Capítulo 11 ✓

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— Estava louco atrás desse livro. - Anthony correu para alcança-lo.        

Possuía a capa verde, com uma garotinha de chapéu e algumas flores, sem me esquecer de uma casa ao longe no caminho. Anne de Green Gables 1908. Ele girou o livro em suas mãos e sorriu pra ele, concordando. Era realmente um fanático e eu gostava disso, de como ele parecia mais animado quando tinha livros novos. Eram as únicas vezes que eu realmente via um sorriso genuíno de felicidade em seu rosto e talvez eu soubesse o motivo, ou tinha certeza, até porque já usei os livros como refúgio dos meus próprios pensamentos, por muitos anos.

— É ótimo, li a muito tempo.

— Então como pode afirmar que é ótimo? - Ele perguntou, colocando na cesta que carregava e deu mais um passo.

— Porque eu já li?

— Mas a alguns anos. - Deu de ombros. — Nossos pensamentos sobre o que é bom ou ruim, mudam com o passar do tempo, sinceramente eu não leio nenhum livro qual estipulei como favorito na adolescência. - Cerrou os dentes e balançou a cabeça. — Talvez porque eu fosse um pouco viciado em Romance Erótico. - Eu ri concordando.

— Eu sou até hoje. - Empurrei seu ombro com o meu. — Então você era um daqueles adolescentes loucos por masturbação? - Fiz uma careta.

— Não me sinto confortável falando sobre isso com a senhorita. - Entendi, ainda éramos chefe e secretária.

E havíamos nos afastado um pouco desde semana passada. Não tínhamos comentado nada sobre aquela manhã de beijos no pescoço e queixo ou apertos na cintura da secretária e, não seria agora que iríamos falar. Eu estava cumprindo bem aquela coisa de, não falar sobre o que aconteceu e fingir que esqueceu, Anthony fazia o mesmo. E sempre que eu entrava em meu quarto depois de um dia cheio, ele já estava dormindo e a barreira de travesseiros, perfeitamente em pé nos separando. E tudo bem. Eu sabia que era muito infantil da minha parte, mas eu havia descobrido algo. Eu sou, extremamente atraída por Anthony, talvez eu possa ter percebido isso quando estava sentada no colo dele, ou quando eu fiquei o observando ler na manhã seguinte aquela. Também teve a hora do jantar, onde ele sorriu para um dos meus primos e o ajudou a cortar sua comida e até deu algumas garfadas na boca dele e eu achei extremamente fofo e reconfortante saber que ele gostava de crianças.

— Me desculpe. - Ele fechou os olhos e balançou a cabeça mais uma vez.

— Desculpe a mim, eu fui rude.

Ele havia voltado a falar como um homem do século passado e mesmo que eu achasse certo charme naquilo, era como se tivéssemos voltado a estaca zero, quando o chamei para fingir ser meu namorado e ele não passava de meu chefe e não o cara qual eu posso contar os meus segredos e pensamentos, sem ser julgada por isso.

— Esse é meu segundo livro favorito. - Ele Suspirou.

O Grande Gatsby? - Segurei o livro que estava em suas mãos.

— Já leu? - Neguei. — E qual é o seu? Se tiver um? Aceito até mesmo Crepúsculo. - Estalei a língua no céu da boca com desgosto e o vi colocar o outro livro no cesto de compras. 

Crepúsculo é ótimo, Anthony, Cale a boca.

— Assim como Anne de Green Gables? Que você nem se lembra da história. - Implicou balançando a cabeça.

— O que você se tornou, senhor Anthony? - Ri anasalado. — Mas não, Crepúsculo não é meu livro favorito, sim, O Morro dos Ventos Uivantes.

Bella te influenciou nisso? - Arqueou as sobrancelhas e eu concordei. — É muito bom, na verdade, era o favorito da minha mãe.  - Me encarou com o rosto duro e logo voltou a caminhar pelos corredores cheios de histórias.

O Namoro Falso De GiorgiaOnde histórias criam vida. Descubra agora