capítulo 22

1.8K 159 14
                                        

Uma semana depois...

— Eu te amo — sussurra Rafael, no exato momento em que alcança sua liberação. Exausta e satisfeita, solto um suspiro sob o corpo dele.

Ele se afasta de mim, saindo devagar, e se deita ao meu lado. Eu o encaro, ainda ofegante.

— Que horas são?

— Já passou da meia-noite — responde, com a voz rouca.

Arqueio as sobrancelhas, me alarmando.

— Preciso voltar pro meu quarto.

Ele franze o cenho, insatisfeito.

— Por quê?

— Sua mãe já está desconfiada que tem algo entre a gente. Precisamos ser cuidadosos.

Ele assente, embora contrariado, e seguimos juntos até o banheiro da suíte. Tomamos um banho rápido. Depois, visto novamente minha camisola verde de estampa floral.

Rafael me observa, apoiado no batente da porta.

— Quer que eu te acompanhe?

— Nem pensar — respondo, rindo quando ele finge estar ofendido. — Alguém pode ver a gente.

— Você quem manda, flor — diz com um sorriso divertido. Eu retribuo e me aproximo para um último beijo.

Me despeço e destranco a porta, saindo em silêncio. Quando viro para fechá-la, quase tenho um ataque cardíaco.

Luíza está parada no corredor, me encarando com os olhos arregalados, uma mistura de surpresa e indignação estampada no rosto.

Droga.

— O que estava fazendo no quarto do meu filho?! — ela praticamente grita, e eu recuo, instintivamente me afastando da porta para evitar que Rafael ouça.

— Eu...

— Não precisa inventar desculpas. Já entendi tudo — ela cerra os punhos, o rosto tomado por uma fúria contida. — Eu desconfiava, mas agora tenho certeza. Me acompanhe até seu quarto — ordena, se virando sem me dar tempo de reagir. Sem alternativas, eu a sigo.

No quarto, Luíza gira nos calcanhares e me encara com a mesma raiva, embora não levante a voz como eu esperava.

— Estão dormindo juntos, não é? — bufa, incrédula. — Então é por isso que Rafael terminou com Pilar. Sabia!

— Rafael terminou com ela por escolha dele. Ele não a amava. Só ficamos juntos depois disso. E nós nos amamos, senhora.

— Se amam? — ela ri, sem qualquer humor, me fazendo ferver por dentro. — Isso é só fogo de palha. Está na cara que você só quer o dinheiro dele.

— A senhora está me ofendendo — minha voz treme, mas não de medo. — Eu amo o seu filho. Não contamos antes justamente porque sabíamos que a reação da senhora seria essa. Cheia de preconceitos.

— Preconceitos?

— Sim. Pode se comportar como uma mulher educada a maior parte do tempo, mas desde o início me julgou sem nem me conhecer. Eu tenho valores. Não sou nenhuma interesseira.

— É mesmo? — ela fecha ainda mais a expressão. — Então arrume suas coisas. Está na rua amanhã. Está demitida.

As palavras me atingem como um soco. Mesmo esperando algo assim, dói ouvir. Luíza nunca quis me ver com o filho dela, e agora tem o pretexto perfeito.

— Tudo bem — respondo, com firmeza, e vejo a surpresa em seu rosto. — Eu vou embora. Mas nunca vou esquecer o que ouvi da sua boca. E quero deixar bem claro: amo seu filho. Não estou com ele por dinheiro. Não preciso me rebaixar a isso.

A Flor e o HerdeiroOnde histórias criam vida. Descubra agora