X. Uma Fuga Noturna e Uma Veste

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Athena já tinha retornado à tenda havia bastante tempo depois de ter ouvido outra bronca enorme de Heidrich, de ter ouvido Rayan tentando protegê-la e mais uma vez de ter a amiga acusada de levá-la até o acampamento. Sentia pena de Ilithia por todos acharem que a culpa era da morena, mas sorriu aliviada ao imaginar que ninguém pensaria que a ideia viria dela de primeira. Deu risada sozinha na barraca, pensando que devia acima de tudo agradecer a amiga por sempre lhe ajudar e dificilmente dizer que a culpa era de fato dela.

A oportunidade não se mostrou tão cedo. Achou que ela tinha voltado para a tenda depois de Heidrich tê-la dispensado, mas ela não estava lá. Ainda deu uma volta despreocupada pelo acampamento, todos os soldados começando a se recolher depois de encerradas as atividades de manutenção do local, mas ainda assim não conseguiu sequer avistar a morena ou encontrar algum conhecido que a tivesse visto depois de sair da tenda principal. Ela voltou para a tenda e passou longos minutos mudando de posição na cama desconfortável, sem qualquer sinal de Ilithia.

Impaciente com a demora da amiga, Athena decidiu finalmente se levantar e fazer uma segunda ronda. Não havia uma alma sequer se movendo, até mesmo os soldados que costumavam fazer as rondas noturnas estavam apenas sentados mais adiante, perto da entrada principal do acampamento, conversando baixo entre si. Ela abandonou a tenda e seguiu por um caminho conhecido, tão cautelosa que estava até pisando na ponta dos pés para não chamar atenção desnecessária. Ela seguiu direto até uma tenda em particular, puxando um pouco da entrada para observar o interior conhecido da barraca

– R-Rayan...? – Athena chamou com cautela, os olhos imediatamente pousaram sobre o marido, sentado à uma mesa de madeira quadrada pequena, com apenas quatro bancos em volta. A barraca dele era bem maior do que a dos outros recrutas, era bem mais estruturada e tinha até uma divisão entre o que seria uma sala e duas camas – ambas separadas por um tecido grosso também.

– Athena? – ele voltou o olhar para ela, parecendo um tanto alarmado, levantando-se e andando até onde ela estava. – O que foi? Aconteceu alguma coisa? Você está bem?

– S-Sim, estou, não aconteceu nada. – respondeu a jovem, já sendo levada para dentro pelo marido.

– Achei que já estivesse dormindo, o que veio fazer aqui? – perguntou ele, parando encostado à mesa e cruzando os braços, um sorriso convencido surgindo em seu rosto em seguida. – Não consegue ficar longe de mim por uma noite sequer, não é?

– Não é isso, seu bobo! – ela torceu o nariz, o rosto corando. – Estou preocupada. A Illy não voltou pra barraca até agora, será que aconteceu alguma coisa depois que o rei a dispensou?

– Com sua amiga? Difícil, ela parece mais homem que alguns dos meus soldados. – ele deu de ombros, cruzando os pés, ainda encostado à mesa.

– Rayan! – Athena estendeu o braço para bater de leve nele, e mais um sorriso surgiu no rosto do homem.

– Não se preocupe, tenho certeza que ela está bem. – disse Rayan, estendendo a mão para puxar a esposa para perto de si.

– Mas... será que de repente alguns homens não descobriram a identidade dela e... estão... tentando fazer mal e... – ela engoliu em seco, segurando a roupa do outro com força ao lembrar da sua situação inusitada no primeiro acampamento, mesmo com os seus agressores acreditando que ela era um homem e não uma mulher.

– Ela está bem. – Rayan a interrompeu, categórico.

– Como pode saber?! – a ruiva fez um bico, levantando o olhar para ele. – E não me diga que é porque ela parece um homem!

Rayan deixou uma risada escapar quando ela fez o comentário e circulou a cintura fina com um dos braços.

– Na verdade, quando disse que Ilithia não tinha voltado, descobri finalmente onde o Cáel foi parar. – ele apontou pra suas costas, indicando as camas vazias mais adiante.

A Tough War [Concluída]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora