Point of View: Dayane Limins
Caroline estava estranha, o que eu não julgava, pois a enganei e por mais que não tenha sido a minha intenção, não fiz nada para impedir. Agora vejo que ter sido sincera me ajudaria muito, teria construído uma base de confiança com ela e não teria tirado aquele pouco que nós tínhamos. Ela estava com uns papos estranhos, mas tenho quase certeza que ela está buscando algum motivo para ficar. Quer saber o que eu quero, os meus sonhos e os meus medos, acho que para saber se somos compatíveis mesmo. Não que ela não tenha certeza do quanto gosto dela, mas se tem uma coisa que Caroline acredita, e eu também, é que amor não é suficiente. A gente se ama, porém mais um deslize ela vai me deixar.
Dói pensar nisso, mas esse pensamento não sai da minha cabeça desde o momento que nos beijamos naquele beco. Não parava de pensar em como fui errada e imatura de chamá-la para vir à casa dos meus pais sem nem a contar sobre as condições. Sobre meus pais, ela tem a mesma visão que eu, que minha infância foi conturbada, que eu e Megan sempre tivemos que dividir espaço, como se o amor de nossos pais fosse limitado e só caberia a uma de nós no coração deles. Isso afetou sim minha relação com minha irmã, seria estranho pedir que uma professora não percebesse isso.
Ontem dormimos juntas, o que foi uma burrada. Não dormir com ela, mas dormir no mesmo quarto que ela. Eu deveria ter voltado para o meu quarto assim que a vi cair no sono ao meu lado, mas fiquei a fitando tão tranquila que me fez sentir uma enorme paz me consumir. A calmaria foi tão grande que se meus pais entrassem naquele quarto, eu não negaria nada.
Hoje resolvemos levar as crianças para patinar no gelo, Caroline disse gostar então me impus quando Megan disse que deveríamos deixar para outro dia, Carol merece isso e eu sei que preciso fazer tudo ser incrível para ela.
Ela se sente sozinha, vejo isso em seus olhos. Também sente falta do meu carinho, ela não é tão carente quanto está parecendo agora, mas nessas circunstâncias ela precisa que eu a mostre que estou aqui por ela. O que é uma droga, não poder dar carinho para o mulher que eu amo. Hoje sentamos na sala e ela estava tão linda de suéter e gorro, quis beija-lá ali mesmo, queria tocar suas mãos e seus cabelos e porra... eu deveria ter aproveitado mais. Deveria ter tocado mais seu rosto e acariciado mais seu corpo, porque agora é tudo que eu quero.
Ando sentindo que Amelia está a confortando, vejo as duas conversando as vezes, Caroline sorri quando elas se falam e eu entendo o porque, Amélia é uma ótima pessoa quando está sóbria. Nunca entendi a praia de Amélia, ela teve uma fase dark com bebida e algumas drogas quando éramos mais novas, me fez voltar para Grants Pass para ajudar em sua reabilitação e funcionou, mas depois de tudo aquilo ela parece saber demais, saber sobre nós duas. Elas acabam sendo pessoas com o mesmo estilo de vida: alegres. Mas eu sei que Amélia quer tirar algo da ruiva, eu sei porque a conheço e mesmo que não seja por maldade e sim curiosidade, ela não pode saber disso de jeito nenhum. Ela não me faria mal, eu sei disso, Megan me expulsaria da família para roubar meu posto de filha favorita. Eu sei que ela também sente, ela sabe que Caroline é diferente de qualquer outra pessoa.
Eu já não fazia ideia de quantas vezes havia levantado as crianças do gelo, elas estavam animadas hoje, conversamos um pouco enquanto tomávamos chocolate quente com a vista de mais de seis pessoas caindo uma em seguida da outra.
— Estão felizes com as férias? — perguntei me debruçando sobre a mesa.
Eu sentia falta de ser criança, da facilidade de lidar com certas situações, a falta do medo e a inocência é incrível, mas a coisa que mais sinto falta é de: ser inconsequente. Crianças não entendem que certas ações podem destruir o mundo, como o desmatamento. Elas são esponjas e tudo que a ensinamos elas irão absorver, mas se você não fizer um bom trabalho elas serão péssimos adultos. Meus pais "ensinaram" até demais, hoje busco consequências negativas em coisas que nem precisam ser pensadas para se fazer, como amar.
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Um Amor de Natal (Dayrol)
RomansaDayane vive seu sonho de ser escritora e colunista de uma das maiores editoras de Portland. Portland Publishing Company. Ela tem 30 anos e está realizada. Tem uma linda família em Grants Pass, seu pai é um bom empresário e vereador que quer subir de...
