epílogo

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Dois anos depois...

Acho que agora é o momento certo para contar tudo o que aconteceu nesse tempo.

Agnes terminou o ensino médio. Está namorando o Guilherme, e pelos sorrisos constantes e as mensagens fofas que ela vive trocando com ele, dá pra ver o quanto está feliz. Ela me visita sempre que pode, já que deixei de trabalhar na casa dela e da Luíza para me dedicar ao meu curso de enfermagem — um sonho antigo que finalmente comecei a realizar.

Minha família continua no mesmo bairro de antes, apesar das minhas tentativas de convencê-los a se mudarem para um lugar melhor. Mas a verdade é que a casa da tia Noemi agora está reformada e linda. Tem uma energia boa, sabe? E o Pedro... bom, ele está brilhando com suas pinturas. Cada vez mais gente se encanta com os quadros dele — e com razão.

E o Rafael...

Ele é o marido mais dedicado e paciente que alguém poderia desejar. Eu o amo tanto que, às vezes, chega a assustar. Nossa conexão vai além do que eu consigo explicar. Ele divide seu tempo entre o trabalho e a vida a dois com uma leveza admirável — e mesmo com a rotina corrida, nunca deixa que a distância se instale entre nós.

Nos mudamos para um apartamento mais espaçoso. Rafael fez questão disso. Disse que queria um lugar com mais luz, mais espaço, mais vida — "perfeito para os filhos que ainda vamos ter", como ele costuma repetir, sempre com um sorriso nos lábios.

E ele nem imagina que...

— No que você está pensando, flor? — sua voz surge baixinha, perto do meu ouvido.

Acabo deixando o livro de lado e o encaro com carinho. Ele sorri de volta, o cabelo castanho claro um pouco bagunçado pelo vento e os seus olhos me observando com aquele brilho que sempre me acalma.

— Só estava pensando em como nossa vida mudou. No rumo que tudo tomou.

— Então é por isso que estava sorrindo? — ele pergunta, sentando ao meu lado.

— Sim, por isso mesmo — respondo, me espreguiçando na cadeira perto da janela. — Mas acho que estou com sono.

— Quer deitar um pouco?

— Ainda não. Preciso tomar um remédio primeiro. Essa dor de cabeça não me deixa em paz — minto com naturalidade.

— Onde está o remédio?

— Naquela gaveta. — aponto com o queixo, indicando a cômoda ao lado da cama.

Ele se levanta, vai até lá. Eu o observo em silêncio, atenta a cada gesto. Quando se abaixa para procurar, vejo os ombros dele se mexerem com leve hesitação.

— Não estou encontrando o re... — ele para no meio da frase.

Meu coração dá um salto.

Rafael se vira devagar. Na mão, está o pequeno teste de gravidez. Ele o segura como se fosse frágil demais para ser real.

Seus olhos azuis me encaram, confusos, surpresos.

— Você está...? — sua voz sai trêmula.

— Sim — digo apenas isso, mas é suficiente.

A compreensão se espalha pelo rosto dele como um nascer do sol. Em questão de segundos, as lágrimas escorrem dos olhos dele — e dos meus também.

Rafael me puxa para um abraço apertado, me envolve com tanta força e ternura que quase esqueço como se respira. Ele me segura como se eu fosse o bem mais precioso do universo.

— Vamos ter um bebê — sussurra, com a voz embargada.

— Nosso bebê — respondo baixinho, encostando o rosto em seu ombro. Ele funga contra meus cabelos e sei que está chorando, assim como eu.

Então, como se movido por puro instinto, Rafael se afasta só o suficiente para se ajoelhar diante de mim. Fica cara a cara com a minha barriga, ergue minha blusa branca com delicadeza e começa a encher minha barriga de beijos, como se já quisesse mostrar ao nosso bebê o quanto é amado.

E ali, naquele instante cheio de amor e leveza, eu sei — com todas as minhas forças — que não trocaria isso por nada no mundo.

Se depender de mim, vou permanecer nesse abraço forte para sempre.

Esse é o plano.


Fim!


❤❤❤



Nossa... mais um livro finalizado e não posso deixar de ressaltar que estou muito feliz por ter conseguido finalizá-lo da forma como desejei.

Espero que tenha curtido🥰🍒

A Flor e o HerdeiroOnde histórias criam vida. Descubra agora