Quintas-feiras me trazem um ar depressivo, amanhã é sexta e o último dia da semana, minha ansiedade está depositada no dia de amanhã, mas hoje... hoje eu visitarei uma escola com Sloan, iríamos falar sobre como algumas empresas de Portland ajudaram a escola a ter um bom desempenho financeiro. Com isso faríamos uma ligação com a EPM Beguers. Escolas são importantes para todos nós e principalmente para os pais que buscam uma boa educação aos filhos, isso faria com que a manchete tivesse uma repercussão a públicos de todas as idades. O plano foi de Sloan, ela me ofereceu ajuda na quarta-feira, em uma reunião com Belchior e com o resto das pessoas do jornal.
— Você veio de carro. — disse Sloan quando parei meu carro vermelho para que ela entrasse, ela estava com roupas iguais as de segunda, mas dessa vez seu casaco era preto, a camisa de uma outra banda de rock e um cachecol em tons de cinza e preto.
— O caminho é meio longo. A não ser que você queira ir andando. — ela riu e esfregou aos mãos, deu a volta no carro e entrou, sentando-se ao meu lado.
— A temperatura caiu e olha que a neve nem começou a cair. A chuva acaba com esse lugar. Saudades do quentinho do verão. — Portland é o tipo de lugar que chove demais, aqui tem um bom verão e uma boa primavera, mas no inverno é pedir para ser congelado vivo. Mas eu amo o inverno, com ele vem as festas natalinas e as decorações que começarão daqui poucos dias.
— Os finais de semana costumam esfriar mais. Fica impossível sair de casa. — falei ligando o aquecedor do carro, pois a mulher ao meu lado tremia feito um cachorro pequeno, logo que o carro esquentou a vi tirar seu cachecol, jogá-lo no banco de trás e relaxar ao meu lado.
A viagem foi completamente divertida, Sloan não é muito falante, mas me contou sobre algumas viagens que teve que fazer para alguns lugares do mundo para cobrir algumas reportagens. Tenho a impressão que ela observa muito mais, isso deve fazer parte do trabalho dela afinal. Talvez seja isso que chame minha atenção a ela, a forma que ela nos olha para nos ler. O caminho para a escola era de 30 minuto a 40 minutos, o percurso não era longo, apenas na área com mais casas que seguíamos por uma avenida com pinheiros enormes. A escola tinha uma boa localização e acredito que poderia colocar isso na manchete, com a ideia de que algumas empresas tivessem ajudado essa escola a achar o lugar perfeito para o bem estar de todos.
Descemos do carro e demos de cara com William James, o diretor da escola. Ele não era tão velho, tinha seus quarenta anos e uma postura rígida, cabelos bem penteados e provavelmente tingidos, terno perfeitamente fino e uma mão esguia.
— Senhor James. — apertei sua mão e Sloan fez o mesmo, com um ar mais indiferente eu diria.
— É um prazer recebê-las. Espero que nossa escola possa suprir suas necessidades. — ele estendeu a mão para que seguíssemos para dentro da escola.
A universidade de Portland é o tipo de escola não tão bonita, era uma escola simples com o ensino incrível. Era o que salvava. Era a melhor escola para os adolescentes da região, ensinam francês, espanhol, oferecem cursos de dança, desenho, teatro, música e a maioria dos alunos que concorrem em concursos de soletrando são daqui. Também há um grande investimento em natação, futebol americano e hóquei. A escola forma vencedores para a vida. Isso me faz ter uma leve saudade da escola, ou não.
Minha bota batia no chão da escola e emitia um som desagradável, desgastante. James estava em silêncio, isso me incomodava tanto. Odeio silêncio, a não ser quando vem de alguém que conheço, esse tipo de silêncio é agradável. Silêncio de pessoas como James é no mínimo assustador, odeio me questionar sobre o que estão pensando.
Entramos em uma sala, presumi ser a sala de James. Era uma sala não tão grande, mas espaçosa. Havia uma mesa de centro com um computador, muitas prateleiras com livros distintos, a maioria sobre autoajuda. Haviam troféus e muitos sofás com abajures aos lados. As paredes haviam muitos certificados. Era uma sala em um tom de marrom. Melancólico, eu diria. A mulher ao meu lado não dizia nada, talvez isso me incomodava mais que o silêncio de William.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Um Amor de Natal (Dayrol)
RomanceDayane vive seu sonho de ser escritora e colunista de uma das maiores editoras de Portland. Portland Publishing Company. Ela tem 30 anos e está realizada. Tem uma linda família em Grants Pass, seu pai é um bom empresário e vereador que quer subir de...
