capítulo 15

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— Babá?! — repito, chocada. — A Agnes já está bem grandinha pra isso, além de eu nem ter formação específica pro cargo.

— Pelo que a senhora Luíza comentou, você tem qualificação de sobra. — Célia responde, me surpreendendo.

Do que ela está falando? A própria senhora Bittencourt decidiu isso?

— Foi ela quem pediu minha mudança de cargo?

— Exatamente. — ela confirma com um aceno. — Segundo ela, o seu jeito tem feito maravilhas com o humor da Agnes, que só piorava, e agora quer manter isso. E a melhor forma seria deixando você por perto o tempo todo.

— E o que exatamente eu teria que fazer? — pergunto, ainda sem acreditar totalmente.

Ser babá de uma adolescente soa mais tranquilo do que limpar uma mansão inteira. Então, ouço com atenção.

— Você continuará morando aqui, mas com funções diferentes. Vai acompanhar a Agnes à escola e buscá-la — o motorista as levará, não se preocupe. Vai ajudá-la nas tarefas, fazer companhia, sair com ela quando quiser... Enfim, será uma presença constante na rotina da menina.

Na prática, parece mais com uma acompanhante mesmo.

— E não precisa se preocupar com o salário ou benefícios. — ela sorri com um ar vitorioso. — Vai receber o dobro do que ganha hoje.

Quase engasgo. Arregalo os olhos e encaro Célia, que se diverte com a minha expressão.

— Então? Aceita?

Nem penso duas vezes. Assinto com a cabeça várias vezes, ainda atordoada.





Na manhã seguinte, fico observando enquanto Agnes penteia o cabelo em frente ao espelho, animada pra ir à escola.

— Sabia que fiquei muito feliz quando mamãe disse que agora você é minha babá? — ela fala sorrindo.

— Você não ficou nem um pouco incomodada com isso? — pergunto, curiosa.

— Por que ficaria?

— Bom, você já é adolescente... Normalmente, garotas da sua idade não querem babás.

— Ah, isso sim. — ela ri baixinho. — Mas se fosse outra pessoa, talvez eu achasse esquisito. Com você não. Você é legal, Margarida. A gente pode fazer várias coisas divertidas juntas.

Sorrio aliviada.

— Fico feliz que você pense assim.

Assim que ela termina de se arrumar, saímos e seguimos até o carro escuro estacionado do lado de fora. Entramos, e o motorista simpático nos leva à escola.

Durante o trajeto, conversamos sobre trivialidades, e o tempo passa depressa. Ao chegarmos, acompanho Agnes até a sala e depois começo a caminhar sozinha pelo corredor, em direção à saída.

— Olá.

Me viro e vejo um homem se aproximando. Cabelos escuros, rosto bonito, não parece ter mais de trinta anos.

— Oi... — respondo, um pouco surpresa.

— Você é parente da Agnes Bittencourt?

— Ah, não. Sou a babá dela. Vim acompanhá-la.

A Flor e o HerdeiroOnde histórias criam vida. Descubra agora