Lies

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Estávamos seguindo para sua casa, estava tarde o suficiente para não haver ninguém na rua. Pelo lado bom, não há trânsito. A neve caía, mas caía mais que na noite passada. Acredito que nunca disse, mas sempre que olho para a neve e vejo o escuro atrás dela acabo sentindo um vazio. Um vazio que provavelmente se assemelha a minha alma, mesmo tendo pessoas ao meu redor, ninguém seria capaz de enxergar.

Havia noites em que eu me sentia assim, sempre acontecia durante as noites. As vezes quando Peter estava dormindo em casa ou até mesmo alguma de minhas amigas... até mesmo quando Bruno estava comigo. É um vazio que ninguém preenche, nem eu mesma consegui ser suficiente para esse espaço que falta em meu peito.

Então minha mão foi tocada, senti seus olhos penetrar em mim e enxergar algo que mais ninguém via.

— Você está bem? — aceitei sua mão e entrelacei nossos dedos, virando meu corpo para ela, para fazer o que eu tanto gostava... olhá-la, aprecia-lá.

— Só pensando... — uma resposta vaga, eu poderia estar pensando em tudo, no trabalho, em férias ou Olly com Bruno. Mas ela sabia que não era isso.

— Quer dividir? — sorriu, um sorriso gentil. Dayane sorria muito gentilmente. Enquanto eu guardava os meus melhores sorrisos, ela espalhava o dela por todo lugar que ia.

Eu sabia que ela não estava perguntando como a mulher que me fez sua noite passada, ela está perguntando como a amiga que anda sendo para mim acima de tudo. Eu gostava muito disso, essa preocupação e cuidando sem querer nada em troca.

— Você acha que somos suficientes? — perguntei a vendo ficar pensativa — Acha que nascemos completos e demoramos para perceber que não precisamos de ninguém? — completei e ela acariciou minha mão.

— Não acredito em independência sabe, tudo depende de algo... — falou agora me deixando pensativa — como quando você tem uma independência financeira, na verdade você depende do seu trabalho. — me pergunto onde ela quer chegar — O que estou dizendo é, nós nascemos e fomos criados por pessoas, depois disso somos apresentados a mais meio milhão delas, socializando e escolhendo quem vamos manter em nossa vida, mesmo que por um tempo. Mesmo que nos bastemos, precisamos de outras pessoas, é comum sentir isso. — eu jamais havia pensado dessa forma, mesmo não sabendo se concordaria muito.

— Então acha que está tudo bem eu me bastar, mas precisar de você aqui? — ela soltou um riso baixo e senti suas mãos apertarem as minhas.

— Você sempre acerta o alvo, não é? — falou cessando o riso — Acho que sim, Carol. Tudo bem me precisar, eu estou aqui e sei que você também está. — me sinto bem sabendo que ela sabe que estou aqui por ela da mesma forma, como ela está por mim.

Ela parou o carro em sua vaga do estacionamento e usamos o elevador para subir até seu andar. Ela me abraçou de lado quando saímos do carro, depois de me envolver na manta que costuma deixar no carro para meu uso pessoal. "está frio, venha" disse abrindo os braços para que eu me aqueça nela. A verdade era que eu estava quente o suficiente, mas eu sabia que se ela saísse de perto de mim isso mudaria.

Entramos em seu apartamento, onde ela me deixou no sofá esperando que ela ligasse o aquecedor e o ar condicionado. Passava das 9h e eu me sentia culpada por deixá-la em casa tão tarde. Mas o jantar foi um sucesso, pelo menos sinto que ela gostou muito e Bruno deixou claro como ficou contente com a presença dela e que deveríamos fazer aquilo mais vezes. Me levantei e olhei uns portas retratos que havia ali na sala. Havia fotos dela com dois jovens que presumo ser Lexie e Fred,  também com suas irmãs que são sua cópia só que uma mais velha e a outra mais nova, também tinha Sr. e Sra. Limins. Todos são muito parecidos e com o mesmo sorriso marcante.

Um Amor de Natal (Dayrol)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora