Caroline.
Dayane era quente como os verões na Califórnia, ela arde em amor e faz questão de deixar um rastro por todo o lugar. Onde ela vai encanta pessoas, escolhe as certas para a acompanhar e sabe conquistar. As vezes acho que ela faz isso sem saber, tem seu charme natural, mas que quando quer muito algo usa mais um pouco dele. Queria levá-la aos meus sonhos de Califórnia, aqueles de sentar em uma praça e sentir o sol bater em nossos rostos, na brisa gélida que só lá tem nos verões. O ar fresco, a movimentação de pessoas e do trânsito. Na verdade, eu iria parar qualquer lugar com ela, sinto que o que ela propusesse eu aceitaria sem questionar.
O quarto estava escuro, mas conseguia ver ela deitada e completamente nua ao meu lado. Os braços embaixo do travesseiro e o rosto virado para mim com seus cabelos pretos jogados em um outro travesseiro, estava um sono tão profundo que eu podia alisar sua pele e seus cabelos sem fazê-la acordar. Logo de manhã Olly nos fez companhia e dormiu quase em uma concha perfeita com Day, sinto que ele quer rouba-lá de mim.
Me levantei colocando minhas roupas da noite passada e um roupão, a manhã está mais fria que o normal. Desci para preparar um café para ela, já que teria que ir trabalhar logo. Ao descer me deparei com Bruno sentado em meu sofá, vendo algum desenho que passava.
— Bom dia, Bruno... — falei sorrindo e com a voz rouca. Ele estava em seu mundo, talvez meio sonolento ainda. Estava vestido com suas roupas de trabalho, provavelmente seu pai estava vindo buscá-lo.
— Bom dia, Carolzinha... — fui para a cozinha esperando algo a mais dele, ele não veria Day aqui e apenas me daria bom dia. — ela dormiu aqui? — perguntou se virando em minha direção.
Coloquei uma cápsula de café na cafeteira e comecei a preparar umas torradas com geleia, pois sabia o quanto ela gostava. Eu estava ganhando tempo para pensar em algo leve para dizer, porque sabia que "uhum, estamos apaixonadas uma pela outra" não é a melhor coisa a se dizer agora.
— Sim, as vezes dormimos uma na casa da outra... mas ela costuma dormir mais aqui. — contei o vendo abrir um sorriso.
Na noite em que conheci Dayane, Bruno estava ao meu lado e me obrigou a falar com ela. Eu queria tanto, mas como chegar naquela mulher vestida daquele jeito? Tão sexy. Quando ela engoliu uma garrafa d'água, vi uma trégua e arranquei sua atenção com um comentário irônico, mas não notaria sua sede se eu não estivesse a encarando dançar a noite toda. Depois disso era "mulher do bar" para lá e para cá. Piorou depois que a vi na escola, onde algo que eu disse no bar se tornou realidade, "se for para acontecer, o destino irá nos unir". Minhas mãos suavam e eu não sei como minha pele não queimou na hora. Depois do bar Bruno já não aguentava mais ouvir dela, eu falava até demais. Mas acho que esqueci de contar a ela sobre ele.
— Vocês já... você sabe.— insinuou algo tentando me extorquir. No fundo eu sabia que ele perguntaria se eu e Dayane já tínhamos passado dos beijos, eu fazia o mesmo com ele quando descobria uma nova paixãozinha.
Corei em resposta. Que ótima resposta.
— Não acredito! — quase gritou colocando a mão na boca. — Como foi? — perguntou baixinho, na tentativa falha de não deixá-la ouvir.
Respirei fundo pensando em uma resposta que chegasse aos pés do que realmente aconteceu. Nada se comparava. O toque, a sutileza, os olhares, a energia e o respeito. Foi tão perfeito que jamais havia visto coisa assim, além de em livros e filmes. Para mim tudo tudo não passava de um conto de fadas onde sexo era um momento mágico e único. Mas cresci tendo a experiência que sexo não era tudo aquilo, que nem deveria ter tanta energia envolvida como diziam.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Um Amor de Natal (Dayrol)
RomanceDayane vive seu sonho de ser escritora e colunista de uma das maiores editoras de Portland. Portland Publishing Company. Ela tem 30 anos e está realizada. Tem uma linda família em Grants Pass, seu pai é um bom empresário e vereador que quer subir de...
