— Babá?! — repito, chocada. — A Agnes já está bem grandinha pra isso, além de eu nem ter formação específica pro cargo.
— Pelo que a senhora Luíza comentou, você tem qualificação de sobra. — Célia responde, me surpreendendo.
Do que ela está falando? A própria senhora Bittencourt decidiu isso?
— Foi ela quem pediu minha mudança de cargo?
— Exatamente. — ela confirma com um aceno. — Segundo ela, o seu jeito tem feito maravilhas com o humor da Agnes, que só piorava, e agora quer manter isso. E a melhor forma seria deixando você por perto o tempo todo.
— E o que exatamente eu teria que fazer? — pergunto, ainda sem acreditar totalmente.
Ser babá de uma adolescente soa mais tranquilo do que limpar uma mansão inteira. Então, ouço com atenção.
— Você continuará morando aqui, mas com funções diferentes. Vai acompanhar a Agnes à escola e buscá-la — o motorista as levará, não se preocupe. Vai ajudá-la nas tarefas, fazer companhia, sair com ela quando quiser... Enfim, será uma presença constante na rotina da menina.
Na prática, parece mais com uma acompanhante mesmo.
— E não precisa se preocupar com o salário ou benefícios. — ela sorri com um ar vitorioso. — Vai receber o dobro do que ganha hoje.
Quase engasgo. Arregalo os olhos e encaro Célia, que se diverte com a minha expressão.
— Então? Aceita?
Nem penso duas vezes. Assinto com a cabeça várias vezes, ainda atordoada.
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Na manhã seguinte, fico observando enquanto Agnes penteia o cabelo em frente ao espelho, animada pra ir à escola.
— Sabia que fiquei muito feliz quando mamãe disse que agora você é minha babá? — ela fala sorrindo.
— Você não ficou nem um pouco incomodada com isso? — pergunto, curiosa.
— Por que ficaria?
— Bom, você já é adolescente... Normalmente, garotas da sua idade não querem babás.
— Ah, isso sim. — ela ri baixinho. — Mas se fosse outra pessoa, talvez eu achasse esquisito. Com você não. Você é legal, Margarida. A gente pode fazer várias coisas divertidas juntas.
Sorrio aliviada.
— Fico feliz que você pense assim.
Assim que ela termina de se arrumar, saímos e seguimos até o carro escuro estacionado do lado de fora. Entramos, e o motorista simpático nos leva à escola.
Durante o trajeto, conversamos sobre trivialidades, e o tempo passa depressa. Ao chegarmos, acompanho Agnes até a sala e depois começo a caminhar sozinha pelo corredor, em direção à saída.
— Olá.
Me viro e vejo um homem se aproximando. Cabelos escuros, rosto bonito, não parece ter mais de trinta anos.
— Oi... — respondo, um pouco surpresa.
— Você é parente da Agnes Bittencourt?
— Ah, não. Sou a babá dela. Vim acompanhá-la.
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A Flor e o Herdeiro
RomantikMargarida Bellini é tão peculiar quanto o seu nome. Bonita como uma flor do campo, ela captura a atenção de Rafael Bittencourt no instante em que seus caminhos se cruzam pela primeira vez, na pequena região onde vive com a mãe e o irmão. Mas, depoi...
