Norman
Acordei, ouvindo uma música doce encher os meus ouvidos, minha cabeça estava deitado em algo um pouco mais duro que os travesseiros da minha cama e alguém estava fazendo carinho nos meus cabelos. Aos poucos, abri os olhos, encontrando o rosto sereno e suave de Ray com os olhos fechados acima de mim.
Não tive coragem de me mexer, ele disse que não gostava de contato então por que estava fazendo isso? Percebi que minha cabeça estava encostada em suas coxas, uma de suas mãos brincava com meus fios e a outra encostava na minha bochecha fazendo um carinho gostoso.
A música em si parecia ter vida, como se, mesmo que sem a letra, ele pudesse sentir toda a história por trás dela. Ele acabou não se controlando e colocou uma das mechas do cabelo de Ray para de trás do seu ouvido, o mesmo toma um susto e para de cantar, olhando para mim com aqueles olhos verdes profundos.
- Por que colocou minha cabeça no seu colo? - Perguntei, olhando os olhos dele suavizarem e sua boca fechar se expressão.
- Eu sai do banho e você estava tremendo, dizendo algo sobre não pegarem você e deixarem sua família em paz... - Tremi só de lembrar de um breve pedaço do pesadelo, ele e sua mãe voltando de um mercado local e então... Não, elimine isso, chega. - Então eu resolvi acalmá-lo com um pouco do meu poder...
- Seu... Poder? - Perguntei, me levantando aos poucos e me sentando ao seu lado, vendo o olho visível dele apertar, como se ele não tivesse lembranças boas. Me lembrei do por que estarmos buscando por ele...
"Um mago demônio capaz de fazer de tudo com o poder de suas palavras"
- Os demônios nascem com... poderes únicos... Recebemos as habilidades normais que vem com qualquer um e que todos podem conseguir, desde elfos... - Ele suspirou pesadamente, encostando sua cabeça no batente da cama, ele parecia repetir essa história bastante. - A gigantes... Mas alguns demônios escolhidos de geração em geração, recebem uma benção de Lúcifer, mas apenas os escolhidos o resto continua apenas com as habilidades que nasceram com eles...
Compreendi o que ele estava querendo dizer, ele havia sido escolhido, ele recebeu esse poder, ele usou esse poder, por causa desse poder que ele era um dos Três Grandes. Ray se sentia sufocado por conta de só estar na posição por causa desse poder, por isso ele efetua seus crimes sem usá-lo.
- Eu fui o escolhido da vez... Ganhei o poder de usar os pecados ao meu favor com um que eu conseguisse usar melhor... - Ele falou sem muito ânimo na voz, parecia lembrar de um passado distante, seu olhar estava concentrado em algum ponto do passado como se não quisesse revivê-lo.
- Qual é o pecado que você consegue usar com mais facilidade? - Perguntei, não conseguia pensar em algum dos pecados que podia facilitar para o uso de sua voz. Ele me olhou calmo, como se, pela primeira vez naquela conversa, estivesse concentrado no presente.
- Luxúria. - Ele falou simples e direto, eu arregalei os olhos e o olhei com espanto. Ele retribui com um olhar confuso e parecia me perguntar mentalmente por que diabos eu parecia tão assustado.
- Luxúria?! Tipo... sabe... sexo? - Perguntei, vendo ele arregalar os olhos e corar até a ponta dos ouvidos.
- Meu Lúcifer amado! Não! Quer dizer, sim mas não desse jeito! - Ele praticamente gritou e eu vi algo como um mini chifre aparecer na sua cabeça, bem acima do olho visível. - E-Ela pode ser u-usada dessa f-forma mas eu uso ap-penas o charme para conseguir o que q-quero as vezes! Vocês humanos sempre destorcem o significado dos pecados!
- D-Desculpa! Foi assim que eu aprendi! - Falei, me defendendo de um travesseiro lançado pelo moreno. Quando as coisas se acalmaram, notei que o chifre ainda estava lá.
Ele não era muito grande, era proporcional ao corpo do menor, havia também outro despontando da franja. Eles eram pretos com uma ponta descolorida em vermelho, havia um pequeno rabo com uma ponta pontuda, que se envolvia em torno da sua cintura. Não via asas em lugar algum, talvez ele não as tivesse ou não tenha as liberado.
- Por que está me encarando tanto? - Ele pergunta com sua voz calma, seus olhos brilhando curiosos.
- Não sabia que você tinha chifres tão pequenos... - Falei sem pensar e toquei o meu dedo na ponta do que saía do meio da franja, ele estremeceu e me acertou com o rabo, que doeu um pouco mas não muito, mas foi suficiente para tirar minha mão de perto do chifre dele.
- Não toque! São sensíveis! - Ele exclamou, cobrindo os dois com as mãos, enquanto seu rabo ia de um lado para o outro. Ele parecia fofo assim, acho que agora quem está cometendo o pecado da luxúria sou eu...
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Resquícios
Fiksi PenggemarEntão, basicamente um monte de capítulos soltos das minhas historias do spirit e do Ao3. E só isso mesmo...
