capítulo 11

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RAFAEL

Caramba, o beijo na piscina foi a melhor coisa que me aconteceu em anos. Foi a situação mais incrível que já presenciei. E ter Margarida nos meus braços, correspondendo ao beijo, é algo que não quero esquecer tão cedo.

Nosso momento durou até ela parecer despertar de um transe e me empurrar. Eu estava tão atordoado pelo beijo que a deixei fugir praticamente aos tropeços para o interior da mansão.

Fiquei ali por um tempo, nadando para esfriar a cabeça, mas o momento anterior não saía da minha mente.

E não saiu nem mesmo no dia seguinte, quando fui até meu apartamento com Pilar para buscar alguns pertences importantes.

Ela me observa com atenção enquanto enfio algumas roupas na mala.

— Por que não leva só uma mochila? Tem roupas suas na mansão e você só vai passar alguns dias, certo?

— Hm, sim, alguns dias — minto. Na verdade, espero passar muito mais tempo lá, principalmente no que diz respeito a ficar perto da minha flor. — Vou levar a mala assim mesmo. Gosto de sair, então é bom ter roupas pra isso.

Pilar me abraça por trás, recostando a cabeça nas minhas costas.

— Vai ser por pouco tempo. Quando nos casarmos, você não vai mais precisar ficar lá. Vamos comprar um apartamento maior e bem mais luxuoso do que esse.

— Claro — viro-me para ela. — Mas passar esse tempo com os meus pais é algo que quero fazer antes do casamento — murmuro, incomodado com a última palavra.

Antes da chegada de Margarida à mansão dos meus pais, eu sequer pensava negativamente sobre isso. Apesar do passado, a ideia do casamento já era real para mim. Mas, de uns dias pra cá, as dúvidas começaram a aparecer — e isso é péssimo.

Pilar e eu nos conhecemos no ano passado. Ficamos noivos quase de imediato. Parte de mim fez isso por causa da pressão dos meus pais por netos... e também porque havia algo que eu precisava esquecer. Tudo isso me levou a pedi-la em casamento.

Ela é linda, inteligente, vem de uma boa família e parece a garota perfeita para mim — apesar da minha irmã não concordar com isso. E mesmo com todas as incertezas, não posso recuar no compromisso, ainda que tenha vivido a melhor experiência de todas no dia anterior.

— Não é como se você fosse perder sua liberdade depois que nos casarmos — ela comenta, acariciando meu rosto. — Você ainda vai poder vê-los, assim como eu vou poder visitar meus pais. Sua liberdade não vai acabar, lindinho — Pilar me dá um beijo rápido.

— Tem razão — murmuro, forçando um sorriso.

Isso parece ser o incentivo que ela precisa para puxar meu rosto e aprofundar o beijo.

Correspondo, tentando afastar da mente a lembrança do momento com Margarida.

Apesar de ter sido incrível, foi errado. Estou noivo, e Pilar não merece. Aliás, nenhuma das duas merece a minha estupidez.

Nunca fui um cara inconsequente — e é exatamente isso que posso acabar me tornando se continuar perto de Margarida. Mas não consigo evitar. Ela é como uma droga viciante e completamente irresistível.

— Amor — Pilar geme mais alto quando alcanço sua garganta, beijando sua pele macia.

Enquanto meus lábios a tocam, outro rosto invade minha mente. E, por um instante, ela está ali.

Minha flor.

Levo Pilar até a cama e nos livramos das roupas com pressa. Eu me protejo com a camisinha e, em poucos segundos, estou dentro dela, me movendo como se não houvesse amanhã.

A Flor e o HerdeiroOnde histórias criam vida. Descubra agora