Quando Giorgia faz uma proposta mais do que inusitada para seu chefe, para que ele finja ser seu namorado em frente a familia insuportável que ela tem, o quão desastroso poderia ser aquilo?
Bem, era o que Giorgia McCurty iria descobrir em poucas se...
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— Bom dia, Giorgia, quanto tempo! - Acenei para a senhora usando uma blusa amarela e calças azuis, do outro lado da rua, não me lembrava do nome dela, ou de todas os outros que acenava.
Ela deveria ser a décima nona pessoa que me cumprimentava, em menos de dez minutos andando pela cidade. E todas as vezes que alguém nos dava um bom dia, num tom animado e acenando calorosamente, ali estava senhor Anthony ao meu lado, segurando minha mão, com as sobrancelhas unidas e um vinco entre elas.
— A senhorita, é literalmente Georgia. - Ele falou, depois que eu acenei para outra pessoa.
— O quer dizer com isso? - Eu o encarei de lado, desviando da criança que vinha correndo em nossa direção com um sorvete derretendo em suas mãos.
— Que agora eu entendo porque está sempre sorrindo ou o motivo de sempre cumprimentar todo mundo com animação, mesmo que quase receba um "não estou nem ai para o seu bom dia". - Ele apontou para outra pessoa que gritava meu nome. — A Georgia é diferente. - Os cantos de seus lábios se ergueram em um sorriso.
Ele não estava errado. O Estado da Geórgia era bem diferente dos outros, digo por pura experiência com os Nova Iorquinose alguns outros estados da América do Norte, que já visitei e que eu um dia tanto idolatrei, antes de conhecê-los realmente. As pessoas daqui cumprimentam todo mundo, mesmo sem se conhecerem. Acho que é por isso que quem vem para a Georgia quer sempre ficar na Georgia. Ok. Todo mundo menos eu.
— Ei, casal! - Ouvimos chamar e nos viramos praticamente ao mesmo tempo.
Leonora usava um vestido cor de rosa com uma saia rodada, seus óculos de sol inseparavéis e redondos, que possuía glitter por todo ele, que combinava perfeitamente com o suéter liso e rosa claro do marido. Eles sempre fizeram isso, desde os quinze anos quando começaram a namorar, combinavam roupas quando saiam juntos. Eu sempre achei um pouco ridículo, mas não vou mentir dizendo que não faria o mesmo se eu encontrasse alguém que realmente gostasse disso. O ridículo sempre me chamou a atenção. Acho que foi por isso que passei tanto tempo com Russell.
— Essa tarde está mais fria que o normal, não? Acho que esse ano a neve vai ser mais densa. - Enric disse, enquanto me abraçava, logo depois da esposa.
— Não vimos vocês saindo hoje, não tomaram café com a gente. - Eu olhei para Anthony ao meu lado, pra que ele falasse alguma coisa. Não queria contar o que aconteceu ontem.
Meu choro. Anthony dentro do banheiro comigo, com uma travessa de vidro com morangos e alguns copos de whisky. Pra mim, aquela noite terrível, não poderia ter terminado melhor.
— Eu não queria encarar Russell. - Seu pomo de adão subiu e desceu, coisa que fazia apenas quando estava nervoso. — Não queríamos arrumar mais problemas.