Um novo professor?-5

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UI'S POV

 Minha mente começou a clarear, meus olhos abriram com cuidado, tento mexer meus braços mas não consigo mexê-los, tento mexer os pés mas é a mesma coisa. Estava preso a uma mesa de metal, só que ela estava em uma posição que o deixava de pé, ele estava amarrado por cintos de couro e ele não conseguia se soltar. Eu continuo tentando me mexer nem pensando em olhar ao redor, eu só paro quando ouço alguém cantarolando uma música familiar. 

 Eu conheço essa voz. Pensei, tentando me lembrar aonde já à havia ouvido. Enquanto isso a voz ficava mais alta e eu conseguia ouvir os passos se aproximando, foi quando a pessoa parou perto da porta que eu percebi por que a voz era familiar.

 - Seu moleque filha da- 

 - Ei, ei, ei. Sua mãe não lhe ensinou a ter boas maneiras Koori? - Haise falou num tom sério, embora conseguisse identificar um pouco de brincadeira na voz dele. 

 Ele estava com as mesmas roupas de trabalho, roupas largadas, agora complementadas com um jaleco. Ele estava com um pirulito pendendo na boca, e uma pequena maleta segurando nas duas mãos.

 - Sabia que aquele papo de 'me leve para casa' estava estranho... Seu psicopata desalmado! Me solta dessa merda! - Gritei, ele não teve nenhuma reação, apenas suspirou e foi em direção a um canto da pequena sala.

 - Deixa eu adivinhar, você quer que eu te solte, mas quando perceber que eu não vou fazer isso vai me perguntar por que eu faço isso, eu vou te contar uma história super triste, você não vai nem sentir pena. Eu vou fazer o meu pequeno vicio, você vai morrer, vou te deixar num beco escuro e ir embora me preparar para outro dia de trabalho na escola. - Ele falou sem rodeios, parecia que aquilo se repetia muitas e muitas vezes, como um disco quebrado, ele parecia cansado de repetir os mesmos ciclos. Parecia que estava preso em um ciclo sem fim de risco e recompensa. - É sempre a mesma coisa, então... tente diferenciar um pouco pode ser? Talvez eu deixe sua morte ser mais rápida e mais indolor...

 - Por que eu? - Eu perguntei, já vendo que eu não iria conseguir me livrar das tiras de couro, decidi que iria pelo menos enrola-lo o suficiente para viver mais um pouco. Ele suspirou enquanto abria a maleta que trouxe, tirando um bisturi brilhante que parecia ter sido lavado recentemente. Engoli em seco me lembrando como as vítimas eram mortas.

 Empalhamento

 - Eu te falei que eu preferia pessoas sérias, lancei aquela pergunta para ver como você era e você mordeu a isca... - Ele se abaixou e abriu o armário, pegando um balde de limpeza embora ele tivesse certeza de que aquele balde não era para limpar algo. - Você também tinha o corpo padrão para as minhas vítimas e eu achei interessante matá-lo.

 - Por que... pessoas sérias? - Perguntei a primeira coisa que me veio a cabeça, mas ele pausou, como se tivesse tocado em um ponto sensível. Ele se lembrou do jornal que estava vendo sobre o caso dele e começou a rever os motivos de alguém virar um assassino e o que definem um assassino em série.

 Serial Killers tem consciência de que estão fazendo algo errado, eles sabem o que é certo e errado mas sentem prazer em ver sua vítima morrer da forma escolhida.

 - Meus pais eram pessoas bem sérias... De algum jeito, eu nunca consegui ser dessa forma, não conseguia ser responsável igual eles, não conseguia agir igual eles, não conseguia me concentrar igual eles, eu... não era o filho que eles esperavam... - Ele veio até a minha direção e arrumou um pouco a mesa, deixando a mesma inclinada. Se abaixou e sentou no chão em posição de índio. - Bem, minha mãe se separou do meu pai por nenhum motivo aparente, ele começou a beber, fumar e trazer umas mulheres para casa. Nunca entendi muito bem o que acontecia, mas eu sabia que não deveria fazer qualquer coisa errada quando ele estivesse em casa, ou ele me bateria e xingaria de novo e de novo até achar que era suficiente.

ResquíciosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora