Melhor que Você

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Aquele dia havia amanhecido bem, já estava me acostumando com o modo como sol entrava no dormitório dos meninos.

Fizemos uma troca clandestina, Zabini agora ficava no quarto com Pansy enquanto eu curtia meus dias cheios de cuecas sujas e desorganização com Draco, Goyle e Crabbe. Se Snape descobrisse com certeza levaríamos uma eternidade de detenções, mas ele não suspenderia uns dos melhores alunos dele.

Entramos no Salão Principal para o café da manhã, tinha tudo para ser uma manhã ótima, se não fossem pelos olhares de todos sobre mim. Foi então que eu vi os jornais.

Aquilo foi quase uma explosão. O Profeta Diário noticiando que inúmeros criminosos fugiram de Askaban e de repende todos passando a acreditar em Harry sobre Voldemort realmente ter voltado. Mas é claro que em uma notícia dessas os jornais não deixariam de mencionar meu pai, e dessa vez o Ministro da Magia havia colocado "o notório assassino Sirius Black" como quem executou a fuga.

Sentei na mesa da Sonserina tentando não olhar muito para os lados e ver mais da metade de Hogwarts me encarando.

—Essa louca é sua tia?- Goyle me mostrou a foto de Bellatrix Lestrange no jornal. Eu me lembrei do rosto dela, estava no papel de parede na casa do meu pai.

—É, quer ser apresentado?- falei com ironia e ele se calou.

Reparei que Tom me observava do outro lado da mesa, acho que estávamos juntos nesse barco, afinal todos acreditavam que o meu pai havia libertado vários Comensais da Morte e que o pai dele estava de volta pronto para matar mestiços.

Draco havia percebido minha expressão, realmente aquele dia seria um saco. Minha cabeça estava lotada com Voldemort, NOMs, Armada de Dumbledore, e principalmente com meu pai.

—Vai ficar tudo bem.- Malfoy falou baixo segurando minha mão.

Fiquei a manhã toda brincando com os anéis de Draco, não prestei atenção em nenhuma das aulas e nem me importei. Ficar perto dele me confortava, eu me sentia segura e protegida, sem falar que sempre que ele sorria pra mim meu coração esquentava.

Malfoy tinha compromissos a tarde, agora que era Monitor da Sonserina, não tinha muito tempo para fazer outras coisas como eu tinha. Aproveitei para estudar História da Magia e , é claro, ardar por ai com Jorge e Fred.

— Devíamos colocar fogos de artifício na sala do Filch, ele precisa de um pouco de alegria.- Jorge começou com suas ideias mirabolantes.

— Estava pensando sobre isso, seria incrível ver a cara dele quando explodisse.- nós três rimos.

Estávamos passando pelo Pátio, pelo horário que era haviam alunos até demais nos corredores.

—Por que vocês não param com isso e vamos escondidos espionar o treino de Quadribol da Corvinal?- eles se entreolharam e concordaram na hora.

—Desde quando gosta de Quadribol?- Jorge perguntou levantando as sobrancelhas.

—Desde sempre, quem não gosta?- falei rindo.

— Você deveria ir nos ver treinar qualquer dia desses e...- Fred começou mas foi interrompido.

—Devia se envergonhar.- disse uma voz feminina, Pansy Parkinson, atrás de mim.

Ela estava com Blaise Zabini e outros dois garotos da Sonserina. Fred e Jorge peitaram eles antes que pudessem dizer qualquer coisa.

— Do que eu deveria me envergonhar exatamente, Parkinson?- me aproximei dela bem devagar.

—Por andar com traidores de sangue como Potter e os Weasley.- eu prendi a mandíbula e a encarei de cima a baixo.- O que é isso que está vestindo, foi tricotado pela mamãe Weasley, foi? E isso no seu pescoço, relíquia de família ou presente do seu pai assassino?

Eu estava vestindo o suéter tricotado por Molly Weasley que havia ganhado de Natal, e é claro que Parkinson fez questão de falar do meu colar de constelação que era realmente uma relíquia dos Black e presente do meu pai.

Nesse momento já haviam dúzias de alunos parados nos olhando, eu me certifiquei disso antes de tirar a varinha do bolso e apontar para o pescoço pálido de Pansy.

—Medo?- perguntei vendo o olhar dela e sorri de canto. Apenas ignorei a expressão dos gêmeos e dos garotos da Sonserina quando fiz aquele gesto.- Não deveria falar da minha família ou dos meus amigos se não quiser experimentar a Maldição Cruciatus.

Quase podia ver suas mãos tremerem, até ela olhar para o minha mão e ver o anel de pedra negra que Draco havia me dado de presente de Natal. Ele ficava no meu dedo anelar na mão direita, e ela levantou as sobrancelhas quando o viu.

—Presente do seu amigo? Uma pena que ele não goste de você como você gosta dele.- meu sangue ferveu, mas eu não mexi nem um músculo.

—É confortável pra você pensar isso, não é? Já você ficou tanto tempo dando pra ele esperando algo em troca enquanto eu só precisei existir pra que ele me escolhesse.- o corpo dela se enrijeceu de raiva. Snape finalmente apareceu para apartar a discussão e eu continuei baixo guardando a varinha.- Somos muitos diferentes, e eu sou melhor que você.

Assim que Snape chegou os alunos que assistiam aquilo se dispersaram e sobraram só a gente. Os gêmeos me olhavam com os olhos arregalados, os outros garotos também, e Pansy parecia humilhada, do jeito que eu queria.

—Detenção para as senhoritas Black e Parkinson, e para os senhores Weasley, Zabini, Davis e Nott.- ele falou cada nome com desgosto, mas falou com mais ainda ao pronunciar o meu e dos gêmeos.

Only One - Draco MalfoyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora