capítulo 25

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MARGARIDA

Duas semanas depois...

Posso dizer com todas as letras que tudo só melhorou nesses últimos tempos - tanto com relação à aceitação do meu namoro com Rafael quanto à vida emocional da Agnes.

Minha família já sabe de tudo. E, considerando o falatório da casa, provavelmente até as paredes da mansão estão por dentro. Minha mãe levou a notícia numa boa, principalmente porque Rafael é um amor com ela. E sobre Agnes... ela tem se mostrado muito melhor desde que as meninas que a machucavam finalmente foram punidas.

As reviravoltas foram inesperadas, especialmente com Luíza, que agora me trata com mais gentileza, e o retorno de Rafael à mansão só completou esse novo cenário.

— O que você tanto escreve aí? — pergunto, rindo, sentada perto da janela do quarto da Agnes.

Ela me lança um olhar divertido antes de responder:

— Estou conversando com o Guilherme.

— Seu namorado?

Ela fica vermelha na hora.

— Não tenho namorado — responde, tentando manter o tom firme. — Conheci o Guilherme recentemente. Ele foi transferido pra minha escola. É legal.

— E bonito, posso imaginar.

Ela não hesita em assentir, os olhos brilhando.

— Muito bonito.

— Quem é bonito? — Rafael pergunta da porta, com aquele típico ar ciumento disfarçado.

Me viro com um sorriso provocador.

— O novo amigo da Agnes.

— Amigo, é?

— Deixa de ser bobo. — dou um soquinho leve no braço dele, que sorri, descontraído.

— Quero te levar pra sair, flor. — Ele me encara com aquele olhar caloroso e gentil, e o cabelo castanho claro dele está meio bagunçado, do jeito que eu adoro.

— Pra onde?

— Niterói.

Arqueio as sobrancelhas, surpresa.

— No Rio?

Ele confirma com a cabeça.

— Mas por quê?

— Tem uma praia linda lá. E porque eu quero mais tempo a sós com você. Vai ser rapidinho, só dois dias.

— Ah, não sei... Sou uma moça de família, não posso sair por aí viajando sozinha com um homem — brinco, dramatizando.

Ele revira os olhos.

— Posso convencer sua mãe.

— Boa sorte com isso. Se conseguir, eu aceito.

— Fechado. — Ele sorri, confiante, sem fazer ideia do desafio que o espera.


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Claro que minha mãe derrete diante do pedido dramático de Rafael. Logo que ele fala sobre a viagem, ela já solta que eu sou maior de idade e dona do meu próprio nariz.

E é assim que me vejo em Niterói, aproveitando cada passeio ao lado de Rafael. É mágico. Temos tempo, temos silêncio, temos nós. E pela primeira vez, durmo com ele durante a viagem.

Na terça-feira, voltamos. Não vou trabalhar — feriado — então fico em casa, de pernas pro ar.

— Quando vai me apresentar seu namorado? — pergunta Pedro, jogado ao meu lado no sofá da sala.

— Quando você parar quieto em casa, vai ter a chance de conhecê-lo.

— Meio difícil. Tô sempre ocupado com alguma coisa.

— Sei bem o que é essa "coisa". — estreito os olhos e ele dá um sorriso safado.

Pedro se encantou por uma colega de trabalho e quase não desgruda do celular. Não sei se estão namorando, mas parece que estão a um passo disso.

— Preciso lavar a moto. — Ele se levanta com preguiça.

Desde que começou a ganhar melhor, Pedro deu entrada numa moto que agora cuida como se fosse um filho. Apesar de sempre preferir cavalos, eu já o vi pilotando motos no interior — ele sabe se virar.

— Sério, você cuida mais dessa moto do que de você mesmo.

— Ciúmes, é isso. — ele solta, divertido, antes de sair.

Na cozinha, mamãe e Noemi preparam alguma coisa deliciosa. Para não atrapalhar, resolvo seguir Pedro.

Encosto no umbral da porta, observando a rua tranquila enquanto ele ajeita a mangueira e os produtos de limpeza. O sol está escondido atrás de nuvens escuras — vai chover.

— Se apressa. Vai cair um temporal.

— Já percebi. — Ele encara o céu por um instante e continua limpando.

Só que a paz não dura muito. Sem aviso, Pedro gira a mangueira e me molha inteira.

— Seu idiota! — grito, e ele gargalha.

Aproveito que ele está abaixado e despejo um balde de água sobre sua cabeça. Pedro se levanta em choque e avança em minha direção, segurando a mangueira e com um sorriso ameaçador nos lábios.

Corro, mas ele é rápido. Sinto o jato de água me atingir de novo, e choramingo, o que só faz ele rir mais. Tomada pela revanche, arranco a mangueira da mão dele e revido sem piedade.

Agora é minha vez de rir enquanto ele leva um banho completo.

A Flor e o HerdeiroOnde histórias criam vida. Descubra agora