The Interview

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Estava sentada em meu sofá de frente para a janela onde escorria gotas de chuva, o céu as vezes acendia em um raio junto de um trovão alto o suficiente para me arrepiar. Estava terminando de passar a limpo a entrevista de hoje com William James, foi quando chegou um e-mail em meu laptop.
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Caroline Biazin
Para: Dayane Limins

SEXTA A NOITE

Espero encontrá-la no Piper's Pub, endereço: 112 SW 2nd Ave, Portland, OR 97204. Começa às 20h, mas espero vê-la um pouco antes em minha casa :)
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Meu peito pulou, esperava ser qualquer pessoa menos Carol, não sei se posso chamá-la assim, havia esquecido completamente do showzinho no bar. Não neguei por educação, mas agora já não há mais volta. Terei de ir. Você não tem nenhum compromisso, pensei.

Abri sua foto de perfil, lá estava ela sorrindo com os dentes maiores e os caninos levemente tortos expostos, os olhos sendo comprimido pela pálpebra e a doce pele pálida e aquele cabelo cor de cobre se destacando.
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Dayane Limins
Para: Caroline Biazin

SHOWZINHO NO PUB

Mal posso esperar. Estarei lá. Se quiser uma carona vai poder me ver antes.
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Senhorita Biazin me passa uma energia diferente, como se ela fosse um raiozinho de sol que me atingisse pela manhã em um dia nublado. Aquele dia que você acredita que choverá a tarde toda e quando o sol atinge seu rosto, a surpresa e a felicidade tomam você, é assim que a vejo.

Me deitei em minha cama gelada, as vezes me sentia sozinha, como se faltasse alguém para perambular pela casa, ter alguém derrubando coisas no banheiro e me contando algo sobre seu dia com a boca cheia de espuma enquanto escovava os dentes, depois sentir a cama afundando e as mãos me enlaçando. Mas agora só me resta a cama fria e o completo silêncio.

Lembro de como me sentia com Mason, era como se meu lugar não fosse ali. Quando ele me abraçava eu sentia vontade de correr, gritar e me libertar daquilo. Ele era um namorado perfeito, eu demorei muito para descobrir que não havia nada errado com ele ou com a forma que ele me beijava ou... é, o problema não era ele, nem eu. Era apenas que eu estava com ele por aparência, em Grants Pass as aparências são tudo principalmente quando criam boatos seus. Eu precisava fazer isso pelos meus pais. Quando vim morar em Portland me senti aliviada, como se eu pudesse ser eu mesma, como se já não precisasse viver de aparências, mas ainda havia Mason, ele ainda morava em Grants Pass, tudo ia de mal a pior e quando conheci alguém... foi quando eu apenas disse a ele que não dava mais, que a distância era insuportável para mim, mas convenhamos que não era isso. Ele se ofereceu a largar os seus negócios lá, a me pedir em casamento e vir morar aqui para que eu não precisasse abandonar meus sonhos. Então eu fugi, mais uma vez. Foi libertador, mas agora parece errado. Final de ano voltarei para lá, o verei como todos os anos, terei de esconder mais ainda meu segredo por causa da candidatura de meu pai. Um segredo como o meu o derrubaria.

Acordei as seis e quarenta da manhã, bem mais cedo do que costumo a acordar. Notei que adormeci com o laptop aberto, ele ascendeu e eu vi que havia um e-mail de Carol dizendo que adoraria uma carona, seu endereço também estava lá, passaria para pega-lá às sete da noite e depois iríamos ao pub.

Me embolei em uma toalha logo após de sair do banho quente, estava tão frio que eu escolhi usar minha roupa de inverno. Calça social preta, uma camisa de malha preta de gola longa e um casaco marrom, botas de inverno e o cabelo como sempre, penteado com a franja perfeitamente alinhada em uma touca para comportar meu cabelo. Me sentia em um forno, assim estava ótimo. Coloquei café quente na garrafa e ajeitei as coisas na bolsa. Hoje eu finalmente pude tomar um bom café da manhã, acho que devo acordar cedo mais vezes. Fechei todas as janelas e me garanti que nenhuma abriria enquanto eu estivesse fora.

Um Amor de Natal (Dayrol)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora