Estupido

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Ainda estava me recuperando do último fim de semana quando pedi que Goyle dissesse a Draco para me encontrar na Torre de Astronomia.

Eu estava apoiada na grade observando o céu quando ouvi a porta ser aberta pela primeira vez em algum tempo.

—Sua perna está melhorando?- Malfoy perguntou se referindo à minha perna enfaixada devido à explosão nos Weasley.

—Sim, já consigo andar sem ajuda.- ele sorriu se apoiando na grade e ficando ao meu lado.

—O que queria falar comigo?- ele perguntou sem me olhar.

—Eu não quero mais jogar esse jogo idiota, Draco.-falei e ele me olhou surpreso.

—Alya Black desistindo de alguma coisa?- Draco falou sarcástico mas eu não ri.

—Eu não estou desistindo.- me virei para ele.- Uma hora ou outra vamos acabar nos magoando com isso.

Ele me encarou como se estivesse se sentindo muito culpado, mas na verdade a culpa era toda minha, a ideia do jogo tinha sido minha, e eu fui muito ingênua de achar que isso não iria apenas me lembrar que não podíamos ficar juntos todos os dias.

—O que você tá querendo dizer?- ele me perguntou.

Eu respirei fundo antes de olhar nos seus olhos azuis acizentados, mais acizentados que o normal.

— Quero dizer que eu te amo demais para me contentar com um jogo estupido, toda vez que você encosta em mim é um lembrete de que não podemos ficar juntos como realmente deveríamos.- ele me encarava atentamente.- Somos Comensais da Morte, talvez se as circunstâncias e o perigo fossem diferentes nós poderíamos sair daqui de mãos dadas sem preocupações, mas não podemos.

—Alya...- ele tentou dizer.

—Não, me deixa terminar.- minha cabeça latejava com a pressão daquilo.- Você não faz ideia do quanto eu quis ser a namorada e não a melhor amiga durante todo esse tempo, mas não vai ser dessa vez que o amor vai vencer, Draco. Eu sei que não estamos vendo, mas dos muros de Hogwarts para fora tem gente morrendo, trouxas e nascidos trouxas sendo presos e sequestrados, e nós nos metemos nesse meio. Tudo que eu queria era uma história de amor feliz, mas vai ser impossível nessas circunstâncias.

Ele me olhava como se estivesse arrependido, como se fosse desabar a qualquer momento assim como eu. Eu não sabia se o que eu estava fazendo era o certo, mas eu tinha que poupar nós dois do sofrimento.

Eu não sabia ao certo a quanto tempo eu pensava daquele jeito, afinal no começo o jogo era divertido, mas quando começa a doer nao há nada que possa parar.

Tudo que eu queria ouvir naquele momento era a voz de Malfoy, queria que ele dissesse alguma coisa, qualquer coisa, mas não foi a voz dele que eu ouvi.

—Aly, está ai?- Gina entrou me chamando.- Temos que ir, aconteceu algo com o Ron.

—Claro.- falei percebendo o olhar de preocupação da garota.- Te vejo depois, Draco.

••••

Estava sentada na maca ao lado de Ron, Hermione e Gina em cadeiras e Harry parecia nervoso ao meu lado.

—Ele bebeu veneno?- perguntei mais uma vez.

—Quase isso.- Harry respondeu sem tirar os olhos do amigo.

Eu me assustei quando vi Minerva, Dumbledore, Snape e Slughorn entrando juntos na enfermaria. Madame Pomfrey estava de olho em Ron, por sorte não havia acontecido nada muito grave.

—Raciocínio rápido o seu usando benzoar, Harry, deve estar muito orgulho dele, Horácio.- Dumbledore falou.

Devia ter sido assim que Harry havia salvado Rony, mas eu ainda não sabia porque ele havia tomado veneno, em que circunstância aquilo aconteceu?

Slughorn parecia muito preocupado, estava segurando uma garrafa de algo que parecia ser vinho e tinha olhos fixados em Ron.

—Acho que todos concordamos que as atitudes de Potter foram heróicas mas a questão é por que elas foram necessárias?- Minerva perguntou e eu agradeci internamente por não ser eu a fazer a pergunta que eu tanto queria.

—Sem dúvida.- Dumbledore andou até o professor de poções.- Isso parece ter sido um presente, Horácio, não se lembra quem lhe deu essa garrafa? A qual devo dizer, possui um perfume muito sutil de alcaçuz e cereja quando não misturado com veneno.

Então Ron havia tomado da garrafa de Slughorn, mas não havia sido culpa dele, parecia tão chocado quanto todos daquele lugar.

—Na verdade eu tinha a intenção de dar a garrafa de presente.- Horácio falou.

—A quem, posso saber?- Dumbledore perguntou enquanto Snape analisava a garrafa com cuidado.

—Para o senhor, diretor.- Slughorn falou.

Eu mal notei quando Lilá Brown entrou ao prantos na enfermaria, eu só conseguia pensar que aquela teria sido mais uma tentativa de assassinato contra Dumbledore.

Minha cabeça rodou em pensamentos, a única coisa que eu tinha certeza era que não havia sido Slughorn. Talvez Snape, mas era difícil saber, já que eu havia decidido confiar em Remus e esquecer Snape, talvez ele estivesse infiltrado como eu.

Lilá discutia com Hermione com sua voz esganiçada e Gina tentava segurar o riso, a situação era bem estranha para quem assistia. Mas foi quando Ron chamou por Hermione e Lilá saiu chorando que eu e Harry não conseguimos segurar o riso.

—Tão jovem para sofrer as desilusões do amor.- ouvimos o diretor dizer.- Bom, ja podemos ir, o senhor Weasley está bem assistido.

Os professores se retiraram e eu observei Dumbledore sair como se não houvesse ninguém tentando o matar, como se tudo estivesse na mais serena e completa paz.

—Ja estava na hora, não acham?- me desliguei quando Gina perguntou se referindo a Ron e Mione, eu e Harry rimos.

Harry agradeceu a Madame Pomfrey antes de nós dois lançarmos um olhar para Hermione. Nós sabíamos que os dois se gostavam, mesmo que ela não houvesse me dito nada, eu via o jeito que ela olhava para ele.

—Não falem nada.- ela nos olhou com as bochechas vermelhas e nós sorrimos.

Eu fiquei com Granger para ajudar com Rony, sabia que ela estava preocupada e precisava de alguém para segurar as pontas. Mas eu não conseguia parar de pensar em Dumbledore e em como aquela era a segunda vez em meses que ele chegara a quase beirar a morte, não era coincidência, e aquilo me fazia pensar se eu realmente sabia de todos os planos de Voldemort, talvez eu estivesse deixando passar algo.

Only One - Draco MalfoyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora