One-shot: Minha estrela

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 Ele fora designado para isso, ele não deveria reclamar. Mas era tão solitário, poucas pessoas se aproximavam das nuvens, os humanos eram muito baixos para isso é as aves não conseguiam voar muito longe.

 Mas as estrelas, ah... As estrelas sempre voltavam. Ele aparecia e alegrava as suas noites frias, em que eu juntava as nuvens apenas para vê-lo.

 Sasaki Haise, o garoto brilhante que representava as estrelas e ele mesmo, Arima Kishou, que representava as nuvens.

 Eles eram muito diferentes, o garoto sorria e amava conversar com o mesmo. Já o homem era mais reservado e preferia ficar quieto no seu canto, embora amasse trocar historias com o homem estrelado.

 Ele tinha cabelos brancos e perfeitamente alinhados, seus olhos eram cinzas escuros como nuvens de chuva, sua toga branca terminava meio transparente e com o que pareciam redondas bolinhas de algodão. 

 E mais uma vez, o sol se põe e a lua sobe, abrindo o caminho para que seu garoto decorasse a noite com os pontos brilhantes. O seus cabelos bagunçados com pontas brancas decoradas com algumas estrelinhas e as raízes negras representando a interferência da noite, seu sorriso brilhava. Seus olhos representavam duas estrelas, o olho esquerdo que era vermelho como uma Gigante Vermelha e o olho direito cinza bem claro que representava uma Anã Branca. Ele vestia uma toga preta que terminava numa volta de estrelas. 

 Ao contrário dele, Haise era... realmente bonito.

 - Arima! - O garoto o chamou animadamente e sorriu para ele, se jogando em cima de um amontoado de nuvens que havia ali perto, assustando um pouco o homem que estava lendo um dos manuais (pela terceira vez) sobre como lidar com as novidades dos humanos. 

 Seus olhos se voltaram a ele, que logo fechou seu livro e foi em direção do garoto. Os olhos bicolores lhe encararam com curiosidade, ele parecia animado e segurava algo na mão que ele não conseguiu identificar o que era.

 - Haise, me desculpe por não aparecer esses dias. Sabe como é, tive que evaporar água novamente para me tornar mais sólido. - Comentei, sentando ao seu lado no pequeno amontoado de nuvens.

 - Tudo bem, mais do que todos eu entendo de ciclos naturais. - Haise comentou, terminando com uma risada breve e continuando a deixar sua mão para trás, sem ele conseguir ver o pacote.

 Sim, estrelas vêm e vão, viram nebulosas ou buracos negros. As estrelas sempre estão em um ciclo, podem estar bem no começo, ou no meio de um. Realmente, se fosse para alguém lhe entender com certeza seria ele ou os irmãos Kirishima, que representavam os rios e os mares.

 - Ei, vi um vários meteoros irem em conjunto para cima de um planeta só hoje. Ele virou um monte de minis-luas que ficaram rodeando uma das minhas estrelas até que eles caírem nela e fez algumas mini explosões. Resultou na morte dos dois planetas mais próximos mas foi bonito! - Ele falou animadamente. - E você Kishou? Encontrou algo divertido?

 - Os humanos criaram um tipo de bola flutuante que funciona através do fogo e que eles entram e saem flutuando, são muito bonitos e são todos coloridos. Eles ficam flutuando aqui perto por um tempo e depois voltam para o chão, embora eu acho que Eto não esteja muito feliz já que algumas vezes eles pousam errados e acabam queimando suas florestas. - Falei, lembrando da ocorrência de alguns dias atrás. - Ajudei um pouco levando algumas nuvens de chuva para lá mas não consegui fazer muita coisa.

 Haise riu um pouco e se jogou nas nuvens fofinhas, olhando o céu noturno e sorrindo. Me deitei ao seu lado, mas não olhei o céu, eu olhei ele. De certa forma, ele era o céu de estrelas brilhante que fazia meu coração disparar, sorri e continuei a olhá-lo como sempre fazia em momentos como esse, momentos de silêncio em que ele podia observar o rosto lindo do pequeno homem estrelado. 

 - Por que você me observa tanto? - Ele falou, virando seu rosto para mim, me fazendo arrepiar mas não tinha coragem de desviar o olhar daqueles olhos bicolores e grandes. Ele acabou se aproximando sem perceber, sentindo a respiração do homem e vendo seu rosto corar. - Arima?

 Deixei meus olhos viajarem para a boca rosa claro do menor, tão tentador... Suspirei antes de me aproximar ainda mais e beijá-lo.

 Foi com certeza um impulso, ele sabia, mas não havia como voltar atrás, não, não agora. Ele aprofundou o beijo ao sentir um pequeno movimento do garoto, uma mostra de que ele o correspondia.

 Ele se colocou acima do mesmo e separou seus lábios, parando para observá-lo. Seus olhos estavam arregalados e suas pupilas dilatadas, seus lábios estavam entreabertos e ele ofegava, seus cabelos bicolores bagunçados sobre as nuvens brancas, uma de suas mãos ainda segurava o pequeno pacote enquanto a outra segurava com força as nuvens abaixo de si.

 - Kishou... - Ele falou e encarou-o com uma expressão que Arima não conseguiu identificar mas mesmo assim, não encontrou nenhum tipo de mostra de que ele não havia gostado ou que sentia repulsa do homem acima dele.

 - Desculpe, foi impulsivo... - Falei finalmente, já prevendo um longo período sem vê-lo, sai de cima do mesmo e sentei um pouco mais longe mas perto o suficiente para ver o mesmo corar mais forte, se sentar e colocar a mão sobre a boca. - E-Eu... Ah, Haise desculpa e...

 Fui calado com um forte empurrão e acabou se deitando com o peso de Haise acima dele. Ok, esperava que o garoto ficasse bravo mas não que o empurrasse. Ele olhou para cima e observou Haise corado, seus olhos estavam com uma intensidade que ele nunca havia visto e ele estava com uma cara irritada.

 - Você sempre se desculpa demais! Isso me irrita. - Ele falou e eu engoli em seco. - Me deixe falar seu idiota.

 - Tá... - Respondi, olhando os olhos bicolores se aprofundarem. 

 Agora que estava perto o suficiente para observá-los, percebi que suas pupilas não passavam de desenhos de buracos negros dentro dos olhos, percebi também que havia um certo brilho na parte branca dos cabelos, como um sol ambulante, mas sem todo aquele brilho do Hide ou uma lua cheia, mas sem toda a melancolia de Ken.

 Percebi que queria muito, mas muito mesmo que ele fosse meu.

 Ele pegou o pequeno pacote e me deu, sentando em meu colo sem me dar abertura para reclamar apenas me deu a ordem de abri-lo. Me levantei um pouco, o suficiente para ficar sentado e observei o pacote decorado com papel laminado cinza.

 Abri e encontrei um livro sobre artesanato. Não entendi o que aquilo tinha haver no momento e o olhei confuso, ele suspirou e resmunou algo como "Nuvens são mesmo lentas", o que eu achei um grande insulto considerando que eu tinha que dar a volta ao mundo com elas.

 - Você está sempre lendo aqueles manuais chatos, então eu pedi um desejo as estrelas cadentes e pedi um livro mais interessante. - Ele falou e coçou a têmpora, soltando um pequeno suspiro. - Vê se aprende e encontra outro passatempo e... considere isso um pedido de namoro...

 Fiquei chocado ao ouvir a última parte, mas logo sorri e o puxei para um abraço. Ele resmungou mas devolveu o carinho.

 - Agora, não me chame de lento. - Eu falei fazendo cócegas nele, que se encolheu e começou a rir e tentar se desvencilhar do meu abraço. 

 - T-Tá! - Ele falou e eu parei, abraçando sua cintura e observando ele respirar fundo para retomar o ar. - Até por que lento é eufemismo considerando sua lerdeza de tartaruga com câimbra.

 Comecei a fazer cócegas novamente e ele começou a rir e tentar sair dos meus braços novamente.

 Eu gostei daquela nova sensação, aquele novo passatempo e um sentimento de carinho totalmente novo.

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Eai, tava fazendo essa one porque não tinha criatividade para atualizar uma das fic longa! Nhei!

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