O que todos iriam esperar nessa situação é que Carol estivesse chorando em meus braços, mas ela apenas bebia seu chá em seu sofá com um edredom quente enrolado a seu corpo. Quieta, muda. Eu não ousava dizer uma palavra e tirar ela do mundo onde se enfiou, mas as vezes a olhava e sua expressão não mudava. Estava completamente neutra, o que me assustava muito.
Eu estava ao seu lado, a acompanhado em seu chá. Olly estava no meio de nós, em um sono profundo. Na tv passava algum filme que eu já nem me lembro, o que acabou de acontecer vai me custar o sono, eu realmente estou com medo do que aquele marginal pode fazer.
— Essa mulher é idiota. — falou pela primeira vez depois de tanto tempo, olhando ainda fixamente para a televisão. Ela falava do filme, eu não poderia concordar então apenas dei um meio sorriso.
O silêncio voltou. A sala escura passava das oito da noite. Ela não me olhava ou pensava em fazer isso, estava talvez evitando o assunto. Decidi fazer o mesmo.
— Você se importa se eu fizer o jantar? — falei quebrando o gelo que criamos, ela não me olhou. Ela não me olha.
— Não, eu não me importo. Acabei esquecendo do jantar, me desculpe. Vou te ajudar. — falou colocando a caneca de chá em cima da mesinha de centro, se desfazendo do edredom e levantando.
— Por que não toma um banho? Quando voltar podemos comer. Vai ser melhor assim. — ela pensou por uns 5min no mínimo, mas então concordou depois de me mostrar aonde ficava cada coisa em sua cozinha.
Carol subiu, me deixando sozinha e com uma cozinha pronta para ser usada. Não sou boa cozinhando, mas lembro da lasanha de berinjela e frango que minha mãe fazia todo domingo. Decidi arriscar, esperando ansiosamente para que Caroline demorasse muito no banho.
— Vejo que ainda não terminou aí. — observou descendo as escadas. O cheiro de banho invadiu o lugar, respirei fundo esperando que ela não tivesse percebido isso.
— Mais 10min, consegue aguentar? — perguntei checando o forno, realmente em menos de 10min isso ficaria pronto.
— Uhum, o cheiro está ótimo. Vou ajeitar a mesa. — então ela pegou pratos e talheres, uma garrafa de vinho em um mini adega na parede e disse que tomaríamos quente, porque havia uma doente na casa.
Comemos em silêncio, eu odiava esse silêncio entre nós. Quando a conheci o silêncio não me incomodava, mas agora... depois de toda essa situação, eu gostaria sim de saber o que ela está pensando.
Era por volta das 23h quando decidimos que iríamos dormir. Tomei um remédio para a gripe e subi, logo atrás dela. "Por favor, não quero dormir no quarto de hóspedes", pensava constantemente enquanto subíamos. Carol passou reto por ele, acho que nem cogitou em parar. Foi para o banheiro e pediu para que eu fosse também, escovamos nossos dentes e quando voltei para o quarto, ela já estava deitada virada para a porta da varanda. Me deitei ao seu lado, apagando o abajur e sentindo Olly se aninhar em minha perna.
Caroline estava longe, mas ainda sim conseguia sentir o calor de seu corpo e o cheiro de seu perfume, mas queria mesmo era abraçá-la e beija-lá novamente.
— Day? — a voz surgiu do escuro, senti seu corpo virando ao meu e um peso em meu braço, ela ascendeu meu abajur. Ela estava em cima de mim, me encarando ainda com a mão esticada.
— Sim? — e encarei de volta, seu olhar tinha muitos significados. Diferente de antes que estava neutro, ela esboçava uma curiosidade.
— Quando iremos a casa de seus pais? — ela perguntou sorrindo, mas o sabor amargo do medo invadiu minha boca. Eu havia esquecido disso, por mais que já havíamos conversado sobre isso.
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Um Amor de Natal (Dayrol)
RomanceDayane vive seu sonho de ser escritora e colunista de uma das maiores editoras de Portland. Portland Publishing Company. Ela tem 30 anos e está realizada. Tem uma linda família em Grants Pass, seu pai é um bom empresário e vereador que quer subir de...
