque. Seus lábios seguem o caminho do meu decote, que a camisola deixa parcialmente à mostra, e nossa respiração está entrecortada.

— Rafael...

Ele me guia até sua cama enorme. Agradeço mentalmente por ele ter trancado a porta.

Nos deitamos, ainda vestidos, mas nos tocamos como se estivéssemos em brasa.

Nossas línguas se encontram em um beijo profundo, e solto um gemido baixo ao sentir sua mão firme na minha cintura. Estou usando um vestido leve, e quando abro as pernas, ele se acomoda entre elas. Meu rosto cora ao sentir sua evidente excitação roçando contra minha intimidade, separada apenas pela fina barreira da calcinha. Ele se esfrega contra mim, enquanto o beijo se aprofunda, deixando tudo mais intenso.

— Não quero apressar nada, mas... — ele deixa a frase no ar, como um aviso silencioso.

Mesmo desejando cada segundo, sei que ainda não estou pronta.

Minhas mãos tocam o peito dele, pedindo delicadamente que pare.

— Ainda não estou pronta para ir mais longe. — murmuro, ofegante. — Você pode esperar?

— Claro. — ele responde, apesar do olhar claramente torturado. — Tudo no seu tempo, flor.

Sorrio, grata pela compreensão.

— Mas podemos continuar nos beijando muito enquanto isso. — falo, faminta pelo toque dele.

— Por que não disse antes? — ele sorri e me beija novamente, com a mesma intensidade de antes.


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No dia seguinte

Ajudo Agnes com as atividades da escola e agradeço por ser boa em matemática — caso contrário, estaria perdida tentando explicar os cálculos.

— Antes eu odiava essa matéria, mas você me fez gostar. — ela sorri, fechando o caderno.

— É mais simples do que parece. Só precisa se esforçar para entender.

— Sim. Agora eu acredito nisso.

Depois seguimos para a sala. Insisti para que ela saísse do quarto e se distraísse um pouco. Ela liga a enorme TV com entusiasmo.

Corro para a cozinha e preparo pipoca, sob o olhar divertido de uma das cozinheiras.

— A menina gosta de você. — ela comenta.

— Acha mesmo?

— Dá pra notar. Ela nunca agiu assim com ninguém. Quer dizer... já faz um bom tempo.

— Me conta essa história. — peço, enquanto a pipoca estoura no micro-ondas.

— Antes de entrar no ensino médio, Agnes era cheia de energia. Vivíamos chamando ela de raio de sol, porque animava a casa toda. Mesmo com os pais sempre ocupados, ela não se deixava abater. Mas, de repente, tudo mudou. Ficou mais quieta, fechada. Nunca entendi por quê. Só sei que, desde que você apareceu, ela começou a sorrir de novo.

— Agnes tem um coração enorme. E eu acredito que ela vai voltar a ser esse raio de sol.

Nem que eu tenha que fazer isso acontecer.

Com a pipoca pronta, me viro para sair da cozinha — mas dou de cara com Luíza.

Paro imediatamente, sem saber como reagir ao seu olhar sério.

— Boa tarde, senhora.

— Boa tarde. — ela responde, sem emoção.

Sinto um desconforto no ar e fico aliviada quando ela se afasta e se dirige a uma das cozinheiras.

— Diná, quero falar sobre o jantar de hoje à noite...

Aproveito para escapar e sigo até a sala, sorrindo ao ver a animação de Agnes assim que me vê com o balde de pipoca amanteigada nas mãos.





Espero que estejam gostando

A Flor e o HerdeiroOnde histórias criam vida. Descubra agora