Calças andam sendo minhas melhores amigas, sempre uma mais quentinha embaixo do jeans. Um casaco peludo por cima, por baixo mais roupas que me trazem a sensação de que vou fritar. Meu fim de ano estava sendo isso: não congelar. Dayane estava na mesma, sempre deixando um gorro em cima da minha cama para que eu não esquecesse de cobrir as orelhas, acho que ela se lembra de um dos assuntos que tivemos enquanto ela dormia em minha casa.
[— Está frio. — disse ela forrando os cantos do meu corpo enquanto quase caía de sono.
— Deita. — sussurrei.
Lembro que ela se deitou bem próximo, quase colada em mim, o ar-condicionado parecia não funcionar. Joguei minhas pernas em cima das suas e encostei meu nariz em seu rosto, enlaçando seu corpo para ter certeza que ela esquentaria embaixo de mim. Lá fora chovia, lembro que agradeci, pois ajudaria com a neve.
— Meus ouvidos... — falei baixinho quase vencida pelo sono.
— O que tem eles? — senti que ela havia despertado, como se eu estivesse começando a passar mal e seus alertas tivessem ligado.
— Costumo ter dor de ouvido se minhas orelhas ficarem descobertas. — falei cobrindo nossas cabeças com o edredom.
Eu adormeci, mas lembro de acordar com as suas mãos em minha orelha, na tentativa de mantê-las quentes.]
Depois disso ela sempre me traz algum gorro, não que tenha muitos, mas nós revezamos. Ela fez questão de vir me ver para saber que roupa eu usaria, para ver se ela tinha algum que fosse combinar. Já ela, estava impecável com uma calça preta e casaco bege, era incrível como aquela mulher me atraía para perto feito imã.
Era como se tudo fosse perfeito demais, eu não sofri muito para tê-la, por que foi tão fácil estar aqui entregue a ela? O amor tem que doer como todos dizem? Será que eu tive atitudes boas que me trouxeram um relacionamento bom? Acho que não é isso, acredito que muitas pessoas perderam a fé no amor pela demonização de quem teve experiências ruins. Eu sei como é ter uma desilusão, nós passamos por um luto que parece não querer largar do nosso pé, meses e até anos para lidar com aquilo. Óbvio que se ocupar, manter a cabeça longe do assunto ou até se envolver com outra pessoa ajuda, mas ajuda a fugir. Fugir da dor. No fundo não superamos dessa forma.
Com o tempo, mesmo não tendo muitos namorados antes de Dayane, aprendi algumas coisas sobre superar. A primeira etapa do luto é senti-lo. A segunda é sentir mais um pouco. A terceira é deixar ele vir com tudo, tudo bem se você quiser chorar, gritar e desejar não sentir isso nunca mais. É importante que você dê espaço ao seu coração para se expressar. O quarto passo é sentir raiva da pessoa que te fez se sentir assim, você pode a culpar e até querer que ela conserte o que quebrou. Como quinta e última etapa, se permita largar das amarras, se permita recomeçar como seu coração bem entender. As pessoas dizem para ouvir o cérebro sempre, mas a falta de amor e empatia vem quase sempre dele, mas nosso coração nos faz ser humanos de novo. É necessário que possamos dar uma chance ao nosso órgão pulsante se explicar, de fazer a coisa certa e tudo bem se ele não fizer. Talvez daqui há 60 anos, você se arrependa de não ter o escutado mais vezes.
Temos em mente que sempre devemos acertar, que não podemos falhar e sinceramente, em relações nós só temos a aprender. Infelizmente algumas nós devemos ir embora antes que possamos ver que não há nada bom, mas outras... outras são tão boas que a gente sofre por não ter dado certo. O que eu quero dizer é que, tudo bem não dar certo as vezes e tudo bem se lamentar sobre isso, só não aceite viver de lamentações. As vezes precisamos parar de correr atrás de algo que tanto foge da gente, e começar a aceitar a possibilidade que algo esteja correndo em nossa direção em busca do que tanto sonharam.
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Um Amor de Natal (Dayrol)
RomanceDayane vive seu sonho de ser escritora e colunista de uma das maiores editoras de Portland. Portland Publishing Company. Ela tem 30 anos e está realizada. Tem uma linda família em Grants Pass, seu pai é um bom empresário e vereador que quer subir de...
