slow music

382 28 0
                                        

Não gosto de mentiras, aprendi isso quando tive que começar a mentir. A época da escola foi traumática, o que eu nunca contei é que não era apenas Lexie Adams, Frederick Williams e eu, havia mais alguém. Infelizmente essa pessoa foi arremessada para fora de nosso grupo, por mim. Me sinto mal até hoje, sempre que volto a minha pequena cidade e a vejo sinto vontade de me esconder, me arrependo de minha decisão. Talvez teria sido mais fácil se eu não tivesse mentido.

— Eu sabia que isso iria dar ruim. — começou Lexie encarando Fred. — Em menos de um dia Dayane consegue fazer merda. — bufou batendo os pés.

— Não vamos julgá-la Lexie, você ficou com meu irmão muitas vezes depois da traição dele. — Lexie se revirou no sofá incomodada com a queixa de Fred. As vezes eu sentia que Lexie ainda gosta de Dylan, principalmente nos natais que nos reunimos e os dois somem por horas.

— O que eu quero dizer é, não deveria ter acontecido, eu sei. Mas aconteceu e eu não sei o que fazer, preciso da ajuda de vocês. — falei sentindo uma onda de culpa invadir meu subconsciente. Frederick colocou a mão em meu ombro e me olhou com seu talentoso dom de compreensão.

— Você errou, mas ainda dá para concertar. Que tal chamar Caroline para um jantar aqui mesmo? Assim vocês conversam com mais calma. — eu pensei nisso, mas a vergonha me consumia só de pensar em mandar mensagem a ela.

— Eu acho uma boa ideia. — disse Lexie voltando da cozinha com um pacote de cheetos.

Peguei meu celular com as mãos suando, abri as mensagem e havia o "boa noite, obrigada por hoje" de Caroline sobre a noite passada. Pensei no que dizer e decidi ser sincera, chega de mentiras, chega de omitir o que sinto.

"Acho que precisamos falar sobre o que aconteceu na noite passada. Aliás, acho que preciso te explicar muitas coisas. Que tal um jantar em minha casa hoje a noite?"

Cliquei em enviar e senti o medo de receber um "não está levando a sério um beijo, não é?" pois Carol parece viver a vida livre como ela é, sem medo, sem algemas e correntes a prendendo. Não quero que ela pense que estou tão vidrada em um beijo, pelo menos não como eu estou.

Meu celular apitou em cima da mesa de centro, todos se olharam esperançosos, é ela.

Caroline Biazin
"Eu estava criando coragem para fazer o mesmo pedido. Claro, será ótimo falar sobre o que aconteceu :)"

Mandei meu endereço a ela e marcarmos para as oito da noite, meu estômago se contorcia mesmos sendo cinco da tarde ainda. Fred ficou para me ajudar com o jantar, ele cozinha tão bem que os jantares de grupo eram feitos na casa dele, pois eu e Lexie só sabemos comer comida requentada.

— Está nervosa? — perguntou provando o molho branco que estava fazendo.

Confesso que um pouco. — falei dando um suspiro alto enquanto cortava os temperos verdes.

Se eu fosse você seria sincera com ela, às vezes ser sincero salva. — de repente a história não era sobre mim e Carol, decidi ouvi-lo. — Teria sido sincero se soubesse que me pouparia de tanta tristeza. É um conselho de amigo, você pode se lascar sendo sincera ou se dar bem e ganhar uma garota incrível que também sente o mesmo, entende? — sim, eu entendo. — O que quero dizer é, é melhor ganhar Caroline com algo bom do que ganhá-la tendo a culpa de não ter dito o quanto gostava dela antes. Uma relação de segredos, sabe?

Um Amor de Natal (Dayrol)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora